Estudo dos Arcanos do Tarot – Arcano 8: A Justiça

Descubra os mistérios do Arcano 8 do Tarot, a balança da Justiça cósmica, a alquimia do Ovo Filosofal e o despertar do Kundalini, segundo Samael Aun Weor.

Arcano 8: A Justiça

Primeiramente, o estudante analisa, neste capítulo, a oitava chave de Basílio Valentim. De fato, o livro Viridarium Chymicum ilustra esta chave magistralmente. Consequentemente, a oitava chave compõe uma alegoria alquímica, clara e perfeita, dos processos da morte e ressurreição. Inegavelmente, estes processos sucedem, inevitavelmente, na preparação esotérica da Pedra Filosofal. Além disso, esta alegoria representa toda a transmutação metálica e a preparação íntima da pedra. Por conseguinte, todo o material humano que o iniciado emprega neste trabalho morre, apodrece, corrompe e enegrece no Ovo Filosofal. Logo em seguida, o material branqueia maravilhosamente.

Ademais, o Ovo Filosofal contém todo o trabalho da Grande Obra. Da mesma forma, o ovo guarda os princípios sexuais masculino e feminino. Assim como o pombinho sai do ovo, e assim como o Universo nasce do Ovo de Ouro de Brahma, da mesma maneira o Mestre sai do Ovo Filosofal.

Simbologia Alquímica da Oitava Chave

Adicionalmente, um cadáver representa a morte na ilustração do Viridarium Chymicum. Por outro lado, alguns corvos representam a putrefação. Em seguida, um humilde agricultor simboliza a semeadura. Paralelamente, uma espiga de trigo ilustra o crescimento. Por fim, um morto que levanta da sepultura e um anjo que toca a trombeta do Juízo Final representam ativamente a ressurreição.

Com efeito, o estudante gnóstico sabe que o cadáver, ou seja, a morte da oitava chave de Basílio Valentim, representa as duas testemunhas do Apocalipse que agora jazem mortas. Contudo, o praticante ressuscita as duas testemunhas mediante a putrefação alquimista, que os corvos representam, e mediante os trabalhos rigorosos da alquimia. Certamente, a divisa do esoterista é Thelema. Portanto, a semente, cujo símbolo figura como a espiga de trigo, encerra todo o poder mágico. Consequentemente, o anjo sagrado que o ser humano leva dentro de si toca a sua trombeta. Imediatamente, as duas testemunhas levantam da sepultura.

Magia Branca, Magia Negra e a Energia Sexual

Posteriormente, a figura exibe dois arqueiros. O primeiro arqueiro acerta o cisne branco, enquanto o segundo arqueiro erra o alvo. Dessa forma, eles simbolizam as duas interpretações alquímicas possíveis: a correta e a errônea. Ou seja, eles representam a magia sexual branca e a magia sexual negra, assim como a alquimia de ouro e o satanismo erótico. Primeiramente, a alquimia de ouro não inclui a ejaculação do Ens Seminis. Em contrapartida, o satanismo erótico exige a ejaculação do Ens Seminis.

Por exemplo, os iogues negros da Índia, também conhecidos como Asura Samphata, ejaculam o Ens Seminis, ou Shuhsra. O mago negro faz isso para misturar o líquido criminosamente com o raja feminino na vagina. Logo a seguir, o praticante tenebroso reabsorve o fluido mediante o uso negativo do Vajroli, já mesclado com o raja feminino.

Consequentemente, os iogues negros creem que, dessa maneira, conseguirão a sábia união dos átomos solares e lunares a fim de despertar o Kundalini. Contudo, o tantrismo negro sempre gerará o despertar negativo da serpente. Dessa forma, a serpente, ao invés de subir, descerá para os infernos atômicos do homem e converterá a sua forma na cauda de satanás. Eis como os iogues negros terminam, por fim, separados do Deus Interno para sempre. De fato, esses praticantes constituem os demônios. Semelhantemente, essa prática configura a magia negra. Inegavelmente, as duas testemunhas do Apocalipse jamais ressuscitarão por esse caminho, porque este trajeto conduz o indivíduo direto ao abismo e à segunda morte.

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A Ressurreição das Duas Testemunhas

Por outro lado, todo aquele que ejacula o seu licor seminal afasta a si próprio do seu Deus Interno. No entanto, os iogues que praticam a Urdhavaratus Yoga, que constitui a magia sexual positiva, não ejaculam o Ens Seminis. Neste caso específico, o alquimista realiza a combinação de Shuhsra, que significa átomos solares, e Raja, que significa átomos lunares, dentro do Ovo Filosofal. Em outras palavras, o indivíduo processa essa fusão dentro do seu próprio laboratório sexual.

Eis como o magista ressuscita as duas testemunhas. Com efeito, estas testemunhas formam as duas olivas e os dois candeeiros que permanecem diante do Deus da Terra. Além disso, se alguém quiser causar dano a elas, o fogo sai da boca destas entidades divinas e devora os inimigos. Ademais, elas têm o poder para fechar o céu para os fornicários que praticam a magia sexual com ejaculação do sêmen. Assim, a chuva não cai nos dias de sua profecia.

Igualmente, as testemunhas têm poder sobre as águas humanas para convertê-las em sangue, bem como para ferir a terra filosófica, que representa o organismo humano dos fornicários. Por conseguinte, elas ferem o corpo com toda praga, quantas vezes quiserem, sempre de acordo com a lei cósmica. Portanto, se alguém quiser danar as testemunhas, a lei torna necessário que este agressor morra.

DISPOSIÇÃO DAS TESTEMUNHAS

Primeiramente, um par de cordões simpáticos, semi-etéricos e semifísicos, forma as duas testemunhas. De fato, estes cordões enroscam na medula espinhal e formam o Santo Oito, o Oito Sagrado ou o Signo do Infinito. No homem, os testículos direito e esquerdo emitem as duas testemunhas. Por outro lado, na mulher, os ovários irradiam estes canais.

Em seguida, o corpo situa as duas testemunhas nos lados direito e esquerdo da espinha dorsal. Consequentemente, os canais sobem da esquerda para a direita, alternadamente. Logo, os cordões formam um nó maravilhoso no espaço compreendido entre as duas sobrancelhas e, posteriormente, prosseguem pelas fossas nasais. Dessa maneira, as duas testemunhas ligam os órgãos sexuais com as narinas.

O cordão ganglionar que procede do lado direito apresenta uma natureza quente e solar. Em contrapartida, o cordão procedente da narina esquerda exibe uma natureza fria e lunar. Finalmente, este par de cordões nervosos ata a sua estrutura graciosamente no osso do cóccix. Quando os átomos solares e lunares do sistema seminal fazem contato no tribeni, bem perto do cóccix, o choque energético desperta o Kundalini.

A Transmutação dos Vapores Seminais

Ademais, a união sexual entre os Iniciados objetiva apenas estabelecer o contato de polos opostos para despertar o Kundalini. Assim, o praticante multiplica o Mercúrio da Filosofia Secreta com o contato sexual e aumenta o volume do licor seminal. Além disso, o alquimista transmuta o Ens Seminis em vapores seminais quando não ejacula o sêmen.

Por sua vez, o corpo converte os vapores seminais em energias que bipolarizam a sua essência em polaridades positivas e negativas. Com efeito, as forças solares compõem as energias positivas, enquanto as forças lunares formam as energias negativas. Consequentemente, as energias solares e lunares sobem pelo interior dos cordões simpáticos. A tradição esotérica conhece estes cordões como as duas testemunhas, nomeadas Idá e Pingalá.

Adicionalmente, o canal medular possui um orifício interno. Normalmente, o organismo humano mantém esse orifício tapado nas pessoas comuns. Contudo, os vapores seminais desentopem esse orifício a fim de que a Serpente Sagrada entre por ali e atinja o interior do canal medular.

O Perigo do Desejo Animal e a Glândula Pineal

Neste ponto, adverte-se aos irmãos gnósticos-rosacruzes sobre uma necessidade vital. Inegavelmente, o discípulo precisa aprender a polarizar o fogo sagrado do Kundalini. Por exemplo, alguns devotos comem carne diariamente e bebem álcool. Além disso, eles gozam bestialmente da paixão carnal com o pretexto de trabalhar na Grande Obra. Ainda que os estudantes não gastem o Ens Seminis, eles sentem a luxúria com imenso gozo.

Como resultado, esses devotos polarizam o fogo sagrado totalmente nos chacras do baixo ventre. Consequentemente, eles perdem a felicidade de gozar a alegria do lótus de Mil Pétalas. Em contrapartida, a glândula pineal abriga esse lótus maravilhoso. De fato, ele constitui a coroa dos santos que brilha na cabeça dos grandes Iniciados. Logo, o lótus das mil pétalas converte o discípulo em um Mestre do Samadhi, que significa êxtase.

Sobretudo, o trabalho no laboratorium-oratorium configura uma verdadeira cerimônia mística. Portanto, o praticante não deve profanar a prática com o desejo animal nem com maus pensamentos. Definitivamente, o sexo atua como o Sanctum Sanctorum do Templo. Assim, antes de entrar no Sanctum Sanctorum, o iniciado deve purificar a mente de todo pensamento impuro.

PROVAS ESOTÉRICAS

Primeiramente, o Arcano VIII encerra as provas iniciáticas. De fato, cada Iniciação e cada grau apresenta as suas próprias provas. Consequentemente, a lei cósmica torna as provas iniciáticas cada vez mais exigentes, sempre de acordo com o grau iniciático do estudante. Além disso, a numerologia define o número 8 como o grau de Jó. O significado oculto de Jó representa provas e dores. Por fim, o adepto realiza as provas iniciáticas tanto nos mundos superiores quanto no mundo físico.

CARTA OITO DO TAROT

Em seguida, o Arcano VIII do Tarot exibe uma mulher com uma espada na mão diante da balança da justiça cósmica. Realmente, só a mulher pode entregar a espada ao mago. Sem a presença da mulher, nenhum Iniciado consegue receber a espada. Por um lado, o ocultismo reconhece a existência da Eva Vênus, que simboliza a mulher instintiva. Por outro lado, o esoterismo exalta a Vênus Eva, que representa a nobre mulher do lar. Além disso, o mistério revela a Vênus Urânia, que atua como a mulher iniciada nos grandes mistérios. E, por último, o autor afirma a existência da Urânia Vênus. Certamente, esta figura ilustra a mulher adepto, ou seja, a mulher realizada a fundo.

FOGO FLAMEJANTE

Primeiramente, o fogo flamejante abre as sete Igrejas do Apocalipse. De fato, estas igrejas representam os sete centros magnéticos da medula espinhal.

Em primeiro lugar, o alquimista conquista todos os poderes da terra com o primeiro centro. Além disso, o corpo localiza este chakra na altura dos órgãos sexuais.

Em segundo lugar, o magista conquista as águas com o segundo centro magnético. Igualmente, o organismo abriga este ponto na altura da próstata.

Em terceiro lugar, o discípulo conquista o fogo universal com o terceiro centro. Por conseguinte, o iniciado encontra este chakra situado na altura do umbigo.

Em quarto lugar, o praticante conquista o ar com o quarto centro. Inegavelmente, o corpo localiza este ponto na altura do coração. Este local serve como o Santuário de Séfira, que atua como a mãe dos sefirotes e a Divina Mãe Cósmica.

Em quinto lugar, o estudante recebe o ouvido sagrado e domina o Akasha com o quinto centro magnético. Consequentemente, o adepto conserva o corpo vivo até durante as noites cósmicas. O organismo situa este poder na altura da laringe criadora.

Em sexto lugar, o hierofante conquista o centro magnético do Pai ao atingir o sexto centro magnético. O corpo localiza este olho espiritual entre as duas sobrancelhas. Assim, o praticante torna a si mesmo clarividente.

Por fim, em sétimo lugar, o mestre ganha a polividência, a visão intuitiva e o êxtase com o sétimo centro cósmico. Definitivamente, a glândula pineal abriga esta maravilha transcendente.

EQUILÍBRIO DA BALANÇA

Primeiramente, a mulher do Arcano VIII segura a balança em uma das mãos e a espada na outra mão. Portanto, o praticante precisa equilibrar as forças. Urge que o estudante santifique a si mesmo absolutamente e pratique o Arcano A.Z.F. Com efeito, o amor e a sabedoria equilibram magicamente as forças do homem e da mulher. Adicionalmente, a dupla cruz dos pentáculos de Pitágoras e de Ezequiel representa fielmente o Arcano VIII.

Por exemplo, Vênus equilibra as obras de Marte. Semelhantemente, Mercúrio equilibra e realiza as obras do Sol e da Lua, tanto em cima quanto em baixo. Além disso, no macrocosmo e no microcosmo-homem, o Mercúrio da Filosofia Secreta, que consiste no Ens Seminis, sempre equilibra e realiza as obras do Sol e da Lua, bem como as obras do homem e da mulher.

Consequentemente, nenhum iogue ou ioguina pode realizar a si mesmo, jamais, sem o uso sagrado do Arcano A.Z.F. Aqueles que quiserem excluir o Arcano A.Z.F. da sua disciplina yoga violarão ativamente a lei do Arcano VIII. Inegavelmente, esses místicos figuram eternamente como os fracassados. Por fim, o velho Saturno pesa a Júpiter Tonante, que governa como o Pai dos Deuses. Esta dinâmica ilustra perfeitamente a lei do equilíbrio cósmico. Isto é, Saturno contrabalanceia a Júpiter de forma harmoniosa.

Este artigo foi redigido com base e adaptações da obra “Curso Esotérico de Cabala do V. M. Samael Aun Weor

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