A Dependência Psicológica e o Valor Desproporcional

Inicialmente, surge a pergunta: por que o dinheiro assumiu tão imensa importância na vida do ser humano? Afinal, o indivíduo depende, acaso, exclusivamente dele para a sua própria felicidade psicológica? Certamente, a pessoa necessita de pão, abrigo e refúgio, já que a própria natureza comprova isso. Porém, visto que isso soa tão natural e simples até para a ave do céu, por que o capital assumiu tão tremenda e espantosa importância? Basicamente, o dinheiro ganhou tal valor exagerado e desproporcionado porque, psicologicamente, o sujeito depende do capital para o seu bem-estar. Além disso, a moeda alimenta a vaidade pessoal, dá prestígio social e brinda o homem com o meio exato para lograr o poder.
Infelizmente, a mente usa as finanças para fins e propósitos totalmente diferentes da sua essência natural. Por sua vez, essa essência foca apenas em satisfazer a necessidade física imediata. Atualmente, o indivíduo utiliza o dinheiro com propósitos psicológicos. Consequentemente, essa atitude representa a causa pela qual a riqueza assumiu uma importância exagerada e desproporcionada.
A Diferença Entre a Necessidade e o Desejo
Sem dúvida, o ser humano necessita de dinheiro para conseguir pão, abrigo e refúgio, pois isto soa óbvio. Contudo, quando o indivíduo converte o dinheiro em uma necessidade psicológica, e quando ele utiliza a moeda com um propósito diferente da sua função original, o cenário muda. Da mesma forma, quando o sujeito depende das finanças para conseguir fama, prestígio e posição social, o dinheiro assume, então, diante da mente humana, uma dimensão exagerada. Por consequência, a partir desse exato ponto, origina-se a luta e o conflito para possuir a riqueza.
Logicamente, a pessoa possui a necessidade de conseguir dinheiro para satisfazer a sua carência física. Apesar disso, se o homem depende exclusivamente do capital para a sua própria felicidade e satisfação pessoal, ele torna-se o ser mais desgraçado da Terra. Por outro lado, quando o indivíduo compreende profundamente que o dinheiro tem o único objetivo de proporcionar pão, abrigo e refúgio, ele impõe espontaneamente uma limitação inteligente ao recurso. Como resultado, o patrimônio já não assume diante do sujeito essa importância tão doentia, a qual surge apenas quando o dinheiro vira uma necessidade psicológica.
De fato, o dinheiro, em si mesmo, não possui bondade nem maldade. Na verdade, tudo depende do uso que a pessoa faz da moeda. Sendo assim, se o sujeito utiliza o capital para o bem, ele gera bondade. Em contrapartida, se o indivíduo utiliza o recurso para o mal, ele promove a maldade.
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A Compreensão da Verdade e a Pobreza Interior
Portanto, o buscador necessita compreender a fundo a verdadeira natureza da sensação e da satisfação. Para isso, a mente que deseja chegar a compreender a verdade deve permanecer livre destas travas. Caso o praticante queira de verdade libertar o pensamento da sensação de satisfação, ele tem que começar por aquelas sensações mais familiares. Logo após, ele precisa estabelecer aí o fundamento adequado para a compreensão. Afinal, a sensação tem o seu lugar adequado no organismo. Logo, quando o estudante compreende os instintos profundamente em todos os níveis da mente, o sentimento não assume a estúpida deformação atual.
Frequentemente, o cidadão pensa que, se toda ordem de coisas marchasse de acordo com o seu partido político de preferência, a sociedade construiria um mundo feliz, cheio de abundância, paz e perfeição. Todavia, o sábio rejeita esse conceito falso, porque, realmente, nada disso consegue existir se o sujeito não compreende individualmente o verdadeiro significado das coisas antes.
Geralmente, o ser humano mostra-se demasiado pobre internamente. Por isso, ele necessita do dinheiro e das coisas materiais para a sua sensação e satisfação pessoal. Sempre que alguém sofre de pobreza interna, essa pessoa busca externamente o dinheiro e os bens para completar a si mesma. Justamente por causa disso, a matéria assumiu um valor desproporcionado. Dessa forma, o indivíduo dispõe-se a roubar, a explorar e a mentir a cada instante. Em decorrência disso, a humanidade assiste à luta entre o capital e o trabalho, entre o patrão e o operário, entre o explorador e o explorado.
A Ilusão das Mudanças Políticas e a Riqueza Interna
Por conseguinte, a mudança política torna-se inútil se o cidadão não compreende antes a sua pobreza interior. Embora a sociedade mude o sistema econômico e altere o sistema social repetidas vezes, a essência continua igual. Afinal, se a pessoa não compreende profundamente a natureza íntima da sua pobreza interior, ela criará sempre um novo caminho para obter a satisfação pessoal à custa da paz do próximo.
Acima de tudo, urge compreender profundamente a natureza íntima deste “mim mesmo”, se o buscador realmente quer alcançar a riqueza interna. Inegavelmente, quem possui a riqueza interior torna-se incapaz de explorar o próximo. Igualmente, ele torna-se incapaz de roubar e de mentir. Ademais, a pessoa rica internamente permanece livre das travas da sensação e da satisfação pessoal. Em suma, quem detém a riqueza interna encontra a verdadeira felicidade.
A Justa Relação com o Dinheiro
Inegavelmente, o ser humano necessita de dinheiro. Porém, o indivíduo precisa compreender profundamente a sua justa relação com a moeda. Historicamente, nem o asceta, nem o avarento cobiçoso compreenderam jamais qual representa a justa relação humana com o dinheiro. Afinal, o sujeito não consegue entender o equilíbrio financeiro através da renúncia ou da cobiça. Na realidade, a pessoa necessita de compreensão para perceber inteligentemente a sua própria precisão material, mas sem depender desproporcionalmente do capital.
Logo que o ser humano compreende a sua justa relação com o dinheiro, a dor do desprendimento e o sofrimento espantoso que a competição produz terminam de fato. Portanto, o sujeito deve aprender a diferenciar a sua precisão física imediata da dependência psicológica das coisas. Isto ocorre porque a dependência psicológica da matéria cria a exploração e a escravidão.
Sem dúvida, o cidadão necessita de finanças para satisfazer a sua carência física imediata. Desgraçadamente, no entanto, a pessoa transforma essa necessidade em cobiça. Nesse contexto, o eu psicológico, ao perceber a sua própria vacuidade e miséria, costuma dar ao dinheiro um valor diferente daquele que a moeda possui. Ou seja, o ego atribui um valor absurdo à matéria. Dessa maneira, o eu quer enriquecer externamente, já que ele sofre de miséria interna. Por fim, o eu quer fazer o indivíduo sentir-se importante para deslumbrar o próximo com o status.
A Cobiça como a Causa das Guerras
Frequentemente, a pessoa alega a precisão material para justificar a cobiça. Entretanto, esta última representa a causa secreta do ódio e da brutalidade do mundo. Muitas vezes, inclusive, essa brutalidade costuma assumir um aspecto legal. Em essência, a cobiça configura a causa da guerra e de toda a miséria deste planeta.
Se o buscador quer acabar com a cobiça do mundo, ele deve compreender profundamente que esse mundo reside dentro dele mesmo. Basicamente, o ser humano compõe o mundo. Consequentemente, a cobiça dos demais indivíduos habita dentro da própria pessoa. Realmente, todo indivíduo vive dentro da própria consciência de cada um. Sendo assim, a cobiça do mundo repousa dentro do homem. Por isso, somente quando o sujeito acaba com a cobiça que carrega interiormente, a cobiça na Terra terminará. Definitivamente, apenas quando o praticante compreende o complexo processo da cobiça em todos os níveis da mente, ele consegue chegar a experimentar a grande Realidade.
PRÁTICA
1º – Primeiramente, o praticante deita-se de costas, em forma de estrela, e abre as pernas e os braços para a direita e para a esquerda.
2º – Em seguida, o indivíduo concentra-se em sua própria necessidade física imediata.
3º – Depois, o buscador medita e reflete em cada uma dessas necessidades.
4º – Logo após, o estudante adormece e tenta descobrir, por si mesmo, onde termina a necessidade e onde começa a cobiça.
5º – Finalmente, se o sujeito realiza a prática de concentração e meditação interna corretamente, ele descobre, em visão interna, qual constitui a sua necessidade legítima e qual configura a cobiça. Além disso, o aluno deve lembrar que, ao compreender profundamente a necessidade e a cobiça, ele estabelecerá a base verdadeira para o processo correto do pensar.


A cobiça faz o consumidor fazer mau uso do dinheiro. Além da cobiça existe também a vaidade que está por trás disso tudo. O querer ter de tudo para se aparecer perante o próximo.
A cobiça faz o consumidor fazer mau uso do dinheiro. Além da cobiça existe também a vaidade que está por trás disso tudo. O querer ter de tudo para se aparecer perante o próximo.
Muito bom este comentário.
A necessidade termina quando se tem a consciência de que o dinheiro é para o seu uso moderado além de lembra se do próximo e a cobiça começa quando passa se a ter mais e mais ultrapassando limites de ganância sem se importar como o próximo que a necessidade ė menos