Primeiramente, lembrem-se do Selo de Salomão: os seus dois triângulos entrelaçados que juntam e separam o amor, visto que, sem dúvida alguma, estão enlaçados. Ou seja, são as duas laçadeiras com as quais se tece e destece o tear de Deus.
Por um lado, o triângulo superior simboliza a Kether, o Pai que se encontra em segredo, a Chocmah, o Filho, e a Binah, o Espírito Santo de cada homem. Em contrapartida, o triângulo inferior representa os três traidores de Hiram Abif. Consequentemente, é imperativo notar que esses três traidores estão dentro de nós mesmos.
Em primeiro lugar, o primeiro traidor é o demônio do desejo e vive dentro do corpo astral. Logo após, o segundo traidor é o demônio da mente e vive no corpo mental. Por fim, o terceiro traidor é o demônio da má vontade, o qual vive dentro do corpo da vontade ou corpo causal.
Além disso, a Bíblia cita estes três traidores diretamente no Apocalipse de São João. Nesse sentido, vejamos os versículos 13 e 14 do capítulo 16: “E vi sair da boca do Dragão, da boca da Besta e da boca do falso Profeta, três espíritos imundos, semelhantes a rãs”. (Versículo 13). Do mesmo modo, o versículo 14 complementa: “Porque são espíritos de demônios que fazem sinais para ir aos reis da terra e de todo mundo, para os congregar para a batalha daquele grande dia, do Deus Todo-Poderoso”.
Sendo assim, os três traidores são o Ego reencarnante, o Eu Psicológico, isto é, o Satã que deve ser dissolvido para que possamos encarnar o Cristo Interno, que é constituído por Kether, Chocmah e Binah. Por conseguinte, o triângulo superior atua como o resplandecente Dragão de Sabedoria. Por outro lado, o triângulo inferior é o Dragão Negro.
Adicionalmente, no centro dos triângulos, acha-se o Signo do Infinito ou a cruz Tau. Com efeito, ambos os signos são fálicos. Portanto, a alma está entre os dois triângulos e, inevitavelmente, tem de se resolver pelo Dragão Branco ou pelo Dragão Negro. Afinal, o problema é absolutamente sexual.
A Simbologia da Serpente e a Alquimia Sexual
De fato, a chave de todo este mistério encontra-se na serpente. Por exemplo, as patas do galo dos Abraxas formam uma dupla cauda de serpente. Igualmente, existe a serpente tentadora do Éden e a serpente de cobre de Moisés, a qual está entrelaçada no Tau, ou seja, no Lingam sexual. (Sobretudo, lembremos que Lingam é o falo e Yoni é o útero).
A serpente está encerrada no chacra Muladhara, também conhecido como a Igreja de Éfeso. Dessa forma, ela dorme nesse centro do cóccix, enroscada três vezes e meia, e deve sair de sua Igreja inevitavelmente. Por causa disso, se ela subir pelo canal medular, convertemo-nos em anjos; todavia, se ela descer para os infernos atômicos do homem, transformamo-nos em demônios.
Agora, portanto, compreenderam porque a serpente do Caduceu é sempre dupla. Inegavelmente, a força sexual é o FIO dos gnósticos. Por isso, quando o estudante derrama o vaso de Hermes durante suas práticas com o Arcano A.Z.F., ele comete o grave crime dos Nicolaítas. Visto que eles usavam este sistema exato para fazer baixar a serpente. Como resultado, eis como o homem converte-se em demônio.
Em contraste, somente trabalhando arduamente com a Pedra Filosofal, dentro do laboratório sexual do alquimista prático, consegue-se, efetivamente, o desenvolvimento completo e positivo da serpente.
O Laboratório Alquímico e a Grande Obra
Antes de mais nada, o triângulo superior é o centro do microcosmo e do macrocosmo alquimistas. Além do mais, no centro do triângulo, não pode faltar o signo do mercúrio da filosofia secreta, isto é, o Ens Seminis. Para tanto, o homem e a mulher devem trabalhar com o sol e a lua, bem como com o ouro e a prata (símbolos sexuais), a fim de realizar a Grande Obra. Ainda assim, sem dúvida, o trabalho costuma ser difícil, porque o Bode de Mendes, ou seja, o Dragão Negro, trata constantemente de fazer cair sexualmente o alquimista. No entanto, urge trabalhar de forma consciente com os quatro elementos da alquimia para a realização da Grande Obra.
Certamente, o macrocosmo alquímico está iluminado pela luz; sendo assim, este é o triângulo superior do Selo de Salomão. Por outro lado, o microcosmo alquímico está em sombras, exatamente na região onde as almas lutam contra o Dragão Negro.
Nesse sentido, é precisamente no microcosmo, representado também pelo triângulo inferior, onde devemos realizar todo o trabalho do laboratório alquimista. De maneira idêntica, a gravura maravilhosa do microcosmo e macrocosmos alquimistas (ilustração de Chimica Basilica Philosophica) representa claramente o homem e a mulher trabalhando com o sol e com a lua, os quais são símbolos diretos do falo e do útero.
Entretanto, nesse quadro medieval, não aparecem duas mulheres nem tampouco dois homens. Isso ocorre porque esse crime contra a natureza origina o vampiro imundo. Embora os tenebrosos justifiquem os crimes contra a natureza, a Lei os castiga severamente, separando-os definitivamente do triângulo superior. Então, consequentemente, eles rodam no abismo.
Os Mistérios do Lingam-Yoni
Acima de tudo, os mistérios do Lingam-Yoni são terríveis e divinos, não podendo jamais ser alterados. Ou seja, o Lingam pode unir-se apenas com o Yoni. Definitivamente, esta é a lei imutável da Santa Alquimia. Assim sendo, as bodas alquímicas significam, de fato, o Matrimônio Perfeito. Por fim, o alquimista não deve somente matar o desejo, mas também aniquilar até a sombra da árvore horrível do desejo.
Historicamente, nos mistérios de Elêusis, utilizavam-se as danças sagradas entre homens e mulheres. Isso se justifica porque o amor e a música sagrada servem para encantar e, consequentemente, despertar a serpente. Além disso, os dançarinos do templo estavam completamente limpos do veneno asqueroso do desejo. Por conseguinte, todo pecado será perdoado, menos o pecado contra o Espírito Santo. (De fato, “aquele que fornica, peca contra seu próprio corpo”, conforme o Versículo 18, Capítulo 6 de I Coríntios). Em outras palavras, não somente fornica-se com o corpo físico, como também com o pensamento, com a emoção, com a palavra e, sobretudo, com as sensações animais.
Ainda sobre os mistérios de Elêusis, os casais dançavam para magnetizarem-se mutuamente. Assim, os homens, ao dançarem com as mulheres, chegavam ao êxtase. Inegavelmente, o intercâmbio bio-eletro-magnético entre homens e mulheres não pode ser substituído por absolutamente nada. Com efeito, que poder gigantesco, terrivelmente divino e grandioso! Portanto, Deus resplandece sobre o casal perfeito! Desse modo, se tu queres a Auto-Realização Íntima, recorda sempre este aforismo alquimista: “Há que se imitar a natureza em tudo. Afinal, a natureza gosta da natureza. Por consequência, a natureza domina a natureza”.
Em resumo, buscar o saber antigo e oculto, bem como realizar a Grande Obra em seu laboratório sexual, eis a tarefa central do alquimista. Embora a Grande Obra seja difícil, ela significa, na verdade, muitos anos de experiências, sacrifícios terríveis e tremendas dificuldades.
Os Princípios Sagrados da Alquimia e a Estrela de Salomão
Para compreender melhor a prática, existe o agente transmutador (conhecido como a Pedra dos Filósofos), uma influência celestial (a religiosidade cósmica), e também diversas influências astrais (a astrologia esotérica), além de influências de letras, números, correspondências e simpatias (a cabala).
Portanto, os princípios sagrados da alquimia são os seguintes:
- Primeiramente, a Unidade.
- Em seguida, o Par de opostos: homem e mulher.
- Logo após, a Trindade: ativo, passivo e neutro.
- Finalmente, os Elementos: fogo, ar, água e terra.
A Estrela
De maneira global, no Selo de Salomão reúne-se todo o trabalho da Grande Obra. Especificamente, as seis pontas da estrela são masculinas e, por outro lado, as seis fundas entradas, que existem entre ponta e ponta, são femininas. No total, a estrela de Salomão tem doze raios, sendo seis masculinos e seis femininos. Assim, a estrela de Salomão é o símbolo perfeito do Sol Central.
Além disso, no Selo de Salomão, acham-se resumidas as medidas zodiacais. Nele, consequentemente, esconde-se toda a gênese sexual do zodíaco e, ainda por cima, encontramos a íntima relação que existe entre o zodíaco e o invisível Sol Central. Portanto, os doze raios da brilhante estrela cristalizam-se, precisamente, por meio da alquimia das doze constelações zodiacais.
Por sua vez, quando o estudante penetra no interior do Templo da Esfinge, ele pode estudar ali o grande livro da natureza, onde, com toda a certeza, estão escritas as leis cósmicas.
Contudo, realmente, são muito poucos aqueles que podem abrir o livro e estudá-lo. Visto que a prova do Santuário aterroriza, muito poucos seres humanos conseguiram passar por essa prova. Todavia, todo aquele que passa vitorioso pela prova do Santuário recebe, imediatamente, uma joia preciosa: o Selo de Salomão. De fato, trata-se de um anel cheio de luz inefável. Entretanto, perde-o inevitavelmente o neófito que, por descuido, o toca com a mão esquerda.
Mediunidade vs. Boddhisattwas: As Forças do Magnetismo Universal
Ademais, existe outro significado profundo do Selo de Salomão: Em cima, o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Em baixo, porém, está o poder que governa (o Íntimo), o poder que delibera (a mente) e o poder que executa (a personalidade). Por causa disso, quando o poder que delibera e o poder que executa se insubordinam contra o governador, ou seja, se rebelam contra o Íntimo, o resultado é, fatalmente, o fracasso.
Inegavelmente, os três traidores sabem muito bem como se apoderar dos poderes que deliberam e executam. Por outro lado, os Boddhisattwas sabem, muitas vezes, receber mensagens diretas dos mundos superiores. Infelizmente, os ignorantes confundem frequentemente os Boddhisatwas com os médiuns do espiritismo.
No entanto, é preciso esclarecer que existe o médium e o mediador. Enquanto o médium é negativo, o mediador é positivo. De um lado, o médium atua como o veículo da serpente tentadora do Éden. Do outro lado, o Boddhisattwa mediador é o veículo puro da Serpente de Cobre que curava no deserto aos israelitas.
Com certeza, os Grandes Mestres sabem ditar mensagens puras com os lábios de seus Boddhisattwas. Contudo, as pessoas não entendem isso e, como resultado, confundem os medianeiros com os simples médiuns do espiritismo. Isso acontece porque, frequentemente, as pessoas deixam-se levar pelas aparências externas.
O Significado Profundo do Arcano 6 do Tarot
Em suma, no Selo de Salomão, estão perfeitamente representadas as forças positivas e negativas do magnetismo universal. Por isso, nos trabalhos de Alta Magia, é absolutamente necessário traçar um círculo protetor ao redor. Este círculo, inclusive, seria totalmente fechado se, acaso, não estivesse interrompido estrategicamente pelo Selo de Salomão.
Portanto, os irmãos gnósticos devem fabricar o Selo de Salomão utilizando os sete metais. Além do mais, pode-se fazer anéis e medalhões sagrados com o Selo de Salomão. Consequentemente, deve-se utilizar o Selo de Salomão em todos os trabalhos de invocação e, também, em práticas diretas com os elementais, exatamente como ficou ensinado no Arcano IV.
Pois, sem dúvida, os elementais da natureza tremem diante do Selo do Deus Vivo. Além disso, é sabido que o anjo do sexto selo do Apocalipse está agora reencarnado em um corpo feminino, sendo, de fato, um especialista na ciência sagrada dos Jinas.
Finalmente, concluímos que o Arcano 6 do Tarot é o enamorado da jornada mística. Trata-se, essencialmente, do homem posicionado entre o vício e a virtude. Sendo assim, o Arcano 6 do Tarot representa o encadeamento, o equilíbrio e, sobretudo, a união amorosa de homem e mulher. Em outras palavras, é a luta terrível entre o amor e o desejo, culminando no enlaçamento anímico.
Dessa maneira, dentro do Arcano 6 do Tarot, estão ocultos os mistérios do Lingam e do Yoni, bem como a luta incessante entre os dois ternários. Por fim, o Arcano 6 do Tarot é a suprema afirmação do Cristo Interno e, simultaneamente, a suprema negação de Satã. Portanto, orai e vigiai.
Com base: Curso Esotérico de Cabala – Samael Aun Weor)
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