Estudo dos Arcanos do Tarot – Arcano 9: O Eremita

Descubra os mistérios do Arcano 9 O Eremita no Tarot. Aprenda sobre a Nona Esfera, a cabala alquímica e a transmutação do Adão terrenal no Adão Cristo.

Arcano 9: O Eremita

Inicialmente, o estudante analisa a nona chave de Basílio Valentim neste capítulo. Consequentemente, a nona chave ilustra o velho Saturno enquanto este cai. Por outro lado, a deusa Lua eleva-se vitoriosa. Especificamente, o primeiro representa o chumbo, ao passo que a segunda simboliza a prata. Portanto, o Adão terrenal, que constitui o Eu Psicológico, deve cair e morrer. O Adão Cristo nasce no interior do indivíduo. Além disso, o alquimista necessita transmutar o chumbo da personalidade no ouro puro do Espírito.

Nesse sentido, a Lua, que atua como o mercúrio sófico e o Ens Seminis, deve levantar-se e retornar para dentro e para cima. Todavia, o ato de desencarnar significa simplesmente perpetuar o erro.

De fato, o Eu Psicológico, conhecido como o Adão terrenal, nasce milhares de vezes. Pois, ele reencarna sucessivamente para satisfazer desejos materiais. Logo, os nascimentos terrenais marcam a perpetuação da ignorância. Contudo, nascer em espírito e em verdade significa a morte literal do Adão terreno.

O Nascimento Espiritual

Ademais, o Adão Cristo nasce da semente, ou seja, do grão. Para que isso ocorra, a semente necessita de Thelema (Vontade). Assim, o super-homem germina de forma heroica. Entretanto, o nascimento deste ser não figura como o resultado de uma evolução mecânica. Porque ele não precisa de aperfeiçoamentos progressivos, conforme supõem muitos estudantes de ocultismo. Na verdade, a evolução constitui simplesmente o movimento da vida universal. Inclusive, ela age de acordo com os conceitos básicos de tempo, espaço e movimento. Dentro da natureza evolucionante, o cosmos contém todas as possibilidades. Por exemplo, alguns indivíduos tornam-se muito bons. Em contrapartida, outros se tornam extremamente maus. Mesmo assim, o super-homem não resulta de qualquer processo de evolução. Ao contrário, ele manifesta-se como o produto de uma tremenda revolução da consciência.

Consequentemente, o Adão Cristo distingue-se do Adão terrenal da mesma forma que o raio difere da negra nuvem. Embora o raio nasça da nuvem, ele não atua como a nuvem. Sendo assim, o raio representa o super-homem. Enquanto isso, a nuvem simboliza o homem comum. Em suma, o ato de nascer constitui um problema sexual. E, portanto, o caminho autêntico reside na transmutação sexual.

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O Simbolismo Alquímico na Nona Chave

Avançando no estudo, a nona chave exibe um retângulo que representa os quatro elementos da alquimia. Enquanto o investigador estuda cuidadosamente este retângulo, ele descobre um duplo círculo. Visto que este círculo duplo simboliza sabiamente a matéria mercurial com as suas duas propriedades: a geração e a regeneração. Além disso, o duplo círculo contém três serpentes que emergem de três corações.

Verdadeiramente, o iniciado precisa trabalhar com o mercúrio, o enxofre e o sal. Com o propósito de levantar a serpente de metal sobre a vara de poder. Pois, apenas quando o estudante trabalha com a matéria-prima tríplice (mercúrio, enxofre e sal), o Adão Cristo floresce no praticante.

Similarmente, a ave Fênix apoia-se sobre o duplo círculo da matéria mercurial, enquanto nasce das próprias cinzas. Por isso, o devoto deve imitar esta ave mitológica. No entanto, ele só consegue realizar isso ao trabalhar com o grão.

Paralelamente, o corvo da putrefação domina a águia da volatilidade no Adão terrenal. Por outro lado, a deusa Lua leva sobre a sua cabeça um cisne branco. Através da transmutação sexual, o buscador deve branquear o próprio corpo até convertê-lo no cisne imaculado da ascensão. Em síntese, a nona chave guarda todo o simbolismo da Grande Obra.

Além do mais, ninguém consegue trabalhar com a árvore sefirótica sem que atue como alquimista e cabalista. Por isso, o sábio do Arcano IX busca o tesouro diretamente na Nona Esfera. Logo, o praticante precisa estudar as teorias e, simultaneamente, trabalhar com o grão. Visto que a prática não pode existir sem a devida teoria.

Os Mistérios da Nona Esfera

Sobretudo, uma sentença oculta afirma rigorosamente que: “Nada pode sair, senão pela mesma porta por onde entrou”. Como o ser humano saiu do Éden, e considerando que o Éden representa o próprio sexo, o indivíduo apenas pode retornar ao Paraíso pela porta do sexo. Por analogia, o feto sai pela mesma porta por onde o seu germe entrou. Mas, isso ocorre apenas depois que a criatura cumpre todo o seu processo de gestação e atinge o tempo certo. Inegavelmente, esta condição estabelece a lei suprema.

Semelhantemente, o corpo físico humano resulta de nove meses de gestação no claustro materno. Através da lei das analogias filosóficas, o estudante deduz que a espécie humana também permanece em gestação por nove idades. Neste caso, a gestação ocorre no claustro materno da Divina Mãe Cósmica, que a tradição nomeia como Isis, Réa, Cibeles, Maria, Adonia, Insoberta, Kali, etc.

Portanto, na autêntica Iniciação, este retorno ao ponto de partida significa puramente a descida à Nona Esfera. Pois, esse ato funciona como a prova para a suprema dignidade do grande Hierofante de Mistérios.

A Força Sexual

Ademais, a forja acesa de Vulcano, que simboliza a força do sexo, encontra-se exatamente na Nona Esfera. Neste local, Marte desce para retemperar a sua espada flamejante. Também, o deus desce para conquistar o coração de Vênus na Iniciação Venusta. Igualmente, Hércules adentra este nível para limpar os estábulos de Áugias, que representam os baixos fundos animais. Da mesma forma, Perseu avança para cortar a cabeça da Medusa (o Eu Psicológico ou Adão terrenal) com a sua espada flamejante.

Historicamente, todos os Grandes Mestres da humanidade, tais como Hermes, Buda, Jesus, Dante e Zoroastro, tiveram de passar pela prova máxima. Consequentemente, no terrível pórtico da Nona Esfera, uma frase específica adverte e fecha o passo aos profanos: LASCIATE OGNI SPERANZA VOI CHE ENTRATE.

Adicionalmente, o Zohar adverte o leitor de forma muito enfática. O livro explica que, no fundo do Abismo, vive o Adão Protoplastos, que atua como o princípio diferenciador das almas. Assim, o iniciado tem de disputar a vitória contra esse princípio em uma batalha de morte. Certamente, trata-se de uma luta terrível. Nesta disputa, ocorre o embate do cérebro contra o sexo e do sexo contra o cérebro. Porém, o conflito mais terrível e mais doloroso reside na guerra de coração contra coração. E, conforme o Mestre afirma, o discípulo sabe disso.

O Signo do Infinito e a Terra

Em continuação, o resplandecente Signo do Infinito repousa no coração da Terra. Como se sabe, o Signo do Infinito compõe o poderoso Santo Oito. Neste signo sagrado, a natureza representa o coração, o cérebro e o sexo do Gênio da Terra. Segundo a tradição esotérica, o nome secreto desse Gênio atende por Changam.

Logo, o Signo do Infinito permanece no centro da Nona Esfera. Por sua vez, a Terra possui nove estratos atômicos. E, exatamente no nono estrato, habita o Signo do Infinito. Consequentemente, as nove Iniciações de Mistérios Menores correspondem-se de forma escalonada com cada um destes nove estratos terrestres. Sendo assim, cada Iniciação de Mistérios Menores fornece o acesso a cada um desses nove níveis terrenos.

Apenas o estudante que recebe as nove Iniciações de Mistérios Menores consegue chegar ao coração da terra. Visto que terríveis guardiões protegem cada estrato terrestre. Contudo, caminhos secretos conduzem o discípulo vitorioso até o centro do planeta. Além disso, o Signo do Infinito representa a dupla corrente vital do Gênio da Terra. Portanto, essa dupla corrente vital sustenta e nutre todo o planeta. Sendo que a divindade organiza todos os seres vivos sobre este perfeito arquétipo divino.

Finalmente, no centro do Signo do Infinito, existe um átomo divino. Dessa maneira, as nove esferas de vibração atômica enfocam-se concentricamente neste átomo do Gênio da Terra. Por isso, o Santo Oito resplandece cheio de glória no centro do globo. Concluindo, no centro deste Santo Oito, localiza-se o átomo central que atrai e enfoca as nove esferas de vibração universal. Inegavelmente, esta condição determina a lei cósmica.

As Tradições Cabalísticas e os Abismos

Em relação à sabedoria antiga, as tradições cabalísticas explicam que Adão possuía duas esposas: Lilith e Nahemah. Primeiramente, Lilith atua como a mãe dos abortos e, de um modo geral, de todos os crimes contra a Natureza. Por outro lado, Nahemah expressa a beleza maligna e fatal. Além do mais, Nahemah governa como a mãe do adultério e da fornicação passional. Sendo assim, o observador reconhece facilmente todo matrimônio violatório da lei. Porque, no dia das bodas, a noiva aparece calva. Dado que o cabelo figura como o símbolo sagrado do pudor na mulher, a lei cósmica proíbe o uso do mesmo nesse dia. Por consequência, ela cobre instintivamente o seu cabelo com o véu, como se o guardasse.

Ademais, o abismo divide-se em duas grandes esferas infra-sexuais. A saber, o praticante encontra as esferas de Lilith e de Nahemah. Enquanto os habitantes da esfera de Lilith não oferecem esperanças de salvação, os habitantes da esfera de Nahemah ainda demonstram alguma esperança de redenção.

A Tenebrosa Esfera de Lilith

Especificamente, dentro da esfera de Lilith, o investigador encontra pessoas que rechaçam veementemente o sexo. Por exemplo, anacoretas, monges, místicos e espiritualistas de diversas organizações de pseudo-ocultismo habitam este local. De fato, todas estas pessoas infra-sexuais odeiam o sexo. Além disso, elas julgam-se superiores às pessoas de sexo normal. Consequentemente, os infrasexuais odeiam mortalmente o Arcano A.Z.F. Em suma, a esfera infra-sexual de Lilith agrupa todos os crimes contra a Natureza.

A Sedutora Esfera de Nahemah

Por seu turno, a esfera de Nahemah seduz as almas fracas com o encanto de sua beleza maligna. Logo, o adultério nasce diretamente desse fatal encanto passional. Neste contexto, o estudante encontra as cruéis delícias do reino da infra-sexualidade dentro da esfera de Nahemah. Ademais, nas regiões atômicas desta esfera infrasexual, vivem os arquétipos dos “Don Juan” e as mais belas e sedutoras hetairas (cortesãs). Sendo que, entre estas entidades, umas demonstram aparente doçura e outras revelam terrível crueldade.

O Sexo Normal e a Supra-sexualidade

Entretanto, a pessoa de sexo normal deve manter-se sempre alerta e vigilante. Do contrário, ela pode converter-se em um prosélito fatal dos infrassexuais. Pois, estes indivíduos perniciosos vestem-se como santos, apóstolos e anacoretas. Ainda assim, eles creem-se superiores à humanidade. Portanto, eles enganam as pessoas de sexo normal com o claro objetivo de transformá-las em seus sequazes. Para esclarecer, a doutrina define como pessoa de sexo normal aquela que não sofre de conflito sexual de espécie alguma.

Adicionalmente, a sexualidade na pessoa de sexo normal opera em perfeito equilíbrio com as esferas do pensamento, do sentimento e da vontade. Assim, essa pessoa não abusa do sexo, tampouco apresenta aberrações de qualquer tipo.

Mais além, a esfera da supra-sexualidade define-se rigorosamente como a esfera da iluminação interna. Sendo que, o gozo sexual sempre precede o êxtase místico. Paulatinamente, o iniciado transmuta as sensações sexuais orgânicas em sensações de êxtase inefável. Logo, a idade do gozo sexual precede invariavelmente a idade do verdadeiro êxtase místico. Consequentemente, a idade do êxtase místico começa exatamente no ponto onde a idade do gozo sexual termina.

O Filho do Homem.

Posteriormente, depois que o buscador recebe a Iniciação Venusta, e logo após o Adão Cristo nascer em seu interior, ele deve tirar o Ovo Filosofal da podridão da matéria. Imediatamente, ele entrega este Ovo luminoso ao Filho do Homem. Sendo assim, esta ação significa um transplante total das energias sexuais.

Por conseguinte, o alquimista deve entregar a totalidade das energias criadoras ao Adão Cristo. Dessa forma, o Adão Cristo robustece-se absolutamente. Portanto, o mestre intitula este caminho como transmutação e sublimação sexuais. De fato, todo aquele praticante que atinge estas alturas converte-se em um autêntico Mestre do Samadhi.

Visto que, quando a consciência transmuta a mesma energia que produz as sensações físicas do sexo, ela gera o êxtase espiritual. Historicamente, Cristo, Buda, Hermes, Quetzalcoatl e muitos outros Avataras viveram estritamente como seres supra-sexuais.

O Papel de Vulcano e a Energia Vital

No que tange a Vulcano, a energia sexual manifesta-se no universo de três formas diferentes. Primeiramente, a primeira forma de energia sexual relaciona-se diretamente com a reprodução natural da espécie. Em segundo lugar, a segunda forma vincula-se com as esferas do pensamento e da vontade. Por fim, o terceiro tipo de energia relaciona-se intimamente com o glorioso mundo do Espírito Puro.

Além disso, o alquimista consegue realizar todos os processos ligados à transmutação sexual devido à intervenção direta do corpo vital. Pois, o corpo vital atua como o princípio primitivo (arqueo) que elabora o sangue e o sêmen no organismo humano. Sendo assim, ele representa o próprio Vulcano interior que transmuta o licor seminal em pura energia crística.

Ademais, o veículo da Alma-consciência no ser humano corresponde ao corpo vital. Nesta perfeita analogia, a consciência funciona como a chama, enquanto o corpo vital atua como o pavio da lâmpada. Portanto, Vulcano existe tanto no homem quanto na natureza; ele atua tanto no microcosmos quanto no macrocosmos. Em conclusão, o Grande Vulcano da Natureza expressa a realidade do Éden. Visto que o Éden representa o próprio plano etérico universal.

A Importância dos Ritmos Cósmicos

Com relação aos ritmos cósmicos, todo rebento alquimista afasta-se do ato sexual pouco a pouco, logo depois que a divindade o coroa. A partir desse momento, o conúbio secreto distancia-se cada vez mais da vida do praticante. Isso ocorre exatamente de acordo com certos ritmos cósmicos marcados pelo Gog oriental. Dessa forma, o iniciado sublima e transmuta as energias sexuais em um êxtase místico contínuo.

Geralmente, o rebento da alquimia, ou seja, o discípulo que já trabalhou no Magistério do Fogo durante as precedentes reencarnações, realiza este trabalho de laboratório em um tempo relativamente curto. Por outro lado, o indivíduo que trabalha na Grande Obra pela primeira vez precisa de, pelo menos, vinte anos de trabalho intensivo. Apenas assim, ele consegue entrar em sua segunda etapa, a qual dura também mais vinte anos. A partir de então, o alquimista retira-se lentamente do trabalho no laboratório físico. Em resumo, a pessoa necessita de um total de quarenta anos para realizar todo o sagrado processo. Contudo, caso o alquimista derrame o vaso de Hermes, ele apaga o fogo do fornilho do laboratório. E, consequentemente, o estudante perde irremediavelmente todo o trabalho acumulado.

Os Mantrans da Magia Sexual

Para a prática, o estudante vocaliza os seguintes mantrans sagrados:
IAO – OU – ADAI – OUO – OUOAE – KORE.

Em seguida, o praticante continua o exercício sonoro com as poderosas palavras:
KAWLAKAW – SAWLASAW – SEESAR.

Neste caso específico, KAWLAKAW representa o Deus Interno. Enquanto isso, SAWLASAW simboliza o homem terrenal. Por sua vez, SEESAR figura como o corpo astral. Certamente, estes poderosos mantrans desabrocham todos os poderes internos do iniciado. Anteriormente, falou-se do poderoso INRI e das suas modificações. Por isso, o alquimista nunca deve esquecer nenhum destes mantrans vocálicos durante as suas práticas.

Finalmente, o Arcano IX do Tarot mostra o ermitão sábio e prudente. Nesta carta, a figura aparece envolta no manto protetor de Apolônio. Visto que esse manto simboliza a grande virtude da prudência. Além disso, o eremita apoia-se firmemente no bastão dos Patriarcas. E, ao mesmo tempo, ele ilumina os seus passos solitários com a lâmpada de Hermes, que representa a sabedoria divina.

Portanto, o alquimista deve fazer sempre a vontade do Pai. Adicionalmente, o estudante deve mostrar profunda humildade para alcançar a sabedoria. Ainda mais, depois que o praticante a consegue, ele deve ser mais humilde do que qualquer outra pessoa. Pois, na jornada espiritual, sempre figura como melhor calar e morrer. Concluindo, apenas enquanto o Adão do pecado morre, o luminoso Adão Cristo finalmente nasce.

Este artigo foi redigido com base e adaptações da obra “Curso Esotérico de Cabala” do V. M. Samael Aun Weor

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