Compreensão Criadora na Eliminação do Ego – Psicologia Gnóstica

O Equilíbrio Necessário Entre Ser e Saber

Inicialmente, o Ser e o Saber necessitam equilibrar um ao outro mutuamente. Dessa forma, o praticante estabelece a labareda da compreensão em sua psique. Por outro lado, quando o saber supera o ser, essa situação origina confusão intelectual de toda espécie. Em contrapartida, se o ser ultrapassa o saber, o indivíduo manifesta casos tão graves quanto o do Santo estúpido.

A Vida Prática Como Ginásio Psicológico

Primeiramente, no terreno da vida prática, o estudante necessita observar a si mesmo com o propósito de descobrir seu interior. Isso porque, precisamente a vida prática atua como o ginásio psicológico. Através desse ginásio, o indivíduo consegue descobrir seus próprios defeitos. Consequentemente, em estado de alerta-percepção e alerta-novidade, o buscador verifica diretamente que os defeitos escondidos afloram espontaneamente.

Evidentemente, o estudante deve trabalhar o defeito descoberto de forma consciente. Com isso, ele cria o firme propósito de separar essa falha de sua psique. Acima de tudo, o praticante não deve identificar a si mesmo com nenhum Eu-defeito, se ele realmente deseja eliminar essa falha. Para ilustrar, se alguém deseja levantar uma tábua para encostar a peça em uma parede, essa pessoa não alcançaria o objetivo se continuasse parada sobre a madeira. Obviamente, o sujeito precisa começar por separar a tábua de si mesmo. Logo após, ele retira o próprio corpo da mesma e, em seguida, levanta a tábua com as mãos para encostar a peça ao muro.

O Perigo da Identificação com o Ego

De maneira similar, o ser humano não deve identificar a si mesmo com nenhum agregado psíquico. Principalmente, se ele de verdade anseia separar tal elemento de sua psique. Sempre que o indivíduo identifica a própria pessoa com tal ou qual “Eu”, de fato, ele fortifica esse elemento, em vez de desintegrar a entidade.

Por exemplo, suponha que um “Eu” qualquer de luxúria apossa dos rolos do centro intelectual. Dessa maneira, o defeito projeta na tela da mente diversas cenas de lascívia e voluptuosidade sexual. Portanto, se o buscador identifica a si mesmo com tais quadros passionais, indubitavelmente, ele fortificará aquele “Eu” luxurioso de maneira tremenda. Porém, se o estudante, ao invés de identificar sua essência com essa entidade, separa o defeito de sua psique e considera o mesmo como um demônio intruso, obviamente, a compreensão criadora surgirá em sua intimidade.

A Doutrina dos Muitos Eus

Posteriormente, o praticante pode dar a si mesmo o luxo de julgar tal agregado analiticamente. Através disso, ele faz a própria consciência perceber o defeito plenamente. Infelizmente, o grave erro da pessoa consiste exatamente na identificação, e certamente isso resulta lamentável. Por conseguinte, se o ser humano conhecesse a doutrina dos muitos; se ele de verdade entendesse que nem a própria vida pertence a ele, então, o indivíduo não cometeria o erro da identificação.

Além disso, cenas de ira ou quadros de ciúmes no terreno da vida prática resultam úteis. Especialmente quando o buscador encontra a si mesmo em constante auto-observação psicológica. A partir daí, o praticante comprova que nem seus pensamentos, nem seus desejos, nem suas ações pertencem ao próprio indivíduo.

Inquestionavelmente, múltiplos eus intervêm como intrusos de mau agouro. Por conseguinte, eles colocam pensamentos na mente, emoções no coração e ações de qualquer natureza no centro motor. Sem dúvida, resulta lamentável que o homem não atue como dono de si mesmo. Além do mais, diversas entidades psicológicas fazem do indivíduo o que elas querem.

O Autodescobrimento e a Necessidade Radical de Mudança

Desafortunadamente, a pessoa nem remotamente suspeita o que sucede com ela. Como resultado, ela atua como uma simples marionete que fios invisíveis controlam. O pior de tudo isso reside no fato de que o indivíduo fortalece as entidades secretas em vez de lutar para libertar a si mesmo. Ademais, isso acontece exatamente no momento em que ele identifica a própria pessoa com esses defeitos.

Certamente, tal ou qual “Eu” causa qualquer cena de rua, qualquer drama familiar ou qualquer briga banal entre cônjuges. Por esse motivo, o buscador jamais deve ignorar essa realidade. Em suma, a vida prática funciona como o espelho psicológico onde o ser humano pode ver a si mesmo exatamente como ele é. Contudo, antes de tudo, o indivíduo precisa compreender a necessidade de ver a si mesmo e a urgência de mudar radicalmente. Apenas assim, ele terá vontade de observar a própria psique realmente.

Pelo contrário, quem contenta a si mesmo com o estado em que vive, como o néscio, o retardatário ou o negligente, nunca sentirá o desejo de ver a “Si mesmo”. Além disso, essa pessoa quererá a si mesma de forma excessiva e, de modo algum, disporá a própria vontade para revisar sua conduta e o seu modo de ser.

A Profundidade da Compreensão Criadora

De forma clara, afirma-se que vários eus intervêm em algumas comédias, dramas e tragédias da vida prática. Por isso, o buscador necessita compreender todos eles. Por exemplo, eus de luxúria, ira, amor próprio e ciúmes entram em jogo em qualquer cena de ciúmes passionais. Posteriormente, o estudante deve julgar cada elemento separadamente de maneira analítica. O objetivo disso consiste em compreender os eus integralmente e, com o evidente propósito, desintegrar cada entidade totalmente.

Adicionalmente, a compreensão criadora resulta muito elástica. Por causa disso, o estudante necessita penetrar nela cada vez mais profundamente. Ou seja, o que o praticante hoje compreende de um modo, amanhã ele compreende melhor.

Olhando as coisas deste ângulo, a pessoa pode verificar por si mesma o quanto as diversas circunstâncias da vida resultam úteis. Principalmente, quando o indivíduo em verdade utiliza essas situações como espelho para o autodescobrimento. De modo algum, se trataria jamais de afirmar que dramas, comédias e tragédias da vida prática resultam sempre formosos e perfeitos. Afinal, tal afirmação resultaria descabida. No entanto, por mais que as diversas situações da existência apresentem absurdos, elas tornam a vida maravilhosa como ginásios psicológicos.

A Falsa Santidade e o Difícil Trabalho de Dissolução

Ao mesmo tempo, o trabalho que o praticante relaciona com a dissolução dos diversos elementos constituintes do “Mim mesmo” resulta espantosamente difícil. Curiosamente, o delito esconde a própria face entre as cadências do verso. Igualmente, o delito oculta a si mesmo entre o perfume delicioso dos templos.

Às vezes, o delito torna a própria natureza tão refinada que ele confunde a si mesmo com a santidade. E ainda, ele age de forma tão cruel que chega a parecer com a doçura. Além do mais, o delito veste o próprio corpo com a toga do juiz, com a túnica do mestre, com a roupagem do mendigo, com o traje do senhor e até com a túnica do Cristo.

Em conclusão, a compreensão criadora representa algo fundamental. Todavia, no trabalho de dissolução dos agregados psíquicos, ela não significa tudo. Portanto, resulta urgente e inadiável o indivíduo fazer a si mesmo consciente de cada “Eu”. Assim, ele separa o ego da sua psique. Entretanto, isso não engloba tudo, pois ainda falta algo mais no processo de libertação.

Extraído dos ensinamentos do Mestre Samael Aun Weor,

Acesse: Gnosis Brasil

2 comentários em “Compreensão Criadora na Eliminação do Ego – Psicologia Gnóstica”

  1. RIDEU SANTOS BARROS DA SILVA

    Tem muita didática para o trabalho sobre o estudo de nós mesmo, para nós para ver muitos detalhes de nossa própria psicologia.

    1. Magali Gonçalves

      Não nos identificarmos com nossos “eus” foi o que, neste momento, me desafiou. Quando descubro alguns agregados fico pasma, me criticando. Devo mudar esta conduta e a compreensão é algo a ser praticado e praticado.
      Se conseguirmos ver as situações como laboratórios creio no fantástico autoconhecimento que teremos.
      Gratidão, Rideu.

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