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A Dialética da Realidade – O que é a Verdade?

A Dialética da Realidade – O que é a Verdade

percepção

Na história da humanidade os grandes Mestres sempre foram questionados sobre a Verdade. Podemos citar alguns casos, como o do Cristo Jesus, que quando perguntado sobre a verdade se calou. Há também o caso de Buda, que virou as costas e se retirou.

Na Índia se diz que o mundo está coberto com um véu de Maia ( ilusão).

O Venerável Mestre Samael Aun Weor nos diz em sua obra: “A Verdade é o desconhecido a cada instante.”. Nos diz também que o mundo é, na realidade bem diferente do que estamos acostumados a ver.

Diante dessas e de tantas outras colocações convidamos a todos a buscar uma reflexão mais profunda sobre isso que é a verdade.

Tal questão pode ser encarada sob vários aspectos, mas neste trabalho o faremos sob o aspecto filosófico.

A Filosofia trata da Causa Última das coisas.

Trataremos das causa últimas (ou filosóficas) do conhecimento.

Há duas questões básicas:

Por que temos que conhecer?

De que forma conhecemos?

A primeira é um aspecto muito elevado da Filosofia e não diz respeito diretamente ao assunto aqui tratado.

Já a segunda : “De que forma conhecemos?” é a que nos leva a estar mais perto ou mais longe do conhecimento do Real ou da Verdade.

Devemos iniciar falando sobre o que é conhecer.

Vejamos a seguinte questão: O boi conhece? Sim. Conhece o capim que deve comer, conhece a água para beber, conhece a sombra para se proteger, conhece a vaca para se reproduzir, conhece seus filhotes.

O Homem conhece? Sim. Conhece sua profissão, conhece uma árvore, os animais, seus familiares, a doutrina Gnóstica, os alimentos, a água e tantas outras coisas.

Vemos que tanto o boi quanto o Homem podem conhecer a natureza. Sendo assim, o CONHECER em si perde importância em relação à FORMA COMO CONHECEMOS a natureza e seus fenômenos.

Conhecendo simplesmente as coisas descuidando-nos da forma como conhecemos podemos cometer o equívoco de cair na mesma forma de conhecer que o boi do exemplo conhece. Lembremos que por alguma razão o Venerável Mestre Samael chama aos seres humanos atuais de “animais intelectuais”.

Refletindo sobre isso podemos identificar algumas FORMAS DE CONHECER:

Com os sentidos;

Através de definições;

Através de analogias;

Através de técnicas.

1) Com os sentidos: é a forma de conhecimento mais simples e primitiva, onde através dos sentidos temos contato com as coisas. Por exemplo: podemos copnhecer uma flor olhando para ela, contando suas pétalas, sentindo sua textura, seu cheiro, observando sua cor.

Tal forma de conhecimento não nos leva ao contato com a Verdade( que é única) porque não podemos garantir que vemos o mesmo que os demais seres. Ninguém pode jamais garantir que a cor verde da folha que ele vê é a mesma que outra pessoa vê. Os dois dirão que é verde porém a impressão que chega ao cérebro pode estar registrada no mesmo de maneira completamente diferente. Tal raciocínio pode ser aplicado também à forma dos objetos, ao cheiro, etc…

A palavra-chave para esta tipo de conhecimento é FORMA.

2) Definições : podemos também conhecer através de definições.

Por exemplo: O que é a Personalidade? É uma roupagem energética que nos envolve para que possamos nos ,manifestar adequadamente num determinado local e época.

Nós podemos nunca ter visto ou tocado em uma personalidade mas sabemos o que é ( conhecemos) através de sua definição.

Porém a definição também nos afasta da Verdade sobre o assunto tratado pois além de sempre restringir o sentido completo do objeto não passa de uma certa quantidade de palavras escritas ou faladas. A definição da personalidade não é sequer a sombra do que na verdade é a personalidade.

A palavra-chave para este tipo de conhecimento é PALAVRA.

3) Analogias : podemos conhecer algum fenômeno também por analogias. Vejamos o exemplo:

O ego é formado por matéria, energia e consciência. Podemos dizer que o ego então é como um carro: o carro em si é a matéria, o combustível seria a energia, e o motorista seria a consciência. Podemos trabalhar sobre o ego tirando sua energia, que seria como tirar o combustível, impossibilitando que o carro ande. Temos que porém tirar o motorista de dentro dele para que a Mãe Divina destrua o cascarão( o carro em si ) sem que o motorista( a Consciência ) seja destruída.

É claro que o processo de morte do ego na realidade não se processa desta maneira pois o ego não tem forma de carro e a energia ( sexual, motora, emocional, etc) não é gasolina e tampouco a consciência é algo parecida com um motorista.

Esta forma de conhecimento também nos afasta da Verdade pois como conhecemos através de comparações, podemos nos dar por satisfeitos com nosso tipo de conhecimento, estancando assim nosso caminho até a sabedoria.

A palavra-chave aqui é COMPARAÇÃO.

4) Técnicas : Elas são ensinadas por pessoas que já conhecem a forma de chegar a algum resultado e em si mesma é distinta do objeto real. Vejamos o exemplo:

A técnica de auto observação: conhecemos seus passos, sabemos que devemos obervar os centros em ação, etc.

Porém a auto observação em si é um sentido como a visão. Por acaso alguém precisa de técnicas para abrir os olhos e enxergar ou simplesmente enxerga? Assim é como a técnica dista muito do objeto real. A técnica de auto observação não é na realidade a auto observação.

Qual é então a FORMA de conhecimento que nos permite conhecer a Verdade sobre determinado fenômeno, um determinado objeto ou mesmo um determinado EU psicológico?

Devemos criar conscientemente esta nova forma de conhecer dentro de nós mesmos aqui e agora.

Diante de cada situação da vida, de cada EU, de cada fato natural, temos que criar um estado de “não conhecer”, o que combinado com o sentido de assombro, MEDITAÇÃO diária, auto observação psicológica, transmutação e outros elementos do trabalho esotérico descritos na obra do Mestre, nos permitirá ir conhecendo a Verdade.

Obviamente tal estado não pode ser compreendido com palavras, definições ou analogias. Podemos ter vivência dele através de uma técnica simples: observem o estado interior que se cria na pessoa diante de algumas questões:

– Se a multiplicidade se reduz à unidade, a que se reduz a unidade?

– Se todas as coisas foram criadas por Deus, então por que existe o Ego e todas as sua conseqüências maléficas?

– Porque no firmamento existe tantas estrelas? Porque não existe mais ou porque não existe menos?

– Porque o Cristo precisa da Transubstanciação para redimir o pecado? Porque simplesmente não redime todos os pecados e salva todas as almas?

– Mais além da última estrela, o que há?

Tais perguntas são conhecidas como Koans, são perguntas sem resposta para a mente o que a obriga a calar-se, inevitavelmente.

O estado interior de silêncio que acompanha tais Koans é o que podemos evocar e criar dentro de nós a cada momento para nos aproximarmos mais e mais da Verdade, do “desconhecido a cada instante”.

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