Primeiramente, o Mestre Samaelrelembra encantos inefáveis, poemas de amor e coisas impossíveis de descrever com palavras. Além disso, o mestre afirma que aquilo que ele conheceu, viu e tocou na casa do Pai e em todas as moradas resplandecentes desta grande Cidade Luz, que a humanidade conhece como a Via Láctea, somente o verbo de Ouro expressa no jardim puríssimo da Linguagem dos Deuses.
Nesse sentido, descreve-se uma noite pontilhada de estrelas. Simultaneamente, os raios da lua projetavam-se, penetravam na casa e tingiam o chão de prata. Consequentemente, o azul profundo do céu parecia um oceano infinito, onde os luzeiros cintilavam.
Logo após, o adepto começou a meditar, entrou em êxtase e abandonou a forma densa. De fato, o iniciado afirma que não existe maior prazer do que o indivíduo sentir a alma desprendida. Dessa forma, o passado e o futuro irmanam-se dentro de um eterno agora.
O Templo e a Pedra Sagrada
Posteriormente, o Mestre atingiu as portas do templo, impelido pela misteriosa força do anseio, enquanto sentia uma voluptuosidade espiritual indefinível e inenarrável. Entretanto, uma grande pedra fechava a entrada do santuário e impedia a passagem dos profanos. Por isso, ele exclamou: “Não te detenhas coração diante das coisas do mistério. Abre-te Sésamo”.
Imediatamente, a pedra abriu-se para que o Mestre entrasse. Por outro lado, quando alguns intrusos quiseram fazer o mesmo ele precisou empunhar a espada flamejante. Assim, ele gritou com todas as forças da alma: “Para trás os profanos e os profanadores!”.
Os Bodhisatvas e a Ausência do Eu
Em seguida, o buscador avançou feliz até o local das prostrações e adorações. Especificamente, por aqui, por lá e por todos os benditos lugares do templo, multidões de homens humildes e simples iam e vinham. Curiosamente, essas pessoas mais pareciam camponeses obedientes e submissos. Na verdade, eles representavam os bodhisatvas dos Deuses, ou seja, homens no mais completo sentido da palavra. Além do mais, essas criaturas gozam do conhecimento objetivo e agem cem por cento autoconscientes.
Inegavelmente, evidenciou-se, fora de toda dúvida e até ficar totalmente saciado, que não existia naquelas criaturas humanas nada que as pessoas pudessem chamar de Eu, Mim Mesmo ou Si Mesmo. Realmente, tais homens encontram-se psicologicamente bem mortos. Sendo assim, o mestre não viu neles o desejo de ressaltar a própria imagem, de ocupar os postos mais altos ou de fazer o mundo os notar. Portanto, a esses seres não interessa existir. Pelo contrário, eles querem apenas a morte absoluta e desejam perder-se no SER. Em resumo, isso encerra tudo.
O Encontro com o Camponês e o Arrependimento
Nesse ínterim, o adepto sentia-se muito feliz enquanto avançava pelo centro do templo em direção à Ara Sacra. Adicionalmente, ele caminhava enérgico, altivo e com passadas triunfais. De repente, um desses humildes proletários atravessa no caminho dele. Por um momento, o Mestre quis prosseguir adiante de modo altaneiro, arrogante e desdenhoso. Contudo, um raio de intuição fulminou a mente do esoterista.
Imediatamente, o Mestre recordou vivamente que outrora, em um passado remoto, ele cometeu o mesmo erro na presença daquele pobre camponês. Logo, o erro passado fez-se claro na mente dele. Simultaneamente, ele relembrou o terrível momento em que o expulsaram do templo. Naquela ocasião, vozes aterradoras saíram da Ara Sacra entre raios, trovões e relâmpagos.
Por conseguinte, em milésimos de segundo, o Mestre Samael reviveu na mente todas essas cenas passadas. Arrependido, ele deteve a marcha altaneira e orgulhosa. Logo após, ele prosternou-se diante do aldeão modesto e submisso de forma pesarosa e compungida. Assim, ele beijou os pés daquele homem e exclamou: “Tu és um Grande Mestre e um Grande Sábio”. Todavia, aquela criatura, longe de sentir satisfação com tais palavras, respondeu: “Eu nada sei, eu não sou ninguém”. Em resposta, o mestre replicou: “Sim, tu és o bodhisatva de um dos Grandes Deuses, governador de várias constelações”.
Finalmente, o autêntico homem abençoou o adepto, gerando uma grande felicidade. Dessa maneira, o praticante sentiu o perdão divino e continuou o caminho até a Ara Sacra. Em seguida, ele voltou ao corpo físico. Apesar disso, muitos anos se passaram e o Mestre jamais pôde esquecer aquele templo que a pedra sagrada selava.
A Pedra Filosofal e o Mistério de Pedro (PTR)
Neste contexto, o Mestre cita a escritura sagrada:
“Eis aqui, ponho em Sião a principal pedra de ângulo, escolhida, preciosa. E quem crer nela, não será envergonhado.”
Igualmente, afirma-se que a pedra que os edificadores rejeitaram veio a tornar-se a cabeça de ângulo, a pedra de tropeço e a rocha de escândalo. Historicamente, os velhos alquimistas medievais sempre buscaram a Pedra Filosofal. Consequentemente, alguns realizaram a Grande Obra com pleno êxito. Portanto, falando com toda franqueza, o Mestre cumpre o dever de afirmar que essa pedra representa o sexo.
Por sua vez, Pedro, discípulo de Jesus Cristo, atua como o paladino e o intérprete maravilhoso. Ademais, ele possui a autorização para levantar a pedra que fecha o Santuário dos Grandes Mistérios. Etimologicamente, o nome original de Pedro é PATAR. Sendo assim, as três consoantes dessa palavra, P, T e R, agem como raízes radicais.
Primeiramente, o P lembra claramente os Pais dos Deuses, o Pai Secreto e os Phitaras. Em segundo lugar, o T representa o TAU, a cruz, o hermafrodita divino e o lingam negro embutido no yoni. Por fim, o R atua como base fundamental no fogo, ou seja, simboliza o RA egípcio. Além disso, o R funciona como a raiz radical para o poderoso mantra INRI: (Ignis Natura Renovatur Integram).
O Fogo Latente
Inegavelmente, o fogo encontra-se latente dentro da pedra. No passado, os antigos faziam a chispa saltar de dentro do vivo seio do duro pedernal. Também, o Mestre traz à memória as galactites órficas, as pedras do raio, a ostrita de Esculápio e a pedra que Macáon utiliza para curar Filoctetes. Da mesma forma, ele lembra o bétilo mágico de todos os países, as pedras uivantes, oscilantes, rúnicas e falantes. Em suma, o cálice da mente cristificada tem a pedra viva, a Ara Sacra, como base fundamental.
Prática
O mantra ARIO prepara os gnósticos para o advento do fogo sagrado. Pratiquem-no todas as manhãs e ao cantá-lo, dividam-no em três sílabas: A… RI… O…
Alonguem o som de cada letra. Aconselha-se a empregar dez minutos diários nesta prática.
Este artigo foi redigido com base e adaptações da obra “Magia das Runas” do V. M. Samael Aun Weor

