Primeiramente, o buscador compreende que a melhor didática para a dissolução do eu reside na vida prática intensamente vivida. Nesse sentido, a convivência humana funciona como um espelho maravilhoso. Aliás, através dela, o indivíduo consegue contemplar o próprio eu de corpo inteiro. Com efeito, no relacionamento com os semelhantes, os defeitos escondidos no fundo do subconsciente afloram de maneira espontânea. Portanto, se o estudante mantém um estado de alerta percepção, ele vê as falhas tais quais são em si mesmas.
A Convivência como Espelho da Alma
De fato, a maior alegria de um gnóstico reside em celebrar o descobrimento de um de seus defeitos. Nesse contexto, ele aplica o princípio de que um defeito descoberto representa um defeito morto. No entanto, quando o praticante descobre uma falha, ele precisa observá-la em cena, como quem assiste a um filme. Dessa forma, ele evita julgar ou condenar a si mesmo durante o processo de observação.
Contudo, o indivíduo sabe que a compreensão intelectual do defeito não basta. Por esse motivo, ele necessita submergir em profunda meditação interior para apanhar o erro em outros níveis da mente. Visto que a mente possui muitos níveis e profundidades, o trabalho exige esforço contínuo. Afinal, enquanto o estudante não compreende o defeito em todos os níveis mentais, o erro continua existindo como um demônio tentador no subconsciente.
O Budata e a Economia do Material Psíquico
Certamente, quando o praticante compreende um defeito integralmente, este se desintegra por completo. Consequentemente, o eu que caracteriza esse erro reduz-se a poeira cósmica. Assim sendo, o gnóstico morre de instante em instante e estabelece dentro de si um centro de consciência permanente. Inclusive, dentro de todo ser humano existe o Budata, o princípio búdhico interior que serve como matéria-prima para a Alma.
Todavia, o Eu Pluralizado gasta torpemente esse material psíquico em explosões de inveja, ódio, cobiça e vaidade. Por outro lado, conforme o Eu Pluralizado morre, o material psíquico se acumula no interior do indivíduo. Dessa maneira, o buscador se individualiza pouco a pouco. Ou seja, ao desegoistizar-se, ele conquista a verdadeira individualidade, embora deva posteriormente buscar a sobre-individualidade através do acontecimento de Belém.
A Necessidade da Morte Psicológica
Além disso, o trabalho de dissolução do eu constitui uma tarefa muito séria. Por essa razão, o estudante estuda a si mesmo profundamente em todos os níveis da mente. Já que o eu assemelha-se a um livro de muitos volumes, o praticante analisa suas emoções, ações e pensamentos de instante em instante. Analogamente, ele compreende cada defeito sem justificar ou condenar as próprias reações.
Basicamente, o Eu Pluralizado representa o subconsciente. Entretanto, quando o homem dissolve o ego, o subconsciente se converte em consciente. Logo, a aniquilação do eu permite que o consciente ocupe o posto do subconsciente. Como resultado, o indivíduo adquire a consciência contínua e vive desperto tanto no mundo físico quanto nos mundos superiores.
A Conquista da Consciência Contínua
Atualmente, a humanidade permanece subconsciente em cerca de 97%. Por isso, o ser humano comum dorme profundamente durante o sono físico e após a morte. Nesse aspecto, o gnóstico reconhece que necessita morrer de instante em instante, aqui e agora. Assim, ele exerce a autocrítica com o tremendo bisturi da análise profunda em todos os planos da mente cósmica.
Em última análise, conforme ensina Samael Aun Weor na obra A Revolução da Dialética:
“A mente do intuitivo é o Cálice do Santo Graal, repleto do sangue do Mártir do Gólgota. A mente do intuitivo é a taça sagrada do Amor, é a taça sagrada do Samadhi, é o licor dos Deuses.”
Finalmente, o importante consiste em viver esses ensinamentos na prática cotidiana. Visto que a morte do eu liberta a consciência, o homem que se move sob a direção do Íntimo encontra a felicidade plena e a sabedoria imortal.
Este artigo foi redigido com base e adaptações da obra “A Revolução da Dialética” do V. M. Samael Aun Weor


Usar o bisturi da auto-crítica sem desestabilizar o emocional no momento em que se identifica os vícios e defeitos é um grande desafio, às vezes temos apego ao comportamento danoso que nos da a ilusão de satisfação ou preenchimento de algum vazio, e ai, deixar o comportamento exigem atitude e vontade de evoluir.