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O Navio Alquímico da Catedral Gótica Parte II

O Navio Alquímico da Catedral Gótica Parte II

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Quem é maior? O ordenador ou aquele que lhe deu forma? Todos estamos de acordo: maior é aquele que lhe deu forma. Quem deu forma ao homem? Um poder criador contendo em suas águas de vida, águas sexuais ou criadoras. A inteligência em ação, nas águas criadoras dos órgãos reprodutores da raça humana e toda espécie vegetal ou animal, é extraordinária, sublime, grandiosa…

O intelecto humano é filho desta inteligência – quem dera lhe rendesse culto…. A Nave da Catedral de Notre Dame de Paris, como em todas as catedrais góticas, prolonga-se mais além do coro, formando-se assim a abside. A nave prolongada pela abside  constitui a Nave Mestra. O cruzeiro é chamado Nave Transversal. A Nave mestra e a Nave transversal formam uma cruz. Constituem a estrutura fundamental da catedral gótica. Vistas do exterior, estas duas naves, Mestra e Transversal, elevam-se até o céu sua majestosidade e sua grandeza, protegidas por duas torres ( ou flechas, em algumas catedrais) semelhantes a dois sentinelas ou testemunhas que velam eternamente sobre o mistério que esta construção inspira…

No exterior, a nave e sua prolongação (a abside) são mantidas lateralmente pelos arcobotantes, arcos de pedra de uma fineza assombrosa, submetidos a prova pela chuva, pelo vento, pelos grandes frios, fortes calores, e que permaneceram praticametne intactos depois de oito séculos de existência. A cada lado da nave mestra da Catedral de Notre Dame de Paris podem ser contados doze arcobotantes, sete  até o cruzeiro e cinco depois deste. A parte arredondada da abside está suportada por quatro arcobotantes.

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Evocação sublime dos doze pares de costelas finas e delicadas da caixa torácica do organismo humano… Evocação grandiosa das quatro letras da palavra escrita encima da cabeça do Cristo na Cruz, INRI… “Ignis Natura Renovatur Integra”: quatro palavras em latim que significam “o Fogo Renova a Natureza Inteira”. A catedral gótica – e a Notre Dame de Paris não é exceção – como qualquer templo é a representação física e simbólica da Grande Obra que se forma em segredo dentro da pessoa que aspira a se liberar interiormente. Liberar-se de que? Disso que a psicologia moderna chama de “Ego”.

O Ego é aquele que nos torna indignos do sublime que está em nosso interior. O Ego fez do humano um centro permanente de desordem psicológico;  é o responsável oculto de todos os males que o humano sofreu e sofre, responsável oculto das grandes alterações que a Humanidade viveu e vive (enfermidades, lutas, iras, divisões, revoluções sangrentas, guerras, miséria, injustiças, impudor exorbitante,  violências, barbáries, tiranias, falta de respeito, de compreensão, de amor, etc…)

O Ego não existiu desde sempre. O Ego nasceu na natureza interna do homem. Existe uma história da Humanidade antes do nascimento Ego, existe uma história da Humanidade depois do Ego. O Ego é o fruto de uma transgressão: a utilização equivocada, ilusória, da energia criadora… desperdício insensato… Segundo o que dizem os Sábios, o Ego tem milhões de anos… é ele quem suja as águas da vida… ele é a prisão da autêntica Consciência humana… É a cela que encerra a Felicidade tão desejada.

A Grande Obra se forma como uma criança em segredo na obscuridade de um ventre, em segredo na obscuridade de uma matriz… A Grande Obra tem sua gestora, tem sua Mãe… Matriz, Matéria, Matera (palavra latina que significa “Mãe”). A Matriz é o organismo humano. A Matéria é a matéria seminal, o Mercúrio dos Alquimistas. O organismo humano contém o oceano seminal, o oceano mercurial, as águas do Gênese (energia criadora sexual) de onde sai todo o criado, de onde surge a Catedral da Perfeição, a Grande Obra, a Pedra Filosofal, a Criança de Ouro…, a Perfeição feita homem.

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A Nave da Catedral Gótica nos recorda que temos que subir a certa embarcação se aspiramos à liberação interna; esse navio é guiado por “Stella Maris”, a Estrela do Mar, Ísis, a Mãe da Grande Obra, aquela que em seu ventre gesta à Criança de Perfeição e dá a luz quando uma pessoa está preparada. O casco dessa embarcação está invertido, indicando-nos que os valores sobre os quais baseamos nossa existência não os que necessitamos para subir à Barca de Rá, a Nave Alquímica, e para nos converter em navegantes da Sabedoria, guiados por “Stella Maris” nas noites terríveis, naqueles argonautas da mitologia. Uma revolução íntima faz-se imperiosa, o que está relacionado com uma revisão, sem complacências, de nossas mais profundas convicções, ideias, crenças, sentimentos, tradições familiares, religiosas, políticas, etc… o que sabemos, o que pensamos, o que consideramos bom ou mal, o que fazemos, o que dizemos, etc…

Agora, compreendemos melhor porque todas as catedrais e muitos santuários góticos se chamam “Notre Dame”, Dama humilde e generosa que inspira, em silêncio, os impulsos sublimes até o Belo, o Digno, o Generoso, o Inefável… , que guia o navegante nas noites terríveis de uma Consciência presa, adormecida… A corrente inexorável e impiedosa das águas da vida, arrasta toda forma de vida desde seu nascimento até a sua morte. No entanto, essas águas da vida contêm  o segredo dos Deuses, a Inteligência Criadora de todas as coisas, aquilo que é Inconcebível, aquilo que está mais além de todo pensamento e de todo sentimento, um Fogo Secreto segundo o vocabulário alquimista, Fogo que tudo devora e que renova incensantemente a Natureza inteira (INRI), brindando-o eternamente com renovação, juventude e beleza. Nós saímos das águas… Um fogo, o da existência, nos consume… Saberemos avivar o mistério da Ciência e do Amor, oculto, perdido em nossa natureza, ignorando…e, talvez, maltratado?

A Catedral Gótica foi construída para a Glória d’Aquele que dorme nas águas da vida, o Criador de todas as coisas… Ela glorifica sua Grandeza, seu Amor, sua Inteligência, sua Ciência e ela nos recorda que Ele é a Eterna Atualidade… O Navio Alquímico Eterno é sua Nave… A Dama que guia o Navio, sua Mãe… “Um só Navio, uma só Matéria, um só Forno”, exclama a Arte alquimista.

(Tradução de artigo escrito por Antoine Demangeon, Instrutor       Gnóstico da França)

 

 

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