O significado oculto do Carnaval

Inegavelmente, o mundo reconhece o Carnaval como uma festa altamente erótica e de grande liberdade. Além disso, essa data representa um período de permissividade e uma certa falta de controle que pode chegar ao deboche, ao exagero, a piadas, a desafios e até a insultos. Contudo, a celebração vai muito além disso. De fato, a tradição esconde significados ocultos por trás dessa festa tão tradicional.

A Celebração Mundial do Carnaval

Primeiramente, o Carnaval atua como um popular feriado público que ocorre antes do início da Quaresma Católica. Dessa forma, as pessoas celebram essa data não apenas no Brasil, mas em muitas partes do mundo. Consequentemente, as festas de Carnaval ganham enorme fama no Rio de Janeiro, em Barranquilla, em Veneza, em Santa Cruz de Tenerife, em Veracruz, em Montevidéu, entre outras localidades.

Geralmente, em muitos lugares, a celebração ocorre nos três dias anteriores à quarta-feira de cinzas. No entanto, em outros países, a festa dura sete dias e começa na chamada quinta-feira Lardero ou Jovelardero. Por exemplo, em cidades como Montevidéu, a festa de carnaval dura muito mais tempo.

Assim, o Desfile das Escolas de Samba do Carnaval do Rio de Janeiro ilustra perfeitamente a magnitude dessa tradição mundial.

A Natureza Lúdica e os Jogos Tradicionais

Ademais, a celebração da agenda carnavalesca possui, em muitos casos, uma natureza puramente lúdica. Sendo assim, crianças e adolescentes participam desse evento com muito entusiasmo. Por isso, em alguns lugares, a população combina essa data com festas de rua, desfiles de carros alegóricos e trupes, danças de fantasia e uso de máscaras que ocultam a identidade do usuário. Logo após, eles realizam a eleição do Rei do Carnaval.

Igualmente, em muitos carnavais, os participantes praticam vários jogos com farinha, cascas de ovos cheias de pedaços de papel (pica pica), serpentinas e água. Nesse contexto, na Guatemala, por exemplo, as pessoas pintam as cascas de ovos com uma grande variedade de cores. Consequentemente, essa prática lembra, de alguma forma, a celebração dos ovos de Páscoa nos Estados Unidos.

A Visão da Antropologia e da Gnosis

Simultaneamente, muitos estudantes de Antropologia e Etnologia investigam as origens do Carnaval. Desse modo, eles consideram que, para a sociedade rural fortemente estruturada pelo cristianismo, o tempo das “carnestolendas” oferecia máscaras rituais de raízes pagãs. Logo, essa época proporcionava um período de permissividade que se opunha frontalmente à repressão da sexualidade e à severa formalidade litúrgica da Quaresma cristã.

Portanto, à luz da Antropologia Gnóstica, nós devemos entender que as festas arcaicas que inspiraram o Carnaval possuíam um humor e princípios espirituais muito diferentes. Porém, essas tradições antigas eventualmente se vulgarizaram e degeneraram.

Segundo os estudos gnósticos, o Carnaval significa o exato sinônimo de água, rainhas, roupas, devassidão e espiritualidade zero. Afinal, todo feriado tem dois pólos: o positivo e o negativo. Ou seja, existem as festas da alma e também as festas da carne. Certamente, toda tradição tem sua origem no culto reverencial à divindade. Entretanto, tudo muda e degenera regularmente. Por exemplo, as Saturnálias representavam as festividades romanas em homenagem a Saturno. Naquela época, o mestre servia o escravo e existia total liberdade. Infelizmente, esse costume mais tarde degenerou em orgias.

Etimologia da Palavra Carnaval

Historicamente, desde a Idade Média, a Igreja Católica dava ao Carnaval o significado de “abandonar ou retirar a carne”. Nesse sentido, os religiosos tiraram essa expressão do latim vulgar: carne levare. Assim, o termo aludia ao jejum e à abstinência que a igreja recomendava às sextas-feiras durante a Quaresma. Além disso, os estudiosos associam a palavra Carnaval à palavra italiana carnevale. Consequentemente, esse termo designa o tempo em que “se pode comer carne”.

Por outro lado, a história associa um significado totalmente pagão à festa. Por exemplo, entre os celtas, as tribos adoravam Carna, a deusa dos feijões e do bacon. Igualmente, no Mahabharata, o texto menciona o Deus Karna, irmão mais velho dos Pandavas e filho do Sol e da rainha Kunti. Ainda assim, outros pesquisadores relacionam a celebração ao demônio Baal (carna-baal), a festa em que “tudo acontece”.

Sob o mesmo ponto de vista, aqueles que buscam etimologias mais antigas argumentam que o termo vem de Carrus navalis. De fato, o carro naval, no Egito antigo, referia-se ao aparecimento de Rá, o Sol, no céu. Logo, isso trazia uma clara referência ao período que marca a proximidade da primavera. Durante essa fase, o tempo de luz solar aumenta ao longo do dia. Consequentemente, as noites ficam mais curtas à medida que o equinócio da primavera se aproxima (21 de março), o que coincide exatamente com a hora da comemoração do Drama Cósmico.

Antecedentes Históricos e Festas Pagãs

Inegavelmente, a humanidade perdeu os restos originais do carnaval na noite dos séculos. Assim, na Roma antiga, os romanos celebravam o festival de inverno (Saturnália) e as festividades em homenagem a Baco, o deus do vinho (a bacanal) e os lupercais. Similarmente, na Grécia clássica, as celebrações dos dionisíacos ganharam muita fama. Do mesmo modo, no Egito antigo, os egípcios realizavam grandiosas celebrações em homenagem ao Boi Apis. Sem dúvida, as origens dessas celebrações possuem raízes muito antigas. Além disso, em muitos casos, as antigas tradições associam essas festas ao tempo exato entre a festa de Natal e a chegada da primavera.

Ademais, os historiadores encontraram reminiscências do festival de carnaval na antiga Suméria, na Babilônia e na Ásia Menor. Por isso, os textos arqueológicos falam da festa de “Las Purullivas”. Basicamente, os hititas ou Hebeos — povo de uma cidade antiga na região da Anatólia, na atual Turquia — realizavam essa antiga celebração da primavera. Sendo assim, essa celebração festiva acontecia até a época das flores e do amor.

As Celebrações Egípcias e Celtas

Posteriormente, na cidade de Memphis, no Egito antigo, os cidadãos realizavam uma festa em homenagem ao Boi de Apis, pouco antes da chegada da Primavera. Durante o evento, os sacerdotes decoravam o boi com belas guirlandas de flores e ofereciam a ele trigo e frutas. Geralmente, os egípcios comemoravam esta e outras festas na lua nova ou na lua cheia.

Além disso, essa celebração ocorria sempre que um novo boi Apis nascia. Primeiramente, os sacerdotes saíam em busca do animal sagrado. Em seguida, quando o encontravam, eles o levavam diretamente a Heliópolis. Lá, o boi ficava hospedado por quarenta dias. Finalmente, os sacerdotes o transferiam em uma balsa de ouro para Memphis. Eventualmente, em algumas ocasiões especiais, o boi andava pelas ruas para que as pessoas o adorassem. Contudo, quando ele morria, a população decretava um dia de luto e realizava uma grande festa fúnebre em todo o Egito.

Paralelamente, no início de fevereiro, os antigos celtas da Irlanda, da Escócia e da Escandinávia celebravam o Imbolc. Decerto, esse feriado indicava que, nessa data específica, o Sol estava a meio caminho entre o Solstício de inverno e o Equinócio da Primavera. Até então, os dias ficavam gradativamente mais longos. Logo, a natureza anunciava a proximidade da primavera e demonstrava que o bom tempo estava chegando.

(Por conseguinte, o implemento ritualístico Imbolc da cultura Celta ilustra perfeitamente essa fase mística).

Os Dionisíacos, as Bacanais e as Lupercais

Por outro lado, na Grécia clássica, o povo realizava efusivas celebrações em homenagem ao deus do vinho: Dionísio. Assim, nasciam os famosos dionisíacos. Em contrapartida, na Roma antiga, os cidadãos chamavam os dionisíacos de Bacanal. Afinal, para os romanos, o deus do vinho chamava-se Baco. Com o passar do tempo, a Bacanal degenerou profundamente. Como resultado, os participantes bebiam vinho até perder a consciência. Adicionalmente, as pessoas estruturavam organizações secretas e os “Bacantes” entregavam-se a todos os tipos possíveis de excessos.

Igualmente, existiam os Lupercais, que o povo realizava em homenagem ao fauno Luperco (ou Lupércio). Segundo a mitologia romana, esse ser transformou-se em lobo e cuidou dos irmãos gêmeos Rômulo e Remo. Portanto, os romanos comemoravam essas festas em meados de fevereiro. Inicialmente, o feriado começava com o sacrifício violento de uma cabra. Nesse sentido, esse ato lembra fortemente o Bode masculino da cidade de Mendes, no Egito antigo. Infelizmente, enquanto essa festa se degenerava, a euforia, o frenesi e o deboche abundavam de forma caótica entre a população.

A Tradição da Saturnália Romana

Em primeiro lugar, entre os diferentes festivais públicos e religiosos romanos, o povo organizava grandiosas procissões em massa. Nesses eventos, os participantes sempre usavam máscaras. Sendo assim, as pessoas também lembravam das Saturnálias (do latim: Saturnalia) como as autênticas “festas dos escravos”. De fato, essas celebrações continham elementos que hoje correspondem, em alguns casos, às tradições de Natal e, em outros, ao próprio carnaval. Geralmente, os romanos celebravam as Saturnálias no início do ano. Além disso, como a própria etimologia da palavra infere, eles homenageavam diretamente o deus Saturno. Do mesmo modo, eles realizavam essas festas para comemorar os grandes triunfos militares do império.

A História

Historicamente, em suas origens, as pessoas celebravam os festivais da “Saturnália” em homenagem a Saturno (Cronos para os gregos) por um período exato de sete dias. Ou seja, a festa ocorria de 17 a 25 de dezembro, sempre iluminada à luz de velas e tochas. De acordo com o Mito Solar, essa festa coincidia exatamente com a hora do Solstício de inverno e com a noite mais longa do ano. Posteriormente, o evento culminava magnificamente com o nascimento do Sol Invictus, no dia 25 de dezembro. Além disso, a data também coincidia com o final da importante estação de semeadura no inverno.

Durante essas férias, a sociedade permitia uma inversão de obrigações e libertava os escravos temporariamente. Por consequência, os senhores tornavam-se escravos e os servos atuavam como senhores absolutistas. Inclusive, alguns estudiosos afirmam que essa troca de papéis lembra a mítica Idade de Ouro, a época de Saturno. Nesse tempo longínquo, os rios corriam leite e mel e não existiam distinções sociais entre os seres humanos.

Contudo, com o passar do tempo e de acordo com os registros dos historiadores, na época das guerras púnicas, a sociedade romana começou a declinar velozmente. Como resultado direto, as saturnálias começaram a degenerar. Durante esse período negro, surgiram muitas diversões, agitação excessiva, comida abundante e até troca de presentes entre familiares e amigos. Primeiramente, a festa começava nas dependências do templo de Saturno. Em seguida, o evento continuava com um gigantesco banquete público.

A Festa

Nesse ínterim, os romanos relaxavam e libertavam-se totalmente das leis e regras que governavam o resto do ano. Ademais, as famílias escolhiam um “rei da Saturnália”, ou um senhor do governo inadequado, que até poderia ser uma simples criança. Assim, aquele “rei da mentira” presidia o feriado com pompa. Portanto, o povo precisava prestar atenção nele e obedecer rigorosamente, por mais extravagantes e absurdas que as suas ordens fossem.

Já na época da extrema corrupção romana, durante essas férias, a lei permitia todos os tipos de excessos com bebida e comida. Afinal, essa representava a suprema festa da liberdade e da desinibição humana. De fato, esse representou um período em que toda Roma enlouquecia. Logo, a multidão deixava-se levar cegamente pelos prazeres carnais. Nesse contexto histórico, um pesquisador cita o seguinte trecho explicativo: “Nos Saturnos, as pessoas retratavam o mundo de cabeça para baixo e caricaturavam abertamente as leis e os cargos públicos. Além disso, os cidadãos lançavam à sorte a dignidade do rei de Saturno, que presidia aquela agitação louca provida de autoridade suprema”.

A Festa Medieval e a Evolução do Carnaval

Posteriormente, já na Idade Média, o Carnaval atua como uma expressão popular extremamente viva. Sendo assim, o evento posiciona-se de forma contrária ao rigor e à seriedade da Igreja, bem como às leis, normas e vida cotidiana típicas daquela dura época. Por isso, no Carnaval Medieval, a paródia torna-se muito comum. Além disso, as pessoas quebram as regras e o princípio da ordem desaparece por completo das ruas. Inegavelmente, afloram a transgressão violenta, o excesso sem arrependimentos e a dispensa total de romper com o sistema estabelecido e com as proibições. Naquela mesma época, o povo celebra ativamente outras festas subversivas, como a Festa dos Loucos (ou os Loucos) e a Festa do Burro.

A esse respeito, Fulcanelli, em sua obra monumental chamada “O Mistério das Catedrais”, refere-se ao Carnaval entre os vários festivais medievais. Assim, ele escreve no parágrafo a seguir:

“Um deles foi a Festa dos Loucos – ou a sábia, hermética procissão kermesse, que deixou a igreja com seu pai, seus signatários, seus devotos e seu povo o povo da Idade Média, barulhento, travesso, brincalhão, transbordando de vitalidade, entusiasmo e ardor – e viajou pela cidade… Sátira hilária d

Os Mistérios do Boi Apis

Agora, nós vamos analisar o que o esoterismo nos ensina em relação ao misterioso Boi Apis. Nesse sentido profundo, o pesquisador e médico francês Henri Durvill, em seu trabalho “Os Mistérios Iniciáticos”, explica que alguns animais mereciam uma veneração muito especial da humanidade. Por exemplo, existia o boi de Mnévis (em egípcio antigo: Merur). Basicamente, ele representava um boi negro que os egípcios adoravam como divindade máxima na cidade de Heliópolis, considerando-o a viva “alma de Rá”. 

Ademais, os sumos sacerdotes embalsamavam os seus restos mortais rigorosamente de acordo com o procedimento que eles usavam para as múmias da mais alta condição real. Supostamente, o boi Apis nasceu de uma vaca pela primeira vez porque um raio de sol a fertilizou magicamente. Consequentemente, quando ele morria, a crença afirmava que “sua alma” passava diretamente para o corpo de outro touro recém-nascido. Dessa maneira mística, o povo reconhecia a sua imortalidade.

De fato, Apis representava a divindade bovina mais importante e respeitada do antigo Egito. Originalmente, seu nome em idioma egípcio era Api, Hapi ou Hep; contudo, Apis atua como o nome grego. No entanto, a mitologia não o associa ao deus Hapi/Hep, que a tradição liga à inundação e que os artistas retratam constantemente como o deus do rio.

Helena Blavatsky

Por outro lado, Helena Blavatsky, no volume I de sua famosa Doutrina Secreta, no final da Estância V, explica detalhadamente o assunto. Segundo a autora, “na interpretação esotérica dos ritos egípcios, a alma do falecido – descendente do Hierofante ao boi Apis sagrado – tornou-se um Osíris, ou passou pelo processo de osirificação”. Além disso, no volume II dessa obra monumental, ela explica que o boi Apis “pronunciava oráculos que se referiam ao nascimento do Salvador.” Por fim, ela conclui magistralmente que o touro possuía “um sentido completamente fálico e fisiológico”.

A partir de uma perspectiva profundamente Gnóstica, o Avatara da Era de Aquário, Venerável Mestre Samael Aun Weor, explica o culto e os mistérios do Boi Apis. Assim, em sua obra “Tratado de Astrologia Hermética”, nós lemos a seguinte passagem:

“O touro sagrado Apis entre os antigos egípcios, deve ser jovem, saudável e forte para simbolizar a Pedra Filosofal (sexo).”

Adicionalmente, os gregos, que os hierofantes egípcios instruíram no passado, também representavam a Pedra Filosofal com um ou com vários touros. Como prova inegável, nós podemos ver isso claramente na fábula do Minotauro de Creta. Do mesmo modo, os touros que Hércules roubou de Gérion possuíam o mesmíssimo significado alquímico. Similarmente, nós encontramos o mesmo simbolismo oculto na lenda dos bois sagrados do Sol. Nessa lenda específica, os bois pareciam calmos na ilha da Sicília, mas Mercúrio os roubou astutamente.

Sendo assim, Apis representa a matéria fundamental do filósofo, o ens seminis (sêmen). Ou seja, ele simboliza aquela substância semissólida, semilíquida, esse poderoso vitríolo dos alquimistas. Inegavelmente, dentro do ens seminis reside todo o ens virtutis do fogo sagrado. Portanto, o iniciado necessita urgentemente transformar a Lua no Sol. Em outras palavras, ele precisa fabricar os corpos solares.

O Carnaval, a Onda Dionisíaca e os Grandes Mistérios

Acima de tudo, o esoterismo gnóstico nos ensina uma grande verdade cósmica. Basicamente, por trás dos saturnais, dos dionisíacos e do culto ao Boi Apis, as antigas culturas ocultavam os verdadeiros mistérios, que a humanidade ainda não havia profanado. A esse respeito, o notável filósofo P.D. Ouspensky, em sua obra “Um Novo Modelo do Universo”, afirma de forma categórica:

“É necessário levar em conta que em muitos países antigos, como Egito e Grécia, por exemplo, havia duas religiões próximas uma da outra: uma dogmática e cerimonial, a outra mística e esotérica. Uma consistia em cultos populares, que representavam as formas parcialmente esquecidas dos antigos mitos místicos e esotéricos, enquanto o outro era a religião dos Mistérios… Essa última religião foi além dos cultos populares, explicando o significado alegórico e simbólico dos mitos e unindo aqueles que estavam conectados ao círculo esotérico ou que lutavam para alcançá-lo.”

Historicamente, na Grécia antiga, os Mistérios representavam um atributo exclusivo de sociedades secretas pertencentes a uma classe especial. Sendo assim, essas sociedades secretas de padres e de iniciados instituíam festas especiais a cada ano ou a cada intervalo de tempo. Durante esses eventos místicos, os membros também encenavam funções teatrais puramente alegóricas. Ademais, essas funções teatrais receberam especificamente o nome de Mistérios. Por isso, os iniciados as realizavam em lugares diferentes. Por exemplo, as encenações mais famosas ocorreram em Delfos e em Elêusis, na Grécia, e na sagrada ilha de Filas, no Egito.

Certamente, o caráter das funções teatrais e os dramas alegóricos que os atores representavam permaneciam mais ou menos constantes na época. Tanto na Grécia como no Egito, a ideia central sempre permaneceu estritamente a mesma: conhecer a fundo a morte de Deus e a sua ressurreição. Consequentemente, o significado profundo dessa ideia imortal marcava presença obrigatória em todos os mistérios de outrora.

O Verdadeiro Significado Oculto do Carnaval

Essencialmente, o Carnaval representa a festa da carne antes de o mundo iniciar a Quaresma Católica. Ou seja, a tradição convida as pessoas a comerem carne antes do jejum e da abstinência compulsória, que sempre começa na quarta-feira de cinzas. Portanto, a data funciona como uma rigorosa preparação para a Páscoa. Contudo, este feriado de origem religiosa perdeu totalmente o vínculo histórico com a Semana Santa. Atualmente, o mundo simboliza a data com água, rainhas, máscaras elaboradas, toalhas de papel, praias cheias de biquíni e devassidão. Desse modo, a festa relaciona-se intrinsecamente com os canais saturados e altamente degenerados da sociedade moderna.

Felizmente, os estudos Gnósticos trazem luz verdadeira à humanidade. Graças a essas explicações essenciais acerca do Carnaval, nós entendemos muitos simbolismos que antes passavam totalmente despercebidos em nossas vidas mecânicas.

O Simbolismo da Água, Máscaras e Brincadeiras

Nessa terrível onda de devassidão coletiva, a sociedade adotou o umedecimento festivo com água. Esotericamente, essa prática relaciona-se diretamente com as águas da vida, as águas do esperma, que encerram a sagrada força vital do homem e da mulher. No passado, as escolas de grandes mistérios tratavam essa força como o próprio fogo sagrado de Pentecostes. Por isso, derramar essas águas significa a perda absoluta dos poderes que divinizam o ser humano. Porém, na época da devassidão do carnaval, o suposto homem procura desesperadamente qualquer mulher, e vice-versa, apenas para esvaziar suas águas preciosas. Em outras palavras, eles jogam fora o ens seminis e pecam gravemente contra o Espírito Santo.

(Por essa razão, a Máscara tornou-se uma indumentária indispensável em muitos bailes de Carnaval atuais).

Ademais, as máscaras ajudam a adormecer a consciência enfraquecida de quem as usa. Logo, elas representam a falsa personalidade humana. Assim, as máscaras, as brigas físicas, os corações apaixonados, os ares de Don Juan ou de rainha formam, em conjunto, as faces da falsa personalidade. Como resultado nefasto, essas atitudes escondem e impedem completamente a manifestação brilhante da Essência interior.

Simbolismo das Roupas

Além disso, a variedade espantosa de roupas corresponde diretamente à multiplicidade do ego, ou do eu psicológico. Igualmente, as cascas de ovos vazias que o povo utiliza também possuem um profundo significado oculto. Afinal, a casca perdeu sua essência vital nutritiva; ela representa o puro ego, que parece muito atraente, bonito e ilusório. Todavia, ela serve apenas para fazer piadas estúpidas, para manchar os outros e para irritar as pessoas. Da mesma forma, a farinha regada simboliza a nossa própria semente criadora. Ou seja, a nossa semente vital transformou-se em pó e nós a desperdiçamos miseravelmente nas ruas.

Ainda assim, em algumas cidades, durante o caótico desfile de carnaval, aparece um boneco gigante recheado de palha ou de feno. No final da festa, o povo queima esse boneco gigantesco no fogo. Sem dúvida, essa ação traz uma clara alusão à necessidade urgente da morte do Ego através da ação do fogo sagrado.

Finalmente, a terça-feira de carnaval marca o último dia em que a tradição eclesiástica permite o consumo de carne. No entanto, a data também convida o povo à fornicação, que representa, simbolicamente, “outro consumo de carne”. Logo em seguida, o calendário aponta a chegada da quarta-feira de cinzas. Nesse momento, surge a hora de reduzir o eu pluralizado a cinzas e de iniciar um processo severo de purificação interna antes de viver os sete dias sagrados da Semana Santa. Devemos lembrar que a igreja coleta essas cinzas exatas um ano antes. Basicamente, elas representam o produto da queima das palmas que os fiéis usaram reverencialmente na comemoração da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, no saudoso Domingo de Ramos.

O Falismo Sagrado e as Forças Sexuais

Inegavelmente, a inspiração sexual do Carnaval permanece inquestionável aos olhos despertos. Infelizmente, a parte infeliz dessa festa massiva reside no culto aberto à fornicação e na justificativa barata para a satisfação de prazeres baixos. Contudo, os estudantes do Gnosticismo Universal não falam negativamente contra o sexo em si. Pelo contrário, eles alertam o mundo contra o uso indevido e o abuso terrível das maravilhosas forças sexuais.

Nesse sentido fundamental, o Mestre Samael Aun Weor, no capítulo intitulado “Falismo Sagrado”, de sua obra magistral “O Matrimônio Perfeito”, explica maravilhosamente essa dinâmica. Ele ensina o seguinte ensinamento:

“Toda religião tem origem sexual. Na África e na Ásia, o culto a Lingam Yoni e Pudenda é comum. (…) Existem muitas divindades fálicas. Shiva, Agni e Sacti, na Índia são divindades fálicas. Legba, na África; Vênus, Baco, Priapo e Dionísio na Grécia e Roma eram divindades fálicas.”

Da mesma forma, a Bíblia sagrada também traz muitas alusões à antiga adoração fálica. Por exemplo, desde o tempo remoto do patriarca Abraão, os judeus faziam juramentos importantes descansando as mãos sob as próprias coxas. Em outras palavras, eles colocavam as mãos respeitosamente sobre o membro sagrado. Igualmente, a Festa dos Tabernáculos representava uma orgia muito semelhante à famosa Saturnália dos Romanos. Além disso, o próprio rito místico da circuncisão possui um caráter totalmente fálico.

Para concluir esta análise, a história de todas as religiões mundiais está cheia de símbolos e amuletos fálicos. Portanto, no próprio cristianismo atual, nós encontramos muito falismo embutido. De fato, a circuncisão do mestre Jesus, a festa dos Reis Magos, a celebração de Corpus Christi, entre outros eventos, representam festas fálicas que a igreja cristã herdou diretamente das antigas religiões pagãs sagradas. Adicionalmente, a pomba, que simboliza o Espírito Santo e a voluptuosa Vênus Afrodite, aparece sempre representada como um instrumento fálico que o Espírito Santo usa esotericamente para fertilizar a Virgem Maria. Por fim, a mesma palavra “sacrossanta” vem diretamente do termo “sacro”. Consequentemente, essa importante palavra também possui origem eminentemente fálica.

Texto original: Gnosis Guatemala

Acesse: Gnosis Brasil

2 comentários em “O significado oculto do Carnaval”

  1. Eliane Aparecida hudziak

    Olá boa noite, estou em dúvidas ,na minha humilde opinião o Gnosticismo que está ensinando está misturado com cristianismo ? Alguém por gentileza pode esclarecer? Obrigada

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