Primeiramente, surge uma questão fundamental: quem ostenta maior grandeza? O ordenador ou aquele que concedeu a forma? Certamente, todos concordam que o doador da forma possui a maior importância. Então, quem modelou o ser humano? Inegavelmente, um poder criador realizou essa obra magna através das águas da vida, ou seja, através das águas sexuais ou criadoras. Além disso, a inteligência que atua nas águas criadoras dos órgãos reprodutores da raça humana e de toda espécie vegetal ou animal demonstra uma natureza extraordinária, sublime e grandiosa.
A Arquitetura Sagrada de Notre Dame e a Nave Mestra
Consequentemente, o intelecto humano surge como filho direto desta inteligência maior. Portanto, seria ideal que a mente rendesse culto a essa força criadora. Por exemplo, a arquitetura da Catedral de Notre Dame de Paris prolonga a nave principal além do coro, criando assim a abside, semelhante ao que o arquiteto faz em todas as catedrais góticas. Dessa forma, a nave e a abside juntas constituem a Nave Mestra.
Por outro lado, o construtor chama o cruzeiro de Nave Transversal. Juntas, a Nave Mestra e a Nave Transversal formam uma cruz perfeita. Assim sendo, elas estabelecem a estrutura fundamental da catedral gótica. Quando o observador olha do exterior, ele nota que estas duas naves elevam a própria majestade e grandeza até o céu. Adicionalmente, duas torres (ou flechas, dependendo da catedral) protegem a estrutura. Logo, essas torres atuam como sentinelas ou testemunhas que velam eternamente sobre o mistério que esta construção inspira.
No exterior, fortes arcobotantes sustentam lateralmente a nave e a respectiva abside. Especificamente, esses arcos de pedra exibem uma fineza assombrosa. Apesar disso, a chuva, o vento, o frio intenso e o forte calor testaram essas estruturas continuamente. Surpreendentemente, os arcos resistiram e o tempo os manteve praticamente intactos após oito séculos de existência. Na Catedral de Notre Dame de Paris, o visitante conta doze arcobotantes de cada lado da Nave Mestra, sendo sete arcos posicionados até o cruzeiro e cinco logo depois. Igualmente, quatro arcobotantes suportam a parte arredondada da abside.
Entre em contato via WhatsApp
Esclareça todas as suas dúvidas, encontre a sede mais próxima e muito mais em um só lugar. Envie uma mensagem e receba diretamente no seu WhatsApp.
O Simbolismo do INRI e a Prisão do Ego
Simbolicamente, essa arquitetura evoca os doze pares de costelas finas e delicadas da caixa torácica do organismo humano. Da mesma maneira, a estrutura evoca grandiosamente as quatro letras da palavra escrita acima da cabeça do Cristo na Cruz: INRI. Afinal, “Ignis Natura Renovatur Integra” compreende quatro palavras em latim que significam “o Fogo Renova a Natureza Inteira”. Portanto, a catedral gótica, incluindo a Notre Dame de Paris, atua como qualquer templo sagrado autêntico. Ou seja, o edifício representa física e simbolicamente a Grande Obra que a natureza forma em segredo dentro da pessoa que aspira à própria libertação interior. Diante disso, de que o indivíduo precisa libertar a si mesmo? Exatamente daquilo que a psicologia moderna chama de “Ego”.
Inegavelmente, o Ego torna a pessoa indigna da força sublime que habita o interior humano. Além disso, o Ego transformou o ser humano em um centro permanente de desordem psicológica. Consequentemente, esse defeito atua como o responsável oculto por todos os males que a humanidade já sofreu e ainda sofre. Igualmente, o Ego causa as grandes alterações mundiais, tais como enfermidades, lutas, iras, divisões e revoluções sangrentas. Ainda assim, ele gera guerras, miséria, injustiças, impudor exorbitante, violências, barbáries, tiranias e a profunda falta de respeito, compreensão e amor.
Contudo, o Ego não existiu desde sempre. Na verdade, ele nasceu na natureza interna do homem devido a um erro. Por isso, a história da humanidade divide-se claramente em duas partes: antes e depois do nascimento do Ego. Essencialmente, o Ego surge como fruto de uma transgressão. Ou seja, ele deriva da utilização equivocada e ilusória da energia criadora, gerando um desperdício insensato. Segundo afirmam os Sábios, o Ego possui milhões de anos. Portanto, ele suja as águas da vida. Definitivamente, o Ego representa a prisão da autêntica Consciência humana. Logo, ele funciona como a cela que encerra a tão desejada Felicidade.
O Útero Alquímico e a Gestação da Grande Obra
Em contrapartida, a Grande Obra desenvolve a si mesma como uma criança, em absoluto segredo, na obscuridade de um ventre ou de uma matriz. Consequentemente, a Grande Obra possui a própria gestora, a própria Mãe. Historicamente, as palavras Matriz e Matéria derivam de “Matera”, termo latino que significa “Mãe”. Nesse contexto, a Matriz corresponde ao próprio organismo humano. Por outro lado, a Matéria representa a substância seminal, também conhecida como o Mercúrio dos Alquimistas.
Assim, o organismo humano contém o oceano seminal, o oceano mercurial e as águas do Gênese (a energia criadora sexual). Exatamente dessa fonte, a natureza extrai toda a criação. Finalmente, desse ponto surge a Catedral da Perfeição, a Grande Obra, a Pedra Filosofal e a Criança de Ouro, refletindo a perfeição convertida em ser humano.
Stella Maris e a Necessidade da Revolução Íntima
Diante disso, a Nave da Catedral Gótica recorda que o aspirante precisa embarcar em um navio específico para alcançar a liberação interna. Notavelmente, “Stella Maris” (a Estrela do Mar, ou Ísis, a Mãe da Grande Obra) guia esse navio. Ela gesta a Criança de Perfeição no próprio ventre e, em seguida, dá à luz quando o praticante atinge o preparo ideal. Visualmente, o construtor apresenta o casco dessa embarcação de forma invertida. Isso indica que os valores atuais da existência humana não servem para o ingresso na Barca de Rá, a Nave Alquímica.
Portanto, o indivíduo precisa descartar conceitos velhos para converter a si mesmo em um navegante da Sabedoria, semelhante aos argonautas da mitologia, enquanto “Stella Maris” o guia durante as noites terríveis. Desse modo, uma revolução íntima torna-se imperiosa. Consequentemente, o buscador deve realizar uma revisão rigorosa e sem complacências das próprias convicções, ideias, crenças e sentimentos. Igualmente, a pessoa precisa questionar as tradições familiares, religiosas e políticas, além de reavaliar urgentemente tudo aquilo que sabe, pensa, faz, diz ou considera como bom ou mau.
O Fogo Secreto e o Renascimento nas Águas da Vida
Agora, compreende-se melhor o motivo pelo qual nomeou-se todas as catedrais e muitos santuários góticos como “Notre Dame”. Afinal, ela representa a Dama humilde e generosa que inspira silenciosamente os impulsos sublimes em direção ao Belo, ao Digno, ao Generoso e ao Inefável. Ao mesmo tempo, a Dama Divina guia o navegante durante as noites terríveis em que a Consciência permanece presa e adormecida. Inevitavelmente, a corrente inexorável e impiedosa das águas da vida arrasta toda forma de existência desde o nascimento até a morte.
No entanto, essas mesmas águas guardam o segredo dos Deuses e a Inteligência Criadora de todas as coisas. Ou seja, elas contêm aquilo que o intelecto considera Inconcebível, transcendendo qualquer pensamento ou sentimento. Segundo o vocabulário alquimista, isso constitui o Fogo Secreto. Esse Fogo devora tudo e, subsequentemente, renova incessantemente a Natureza inteira (INRI), brindando o universo eternamente com renovação, juventude e beleza. Visto que o ser humano originou a si mesmo das águas, um fogo existencial consome a pessoa continuamente. Diante dessa realidade, resta saber se o buscador conseguirá avivar o mistério da Ciência e do Amor, que repousa oculto, perdido, ignorado e, talvez, maltratado dentro da própria natureza.
Em conclusão, a humanidade ergueu a Catedral Gótica para a Glória d’Aquele que dorme nas águas da vida, o grande Criador de todas as coisas. Portanto, a arquitetura glorifica a respectiva Grandeza, o Amor, a Inteligência e a Ciência divina. Além disso, o templo recorda ao praticante que o Criador representa a Eterna Atualidade. Definitivamente, o Navio Alquímico Eterno atua como a própria Nave divina. Paralelamente, a Mãe atua como a Dama que guia esse Navio rumo ao infinito. Por fim, como exclama a Arte alquimista de forma magistral: “Um só Navio, uma só Matéria, um só Forno”.
Adaptado da tradução de artigo escrito por Antoine Demangeon, Instrutor Gnóstico

