A Ambição de Midas

A lenda do toque de ouro

Primeiramente, a lenda apresenta Midas, que governou como o antigo rei da Frígia. Naquele tempo, o povo considerava Baco (Dionísio), o deus do vinho e da fertilidade, como a divindade principal do país.

Posteriormente, Midas ofereceu hospitalidade a Sileno, um pobre mestre e pai de criação de Baco. Dessa forma, o rei abrigou o visitante por dez dias. Então, no décimo primeiro dia, o monarca entregou o mestre ao deus. Como agradecimento, Baco ofereceu ao governante o direito de realizar um desejo. Consequentemente, a ambição de Midas falou mais alto. Assim, o rei pediu que tudo o que ele tocasse virasse ouro.

Embora ficasse pesaroso com tal pedido, o deus do vinho concedeu o desejo. Imediatamente, sem querer esperar mais, Midas tocou um ramo de folhas. Surpreendentemente, o objeto virou ouro naquele exato instante.

Claro que a lenda narra o arrependimento rápido do rei da Frígia. Afinal, o governante não conseguia comer nada e nem tomar qualquer bebida. Pois, invariavelmente, a força mágica tornava tudo ouro em suas mãos.

O arrependimento e a purificação no rio Pactolo

Por causa disso, o monarca ficou profundamente arrependido e temeroso de morrer de inanição. Logo, Midas rogou a Baco que retirasse aquele poder maldito. Prontamente, o bondoso deus concedeu este pedido. Para isso, a divindade ordenou que o rei lavasse a própria cabeça e o corpo na fonte do rio Pactolo. Dessa forma, a água retiraria as manchas da culpa e do castigo.

Como ordenou o deus, Midas seguiu o rio até encontrar a fonte. Sem tardar, o governante lavou as próprias mãos. Logo que o monarca tocou as águas, o rio virou um grande depósito de ouro. Inclusive, a tradição diz que esse depósito existe até hoje.

Finalmente, o rei Midas sentiu a alma purificada. Por isso, o monarca decidiu sair dos grandes centros para viver no campo. Adicionalmente, ele passou a atuar como um devoto do bucólico deus Pã.

A humanidade moderna e o “vil ouro”

Nesse sentido, o analista nota perfeitamente a humanidade atual refletida na figura de Midas. Visto que a ambição moderna parece não encontrar limites. Constantemente, a pessoa quer dinheiro apenas por querer. Contudo, o indivíduo esquece que o ouro funciona apenas como um instrumento de subsistência e de troca.

Atualmente, o cidadão atua como uma mera marionete da economia, das finanças e do valor. Enfim, a sociedade obedece unicamente ao “vil ouro”. Da mesma forma, o país moderno não vê mais a real necessidade do seu povo. Porque o governo fantasia que a melhoria global da economia resolverá todos os problemas. Obviamente, por trás de tal ideologia, o estudioso encontra os grandes “tubarões”. Os quais devoram tudo através de cruéis ações de corrupção.

Além disso, a atual cultura transforma cada pessoa num movimentador de valores. Seja através do consumo excessivo, seja através do empreendedorismo desenfreado. Consequentemente, ninguém mais pensa em melhorar como pessoa. Tampouco o indivíduo busca desenvolver todas as possibilidades intrínsecas do Ser, que representa a verdadeira finalidade da vida. Em vez disso, a pessoa desenvolve apenas a própria capacidade de ganhar dinheiro.

Frequentemente, a sociedade considera uma pessoa “autorrealizada” apenas quando ela alcança grandes riquezas. Ou seja, quando o sujeito vira milionário ou bilionário. Como resultado, o povo comum e corrente devota todas as honras às conquistas do rico. Inclusive, a massa deseja imitar fanaticamente a obra do magnata.

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O reflexo da lenda na agricultura moderna

Curiosamente, a lenda mostra como Midas transforma até o próprio alimento em ouro. Desde o século XX, o observador constata como o alimento virou um mero valor de mercado. Infelizmente, a humanidade não vê mais a comida como algo sagrado que a Mãe Natureza entregou para a sobrevivência humana.

Por exemplo, o agricultor produz imensas safras e, intencionalmente, deixa o alimento estragar. Exatamente para que o produto não perca o valor de mercado. Paralelamente, milhares de pessoas morrem de inanição pelo mundo pelo simples fato de não terem dinheiro para adquirir o alimento mais básico. Realmente, esse tipo de produtor agride a Mãe bondosa ao permitir que tal tragédia aconteça.

Ademais, a grande corporação toma a semente do fruto e a transforma em uma aberração da natureza. Consequentemente, o laboratório cria o transgênico, que não possui a energia vital tão necessária ao corpo humano. Como se não bastasse essa violência contra a natureza, a empresa ainda tem a enorme ambição de patentear a semente. Como se a indústria tivesse tido a grande ideia de criar a própria SEMENTE! Sendo que o laboratório realiza somente uma mistura genética de algo que já existia.

Chega-se, portanto, ao absurdo de exigir que o cultivador pague licença de uso de uma semente. Definitivamente, o mercado transforma tudo em valor, em dinheiro e em ouro.

Baco e a essência verdadeira da riqueza

Historicamente, a mitologia apresenta Baco como o deus da fertilidade. O que significa o mesmo que atuar como o deus da riqueza. Mas, de que tipo de riqueza o mito fala? Primeiramente, a divindade dá o que o pedinte solicita. Além disso, o deus confere poder a quem sabe trabalhar com essas forças inerentes a todos os seres.

Todavia, o que a humanidade fez com tal poder? Infelizmente, o ser humano caiu no mais absurdo materialismo. Atualmente, a pessoa adora o “bezerro de ouro” — o célebre símbolo que o leitor encontra no Antigo Testamento (Torah). Da mesma forma, o indivíduo prostra-se ante o crime, a volúpia, a ambição excessiva, o desejo egoísta e a própria destruição. Por outro lado, Baco representa uma poderosa força que existe em todos os níveis vitais. Desde a menor criatura até os imensos corpos celestes.

Nesse contexto, Mohandas “Mahatma” Gandhi, este sábio do século XX, ensinou com precisão:

“Há riqueza bastante no mundo para as necessidades do homem, mas não para a sua ambição.”

Quiçá, todo ser humano compreendesse o profundo significado de tal frase.

O retorno à Natureza e ao meio rural

No fim, após lavar a própria pele nas águas místicas (que contêm um significado oculto muito profundo para este artigo alcançar, assim como o significado do deus do vinho), Midas tomou uma decisão firme. Por causa disso, o monarca decidiu sair do rebuliço do centro urbano. Em vez disso, o rei escolheu viver nos grandes campos abertos e de forma muito humilde.

Aqui, o leitor encontra uma lição muito grande. Visto que o indivíduo deve buscar o retorno ao campo e ao meio rural. Principalmente, o ser humano precisa saber plantar o próprio alimento. Além disso, o cultivador deve entender como as estações do ano agem sobre a terra e sobre cada semente.

Aos poucos, o cidadão reaprende a viver em harmonia com a Natureza, e não contra ela. Afinal, a Mãe Natureza atua como a grande rainha. A quem o homem deve venerar e respeitar profundamente por tudo o que ela oferece. Em suma, o sábio aponta a única solução real para os grandes problemas da humanidade hodierna: o retorno consciente ao campo.

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