Primeiramente, a sabedoria espiritual revela o seguinte ensinamento:
“Contempla a vida para que a conheças… Ame-a, aprenda dela… Ela só quer que tu sejas como queiras ser…”
A Busca Incessante do Caminhante
De início, o indivíduo atua como um verdadeiro caminhante da vida. Por isso, o irmão questiona a si mesmo sobre o que ele busca nesta longa viagem. Nesse sentido, o buscador reflete se ele procura apenas dinheiro, posições ou honras. Contudo, se o viajante consegue esses bens materiais, ele realmente encontra a conformidade? Ainda assim, o caminhante avalia se ele deseja apenas amar ou receber amor. Logo, se a pessoa alcança esse afeto, ela atinge a satisfação plena?
A Ilusão das Conquistas Passageiras
Ademais, no trajeto que a pessoa percorre, ela encontra muitas coisas que, inicialmente, pareciam trazer felicidade. No entanto, com o passar dos dias, o caminhante percebe a ilusão. Por conseguinte, o indivíduo pergunta afanosamente sobre o destino e a transformação dessas coisas. Posteriormente, o viajante segue o seu percurso, encontra novas situações e, por lógica, pensa que essas novidades finalmente trarão a felicidade.
Contudo, com o avançar do tempo, outra decepção surge no horizonte. Diante disso, o caminhante frequentemente exclama:
“Que dor, que decepção, mais um desengano!”
Por outro lado, a pessoa muitas vezes aceita a situação e simplesmente afirma:
“Essa é a Vontade de Deus, isto eu tenho que pagar, isto é inevitável”.
Ou seja, o viajante apenas resigna a sua alma ao sofrimento constante.
A Impermanência da Jornada Terrena
Apesar disso, a criatura humana não deixa de sentir dor. De fato, o sujeito viaja ininterruptamente por este longo Caminho da Contemplação. Sendo assim, a pergunta fundamental retorna: para onde o viajante vai e o que ele busca? Certamente, o indivíduo nota que tudo que ele encontra no trajeto acompanha os seus passos por um tempo e, em seguida, desaparece.
Por exemplo, se a pessoa passa pela frente de um jardim, ela observa as flores lindas e belas. Entretanto, essa visão dura apenas um momento. Visto que o peregrino segue a jornada, ele encontra, mais adiante, uma terra árida, cheia de espinhos e secura.
Da mesma forma, esse fenômeno hostil também acompanha o caminhante apenas por um instante. Isto porque a pessoa continua a sua marcha sem parar. Logo após, o viajante encontra muitos frutos para comer, de modo que ele acalma a fome e a sede. Como o sujeito avança continuamente, essa fartura não permanece além de um breve instante. Por conseguinte, o viajante entra no cenário oposto, onde nada existe para saciar a fome ou a sede.
O Movimento Constante da Existência
Afinal, o caminhante não consegue deter a própria jornada. Embora a pessoa deseje pausar, a própria força vital impede essa parada. Ainda que o indivíduo sente ou deite, ele sempre viaja continuamente. Sem dúvida, esse fenômeno impressiona profundamente a mente. Nesse ínterim, o buscador espiritual precisa compreender essa realidade inegável.
Além do mais, se o homem não observa os fenômenos da existência, essas forças naturais contemplam a pessoa diariamente. Igualmente, todas as criaturas ao redor, que representam as filhas da mesma Natureza, observam os passos humanos. Portanto, quando esses seres veem o caminhante desesperado, eles declaram com profunda dor:
“Ali vai um viajante querendo ganhar o mundo com seu reino e perdendo a alma”.
Apesar de o homem ignorar esses irmãos menores, ele não sobreviveria sem a ajuda deles.
A Lição da Natureza e dos Reinos
Por esta razão, o irmão viajante aprende a contemplar o ambiente ao seu redor. Por exemplo, a imensa árvore permanece no mesmo lugar durante centenas de anos enquanto forma a sua estrutura. Ainda que a pessoa acredite na imobilidade da árvore, essa planta atua como uma viajante constante. Do mesmo modo, a árvore também aspira chegar a uma meta evolutiva. Contudo, a única diferença reside na direção. Enquanto a viagem humana vai do Oriente ao Ocidente e de Norte a Sul, a árvore viaja da Terra ao Sol. Em suma, apenas a direção do caminho muda.
Por sua vez, o pobre animal que cruza a estrada representa um viajante desprovido de razão ou consciência. No entanto, esse ser viaja instintivamente até o reino humano atual. Enquanto isso, devido aos desenfreios e múltiplos erros, o caminhante não percebe o próprio retrocesso temporal. Consequentemente, a pessoa avança apressadamente por um caminho equivocado. Inevitalmente, essa falha coloca o humano na escala evolutiva inferior, exatamente onde os animais aspiram chegar de forma afanosa.
A Fraternidade Universal
Diante de tudo isso, o indivíduo necessita contemplar a vida para conhecê-la profundamente. Sendo assim, a pessoa não olha para uma planta como um simples arbusto. Em vez disso, o estudante enxerga a planta como o corpo físico de uma criatura cheia de amor, resignação e compreensão. Isto é, a planta também atua como uma viajante pelo longo percurso existencial. Como ela atua como uma irmã e filha da mesma Mãe Natureza, o ser humano não a mata, mas sim, ama a criação divina intensamente.
Em paralelo, o outro homem que caminha pela estrada busca o amor e a felicidade nos prazeres, nas riquezas e no poder mundano. Porém, ao enfrentar a frustração em muitas vidas, esse sujeito reage violentamente contra o seu semelhante. Portanto, o observador contempla o próximo e percebe as semelhanças ocultas. Assim como o próprio estudante, o outro também errou e nunca encontrou uma resposta justa. Logo, a única diferença entre os dois consiste na direção do trajeto escolhido. Conclusivamente, se o indivíduo observa o seu semelhante e critica a atitude alheia, ele cai inevitavelmente no mesmo caminho equivocado.
A Essência do Cristo e o Propósito Maior
Finalmente, o peregrino adentra no Caminho da Contemplação, ama a sua jornada e aprende com os eventos diários. Dessa maneira, a pessoa percebe que a essência da criação abriga o Cristo íntimo. Simultaneamente, a forma exterior reflete exatamente o que o indivíduo é internamente. Além disso, o buscador compreende que os ensinamentos da natureza fornecem estritamente o que ele necessita. Sob o mesmo ponto de vista, o conhecimento adquirido reflete a vontade do próprio estudante.
Basicamente, a missão do universo consiste unicamente em dar abrigo à criatura humana. Ademais, a natureza ensina grandes coisas sem exigir absolutamente nada em troca. Por isso, se o homem deseja alcançar a bondade, ele aprende com as experiências diárias. Por outro lado, se a pessoa opta pela maldade, ela também aprende com as mesmas forças. De fato, a existência molda as energias conforme a condição interior do indivíduo. Afinal, a força universal atua de forma muito amorosa em todos os instantes.
Por fim, a consciência ensina:
“Ela só quer que tu sejas como queiras ser. A VIDA!”
Extraído dos ensinamentos do V.M. Lakhsmi
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