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Uma reflexão sobre Maya: a Ilusão

Maya: A grande Ilusão

O mundo material é Maya – a Grande Ilusão. O seu persistente domínio da consciência humana deve ser superado pelo verdadeiro conhecimento da Realidade – Jnana.

A Dança de Shiva | Gnosis Brasil

Um dos postulados básicos da filosofia Hindu é que aquilo que conhecemos como mundo material, é uma ilusão dos sentidos.

O que percebemos como mundo real, concreto e sólido, resulta de uma percepção de nossa consciência, mediada pelos sentidos físicos, mas essa visão não corresponde à essência da Realidade tal como é. Dessa forma, o mundo material é Maya – a Grande Ilusão.

Maya deriva da contração de ma, que significa “medir, marcar, formar, construir”, denotando o poder do deus ou demônio de criar ilusão, eya, que significa “aquilo”.

Maya é tudo que pode ser medido. O mundo todo pode ser medido, é por isso que ele é Maya.

No Bhagavad Gîta, por exemplo, encontramos sobre isso com uma clareza e profundidade inigualáveis.

Aquilo que à gente do mundo sensorial parece ser real e verdadeiro, para o sábio é ilusão: e aquilo que a maior parte dos homens julga ser irreal e não existente, o sábio conhece como o único que é Real e existente. (Bhagavad Gita – II-69)

 

Aquilo que é irreal, ilusório, não tem em si o Ser Real; não existe na realidade, e sim só na ilusão (Bhagavad Gita II-16)

 

O mundo dos homens (acha-se) sob o domínio da ilusão (…) Esta ilusão é muito forte, e tão denso é o seu véu que é difícil aos olhos humanos penetrá-lo. Só aqueles que a Mim se dirigem e se deixam iluminar pela chama que está detrás da fumaça, vencem a ilusão e chegam até Mim. (Bhagavad Gita VII-13-14)

A Dança de Shiva

A física moderna mostra que o movimento e os ritmos são propriedades essenciais da matéria, que toda matéria – tanto na Terra como no espaço – está envolvida numa dança cósmica.

Os mestres orientais possuem uma visão dinâmica do universo, para eles quando o ritmo da dança se modifica, o som produzido também se modifica. Cada átomo canta incessantemente sua canção, e a cada momento, cria formas densas e sutis.

Todas as coisas são parte de um grande processo rítmico de criação e destruição, de morte e renascimento, e a dança de Shiva simboliza esse eterno ritmo de vida e morte que se desdobra em ciclos intermináveis. Na plenitude do tempo, Ele destrói todas as formas pelo fogo e lhes concede novo repouso. Isto é poesia e, contudo, também é ciência.

Dessa incessante dança cósmica resulta o universo material:

A matéria, estando em contínuo movimento, produz variadíssimas e mutáveis formas … (Bhagavad Gita XIII-21)

Estou em constante ação e movimento, agindo sempre incessantemente (…) se eu deixasse de ser ativo, estes Universos cairiam em ruina (Bhagavad Gita III-22-23)

O que nos aparece como objetos sólidos, tangíveis, ao nosso redor, são compostos de átomos e moléculas. Das vibrações que agem entre eles e das vibrações que os ligam as moléculas e átomos que compõem nossos órgãos dos sentidos. Átomos e moléculas são praticamente espaços vazios.

A poeira nuclear é tecida pela dança de Shiva, numa teia ilusória que dá a impressão irreal da continuidade sólida da matéria. Se, por uma fração de segundo, o movimento interno da matéria atômica cessasse, todo o universo visível se eclipsaria como num passe de mágica – como poeira soprada da face do Absoluto.

A luz da sabedoria está obscurecida pela fumaça da ignorância, e o homem ilude-se com isso e pensa que a fumaça é a chama, não podendo enxergar esta atrás daquela.

O mundo dos homens está sob o domínio da ilusão; essa ilusão e muito forte, e tão denso é o seu véu, que é difícil aos olhos humanos penetrá-la. Só aqueles que a Mim se dirigem e deixam iluminar pela chama que está detrás da fumaça, vencem a ilusão e chegam até Mim.

(Bhagavad Gita VII-14).

Segundo a filosofia Hindu, apenas o absoluto pode ser considerado a realidade, sendo todo o restante ilusório.

Exemplo: Um ano luz é a distancia que a luz percorre no espaço de um ano a uma velocidade de 186’000 milhas (297’600 km) por segundo. Pode-se assim ter uma noção das imensas distancias que separam as estrelas entre si e de nós. O que são esses fatos que telescópios e câmeras nos fornecem? Dão-nos esses fatos um quadro do universo físico como ele existe? De maneira nenhuma.

Se a luz partida da grande maioria das estrelas leva milhões de anos para nos atingir, então o quadro do universo físico que a astronomia nos apresenta não é o do universo como ele existe presentemente, mas como existiu há milhões de anos atrás. Só chegaremos a saber o que o universo é agora daqui a milhões de anos.

É importante refletirmos sobre a Ilusão para entendermos que tudo é transitório, tem um início e um fim: nisso consiste a força de Maya. Necessitamos passar para mais além das manifestações dolorosas de Maya.

Todas as coisas visíveis são Maya. Maya desaparece através da sabedoria (Gnosis). Deveríamos trabalhar para nos livrarmos de Maya. Quando o Espírito, o Íntimo, se liberta de Maya, retorna ao Ain Soph da Cabala. Com a pratica da Gnosis podemos rasgar o véu de Maya e retornar ao Ain Soph.

O Senhor Buda ensinou que os mestres conquistaram Maya e a mente somente pela meditação profunda. Entre no silêncio. Medite. Medite. Solidão e intensa meditação são dois requisitos importantes para a auto-realização.

 

 

3 respostas para "Uma reflexão sobre Maya: a Ilusão"

  1. Carlos Albert Rodrigues Enviado em 03/04/2018 às 17:46

    Vocês são demais! Muito obrigado!

  2. Julia Enviado em 04/08/2018 às 18:27

    O Ensinamento GNÓSTICO é o que de melhor encontrei em minha vida.
    Que meus Pais Internos me deem FORÇAS para pratica-lo.

  3. rose Enviado em 04/10/2018 às 14:46

    A ilusão é uma cortina Negra, q nos deixa cegos, pois como se vêem luz estando nas trevas.
    Ilusão são as trevas dos mundo internos.
    O pior todo iludido, é apaixonado, é irracional, é iracundo e se crê muito bom, muito honesto, e se crê muito coitado e acha que sabe de tudo.
    *A luz veio a treva mas a treva não a compreenderam* v.m.s.a.w.

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