Os 3 Traidores do Cristo e o Drama Interior
O Cristo encarnado no coração do Homem precisa vivenciar, inevitavelmente, todo o Drama Cósmico descrito nos Quatro Evangelhos. Portanto, ele deve viver essa experiência dentro de cada indivíduo, aqui e agora. Logo depois de passar por todos esses processos sagrados, o Cristo enfrenta o seu julgamento.
Nesse momento, os Três Traidores o julgam e o conduzem à morte. Embora pareçam figuras externas, Judas, Pilatos e Caifás habitam dentro de nós mesmos. Assim, eles representam, respectivamente, o Desejo, a Má Mente e a Má Vontade.
O Simbolismo de Judas: O Desejo Material
Primeiramente, analisemos Judas. Ele representa o Desejo que nos atormenta constantemente. Consequentemente, Judas troca o Cristo Íntimo por 30 moedas de prata. A soma cabalística (3 + 0) resulta em 3, o que reforça o simbolismo material.
Ou seja, o ser humano troca a divindade interna por coisas passageiras: dinheiro, licores, luxo e prazeres animais. Dessa forma, Judas entrega o sagrado em troca de todas as sensações terrenas.
Pilatos: A Má Mente e a Autojustificação
Por outro lado, encontramos Pilatos, que simboliza a Má Mente. Ele sempre lava as mãos e jamais assume a culpa. De fato, Pilatos encontra uma desculpa ou uma evasiva para tudo. Similarmente, nós vivemos justificando todos os defeitos psicológicos que carregamos no interior e nunca nos consideramos culpados.
Frequentemente, as pessoas afirmam ser “boas”, alegando que não matam ou roubam. No entanto, diante de tanta suposta perfeição, Pilatos continua a atuar. Ele busca justificativas para as piores perversidades e recusa-se a encarar os próprios erros. Assim, devemos olhar as coisas com cru realismo: a mente (Pilatos) sempre se exime da responsabilidade.
Caifás: A Traição da Má Vontade
Além disso, existe Caifás, o Sumo Sacerdote e o mais perverso dos três. Ele representa a Má Vontade e trai o Cristo Íntimo miseravelmente.
Para ilustrar, imagine que o Cristo Íntimo nomeia um Sacerdote, Mestre ou Iniciado para guiar suas ovelhas. Contudo, ao invés de liderar sabiamente, esse líder vende os Sacramentos, prostitui o Altar e corrompe a congregação. Consequentemente, ele age como Caifás.
Infelizmente, essa é a traição mais suja que existe. Sem dúvida, muitas religiões e sacerdotes se prostituíram ao longo da história, traindo a força crística interior. Portanto, Judas, Pilatos e Caifás formam as Três Fúrias que levam o Cristo ao suplício.
As Multidões
Simultaneamente, multidões gritam e exigem a crucificação do Senhor. Na verdade, todas essas pessoas que clamam “Crucifica!” estão dentro de nós mesmos, neste exato momento.
Elas representam os agregados psíquicos inumanos. Em outras palavras, são os elementos indesejáveis que carregamos na psique. O Antigo Egito conhecia esses defeitos como os “Demônios Vermelhos de Seth”. São eles, a personificação viva de nossos vícios, que gritam incessantemente pela morte do divino em nós.
Finalmente, enquanto as multidões julgam o Cristo e Pilatos lava as mãos, o Senhor vai ao cárcere. Em seguida, um soldado romano o coroa com espinhos, marcando mais uma etapa dolorosa desse drama de transformação interior.
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