Primeiramente, a observação demonstra que o medo impede a livre iniciativa. De fato, a má situação econômica do indivíduo decorre, sem qualquer dúvida, desse sentimento. Por exemplo, a criança amedrontada busca a mãe e apega-se a ela para encontrar segurança. Do mesmo modo, o esposo amedrontado apega-se à esposa e sente um amor maior por ela. Igualmente, a esposa atemorizada procura o marido e o filho, e, assim, sente um amor mais intenso. Portanto, sob o ponto de vista psicológico, a ciência revela que o temor costuma, às vezes, disfarçar-se com a roupagem do amor.
A Pobreza Interior e o Apego
Além disso, o indivíduo que internamente tem pouco valor espiritual, ou seja, a pessoa internamente pobre, busca sempre algo externo para se completar. Constantemente, o ser humano pobre internamente vive intrigando e se envolve com tolices, tais como a intriga e o prazer animal. Por consequência, esse sujeito vive de temor em temor. Como resultado, ele se apega naturalmente ao cônjuge, ao pai, ao filho e à velha tradição caduca e degenerada.
Nesse sentido, o idoso, doente e pobre psicologicamente, enche-se de medo e se aferra com ânsia infinita ao dinheiro, à tradição da família, ao neto e à recordação. Com efeito, ele age assim para buscar segurança. Inegavelmente, o observador evidencia esse fato ao analisar cuidadosamente o ancião. Sempre que o ser humano sente medo, ele se esconde atrás do escudo protetor da respeitabilidade. Dessa forma, o sujeito segue uma tradição, seja ela de raça, de família ou de nação. Contudo, a tradição representa apenas uma mera repetição sem sentido algum, oca e sem valor verdadeiro.
A Imitação Destrói a Criação
Por conseguinte, o ser humano apresenta uma marcada tendência a imitar o alheio. Sem dúvida, a atitude de imitar deriva do medo. Sendo assim, a pessoa com medo imita todo aquele a quem se apega. Por exemplo, ela imita o cônjuge, o filho, o irmão ou o amigo protetor. Em suma, a imitação surge como o resultado direto do medo. Infelizmente, a imitação destrói totalmente a livre iniciativa.
Nesse contexto, na escola, no colégio e na universidade, o professor comete o erro de ensinar a imitação ao estudante. Por exemplo, na aula de pintura e desenho, o educador ensina o aluno a copiar a imagem de uma árvore, de uma montanha, de uma casa ou de um animal. No entanto, essa prática não significa criar, mas sim imitar e fotografar. Ao contrário, criar não envolve imitar ou fotografar. Na verdade, criar significa traduzir e transmitir com o pincel, ao vivo, a árvore encantadora, o belo pôr do sol ou o amanhecer com a sua inefável melodia.
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A Arte Oriental e o Verdadeiro Poder Criador
Ademais, a arte chinesa e japonesa do zen, assim como a arte abstrata e semiabstrata, apresenta uma verdadeira criação. Certamente, o pintor chinês do chan e do zen não se interessa por imitar ou fotografar. Pelo contrário, o artista da China e do Japão goza criando e tornando a criar. Em outras palavras, o pintor oriental não imita, pois ele cria, e esse representa o seu trabalho.
Por exemplo, o artista chinês ou japonês não se interessa em pintar ou fotografar uma bela mulher. Em vez disso, ele goza transmitindo a beleza abstrata dela. Da mesma forma, o pintor oriental jamais imitaria um belo ocaso. Pois, ele prefere transmitir todo o encanto do pôr do sol através da beleza abstrata. Logo, o importante não consiste em imitar ou copiar em branco e preto. Sobretudo, o essencial reside em sentir a profunda significação da beleza e saber transmiti-la. Contudo, para o artista alcançar isso, ele precisa eliminar o medo, o apego à regra, a devoção à tradição e o temor à crítica ou à régua do professor.
O Papel do Professor e a Libertação do Aluno
Portanto, o professor necessita compreender urgentemente a importância de o aluno desenvolver o poder criador. A todas as luzes, a escola age de forma absurda ao ensinar o estudante a imitar. Logo, o educador deve, preferencialmente, ensinar o jovem a criar. Desgraçadamente, o ser humano age como um autômato adormecido e inconsciente que sabe apenas imitar. Por exemplo, o sujeito imita a roupa alheia, e, a partir disso, a moda dita a sua corrente. Igualmente, o indivíduo imita o costume alheio, mesmo quando a prática se mostra equivocada. Além disso, a pessoa imita o vício e repete o comportamento absurdo ao longo do tempo.
Por isso, o professor precisa ensinar o estudante a pensar por si mesmo e de forma independente. Ao mesmo tempo, o mestre deve oferecer ao aluno toda possibilidade para que ele deixe de ser um autômato imitador. Adicionalmente, o docente precisa facilitar a melhor oportunidade para o jovem desenvolver o poder criador. Urgentemente, o estudante precisa conhecer a verdadeira liberdade. Somente assim, sem temor algum, o jovem aprenderá a pensar livremente por si mesmo.
O Medo da Vida e a Mente Escravizada
Infelizmente, a mente que vive escrava do julgamento alheio, ou seja, a mente que imita por temor de violar a tradição, a regra ou o costume, não atua como uma mente criadora ou livre. Metaforicamente, a mente humana funciona como uma casa fechada e selada com sete selos. Isto é, ela representa uma casa onde nada de novo pode ocorrer, onde o sol não entra e onde só reina a morte e a dor. Em contrapartida, o novo só ocorre onde não há medo. De igual modo, a novidade surge onde a imitação desaparece e onde não existe apego ao dinheiro, à tradição ou ao costume.
Atualmente, o indivíduo vive escravo da intriga, da inveja, do costume familiar e do hábito. Além disso, ele sofre com o insaciável desejo de ganhar posição, escalar, subir, chegar ao topo da escada e fazer-se notar. Por conseguinte, o professor deve ensinar urgentemente o estudante a rejeitar a imitação dessa ordem caduca e degenerada. Simultaneamente, o aluno precisa aprender urgentemente na escola a criar, pensar e sentir livremente.
O Fracasso do Sistema Educacional e a Cópia Mecânica
No entanto, o estudante passa a melhor fase da vida no colégio adquirindo informação. Porém, ele não encontra tempo para pensar nessas questões. Após dez ou quinze anos na escola, o aluno leva uma vida de autômato inconsciente e sai da instituição com a consciência adormecida. Apesar disso, ele deixa o colégio julgando-se muito desperto. Invariavelmente, a mente humana vive engarrafada em uma ideia conservadora e reacionária. Consequentemente, o ser humano não consegue pensar com verdadeira liberdade, porque o medo o domina. Por exemplo, o sujeito sente medo da vida, da morte, da fofoca e da intriga. Da mesma forma, ele teme a perda do emprego, a violação do regulamento ou a perda do cônjuge.
Enquanto isso, o sistema ensina o jovem a imitar, e ele sai de lá convertido em um mero imitador. Em resumo, o indivíduo não possui livre iniciativa, porque o banco escolar lhe ensinou apenas a imitar. Como já mencionado, a pessoa imita pelo medo do julgamento alheio. Por sua vez, o aluno imita porque o professor o mantém realmente aterrorizado. Constantemente, o mestre ameaça o jovem com uma nota ruim, com um castigo ou com a expulsão.
Portanto, se o ser humano quiser realmente se tornar um criador completo, ele deve se fazer consciente de toda essa série de imitações. Assim que o indivíduo conhecer cada imitação e analisar detidamente a situação, ele despertará a consciência. Como consequência lógica, o poder de criar nascerá nele de forma espontânea. Para isso, o aluno necessita se libertar de qualquer imitação para se tornar um criador de verdade. Sem dúvida, o professor que julga a imitação como requisito para a aprendizagem comete um equívoco. Afinal, quem imita não aprende. Na realidade, o imitador converte-se em um mero autômato, e isso resume tudo. Dessa forma, o estudo não consiste em imitar o que o autor de geografia, física ou história disse. Certamente, imitar, memorizar e repetir como um papagaio representa uma atitude estúpida. Por outro lado, compreender conscientemente o conteúdo estudado mostra-se como a melhor escolha.
A Educação Fundamental
Neste cenário, a EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL surge como a ciência da consciência. Isto é, ela atua como a ciência que permite ao indivíduo descobrir a sua relação com o semelhante, com a natureza e com o mundo. Como visto, a mente que sabe apenas imitar trabalha de forma mecânica. Ou seja, ela opera como uma máquina que funciona, mas não cria, não pensa realmente e apenas repete. Por este motivo, o professor deve se ocupar com o despertar da consciência de cada estudante.
Hoje em dia, o aluno se preocupa apenas em passar de ano. Depois disso, já na vida prática, ele se converte em um pequeno empregado de escritório ou em uma máquina de fazer filho. Infelizmente, o indivíduo gasta dez ou quinze anos de estudo para sair transformado em um autômato falante. Gradativamente, ele esquece a matéria estudada e, por fim, a memória não guarda absolutamente nada. Contudo, se o estudante tomasse consciência da matéria estudada, e se o seu estudo não dependesse unicamente da informação e da memória, outro galo cantaria. Dessa maneira, o jovem sairia da escola com um conhecimento consciente, inesquecível e completo. Sobretudo, esse saber não estaria submetido à infiel memória.
Portanto, a EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL ajudará o estudante, pois despertará a sua consciência e inteligência. Em suma, a EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL guia o jovem pelo caminho da verdadeira revolução. Por isso, o aluno deve exigir que o professor lhe ensine a verdadeira educação, a EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL. Definitivamente, o fato de o estudante sentar no banco escolar para receber a informação sobre um rei ou uma guerra não basta. Na verdade, o ser humano necessita de algo mais. Principalmente, o indivíduo necessita da EDUCAÇÃO FUNDAMENTAL para despertar a consciência. Finalmente, o aluno precisa sair da escola maduro, verdadeiramente consciente e inteligente. Assim, ele evitará se converter em uma simples peça automática da maquinaria social.
Este artigo foi redigido com base e adaptações da obra “Educação Fundamental” do V. M. Samael Aun Weor

