Gnosis, Alegria de Viver no Eterno Agora

Primeiramente, observemos esta reflexão: “Trabalhemos e descansemos felizes, abandonando-nos ao curso da vida. Esvaziemos a água turva e podre do pensamento habitual e no vazio fluirá a Gnosis e com ela, a alegria de viver no eterno agora!”. (VM Samael Aun Weor – A Revolução da Dialética). De fato, a Gnosis tem como objetivo principal a felicidade de todos os seres humanos. Portanto, por meio de seus ensinamentos, nós podemos chegar ao despertar da Consciência e, além disso, alcançar o desenvolvimento de todas as nossas potencialidades.

Nesse sentido, o mestre afirma: “Nós vivemos a Gnosis nos fatos, no dia a dia, de instante em instante. Ela murcha nas abstrações e, adicionalmente, nós dificilmente a achamos mesmo nos pensamentos mais nobres”. Por causa disso, as chaves gnósticas de nada servem se nós as mantivermos apenas como mais uma informação intelectual. Em outras palavras, nós precisamos usá-las ativamente e, assim, abrir as portas de nosso mundo interior.

A Transcendência da Doutrina e o Dualismo da Mente

Por conseguinte, para percebermos a transcendência dessa Doutrina, nós precisamos abandonar o dualismo da mente e, logo após, ir além. Sobre isso, o VM Samael ensina que a visão relativa obscurece os nossos olhos. Isso acontece porque o Eu Psicológico fundamenta a sua existência exatamente nesse dualismo mental. Em suma, o Ego sustenta a si mesmo através do batalhar dos opostos.

Adicionalmente, ele destaca: “Nós precisamos saber que o eu representa um nó no fluir da existência, ou seja, uma fatal obstrução no fluxo da vida livre em seu movimento” (VM Samael Aun Weor – A Revolução da Dialética). Dessa maneira, os agregados psicológicos representam o pior inimigo da iluminação e, consequentemente, da felicidade do homem. Afinal, eles nos fazem criar todos os problemas da vida.

Por sua vez, nós percebemos que tais problemas não passam de formas mentais com dois polos: um positivo e, em contrapartida, outro negativo. Na verdade, a nossa própria mente cria e sustenta esses problemas. Por isso, se nós queremos solucionar essas dificuldades, nós apenas precisamos parar de pensar excessivamente.

Porque não encontramos a alegria de viver?

Muitas vezes, nós nos perguntamos o motivo de não encontrarmos a alegria de viver. Para ilustrar, o autor questiona: “Vós já observastes como as pedras do caminho ficam pálidas e puras depois de um torrencial aguaceiro? Nós só conseguimos soltar um “oh” de admiração. Portanto, nós precisamos compreender esse “oh” das coisas sem deformar essa divina exclamação com o batalhar dos opostos” (VM Samael Aun Weor – A Revolução da Dialética).

Definitivamente, nós não podemos sentir a alegria enquanto vivermos como uma folha seca ao vento. Nesse estado, os eventos nos levam de um oposto a outro: triunfo e derrota, gosto e desgosto, prazer e dor, fracasso e êxito, isto e aquilo, entre outros. Como resultado, esses estados constituem o batalhar dos opostos que o eu utiliza para fundamentar a sua base.

Por esta razão, nós precisamos nos libertar da tirania dos opostos. Contudo, nós só alcançamos isso quando nós aprendemos a viver de instante em instante, sempre sem abstrações de espécie alguma, sem sonhos e, similarmente, sem fantasias.

Inegavelmente, nós geramos toda dor, todo sofrimento e toda angústia como meras consequências do sono de nossa Consciência. No entanto, quando nós vivemos a vida tal como ela se apresenta, sem criar expectativas de nenhuma espécie, nós podemos experimentar o alívio de nossas tensões e, finalmente, o fim de nossas inquietudes. Isso ocorre porque, na serenidade e na harmonia, o divino marca a sua presença.

O Ensinamento Prático no Conto Zen

Para exemplificar, vejamos esta antiga sabedoria:

Certa vez, Joshu perguntou ao Mestre Nansen:
— O que é o TAO?
— A vida comum — respondeu Nansen.
— Como nós fazemos para viver de acordo com ela?
— Se tu tratares de viver de acordo com ela, ela fugirá de ti. Portanto, não trates de cantar esta canção, mas sim deixa que ela mesma cante a si própria. Afinal, por acaso o humilde soluço não vem por si mesmo?

Em outra ocasião, perguntaram ao Mestre Bokujo:
— Nós teremos de nos vestir e comer todos os dias? Como nós poderíamos escapar de tudo isto?
O Mestre respondeu prontamente:
— Nós comemos, nós nos vestimos…
— Eu não compreendo — comentou o discípulo.
— Então, veste e come — concluiu o Mestre.

A ação livre

Certamente, esta atitude ilustra precisamente a ação livre dos opostos. Nós comemos? Nós nos vestimos? Sendo assim, por que nós transformamos isso em um problema? Além disso, por que nós pensamos em outras coisas enquanto nós comemos ou nós nos vestimos?

Dessa forma, se tu estiveres comendo, apenas come. Da mesma maneira, se tu estiveres te vestindo, apenas veste-te. Ainda assim, se tu estiveres andando pela rua, simplesmente anda, mas não penses em outra coisa. Acima de tudo, faze unicamente o que tu estás fazendo e, sobretudo, não fujas das tuas ações atuais. Igualmente, não fujas dos fatos, nem enchas os eventos com tantos significados, símbolos, sermões ou advertências. Em vez disso, viva esses momentos sem alegorias. Ou seja, viva as situações com a mente receptiva de instante em instante.

Definitivamente, este representa o sendeiro da ação livre do doloroso batalhar dos opostos. Trata-se, portanto, de uma ação sem distrações, sem escapatórias, sem fantasias e, por fim, sem abstrações de espécie alguma.

O coração se abre

Consequentemente, quando nós fechamos as portas para as fantasias, o órgão da intuição logo desperta. Logo, a ação livre do batalhar dos opostos significa uma ação intuitiva e, ao mesmo tempo, uma ação plena. Isso prova que, onde nós encontramos plenitude, nós notamos que o eu se encontra totalmente ausente.

Dessa maneira, a ação intuitiva nos conduz pela mão até o despertar da consciência. Sendo assim, esta ação inteligente, que nós mantemos livre do batalhar dos opostos, nos eleva a um ponto no qual nós devemos romper alguma barreira interna. Por conseguinte, quando tudo caminha bem, nós rompemos o teto rígido do pensar e, imediatamente, a luz e o poder do Íntimo entram em abundância em nosso ser. Tudo isso ocorre porque a mente finalmente parou de sonhar.

A partir de então, tanto no mundo físico quanto fora dele, durante o sono do corpo material, nós passamos a viver totalmente conscientes e iluminados. Nesse estado, nós gozamos da alegria da vida nos mundos superiores. Portanto, esta contínua atenção da mente, aliada a esta disciplina, nos leva diretamente ao despertar da consciência.

Por exemplo, se nós comemos e pensamos em negócios simultaneamente, fica claro que nós apenas sonhamos. De modo semelhante, se nós dirigimos um automóvel e pensamos na noiva, parece lógico que nós não estamos despertos, mas sim sonhando. Igualmente, se nós trabalhamos e nós nos lembramos do compadre, da comadre, do amigo ou do irmão, fica evidente que nós continuamos sonhando.

Em vista disso, nós devemos buscar primeiro a iluminação para que, posteriormente, todo o resto nos venha por acréscimo. Afinal, quem alcança a iluminação consegue ver o caminho. Em contrapartida, quem não possui iluminação não pode ver o caminho e, infelizmente, pode facilmente extraviar-se da senda e cair no abismo.

Para concluir, o mestre resume: “A ação livre do dualismo mental produz o despertar da Consciência” (VM Samael Aun Weor – A Revolução da Dialética).

Acesse: Gnosis Brasil

3 comentários em “Gnosis, Alegria de Viver no Eterno Agora”

  1. Bom dia!
    Um texto bastante reflexivo e instrutivo. Nos ajuda a relembrar de pontos essenciais do ensinamento Gnóstico. Grifo “Buscai primeiro a iluminação e o resto vos será dado por acréscimo. “

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