Primeiramente, o buscador precisa estabelecer a plena diferença entre imaginação e fantasia. Inquestionavelmente, a mente consciente direciona a imaginação voluntária. Para o sábio, portanto, imaginar significa ver. Consequentemente, a imaginação consciente atua como o meio translúcido que reflete o firmamento, os mistérios da vida e da morte, além do próprio Ser.
A Natureza Enganosa da Imaginação Mecânica
Contudo, a imaginação mecânica difere drasticamente desse estado consciente. De fato, os resíduos da memória formam essa ilusão, que o indivíduo chama de fantasia. Por isso, o ser humano precisa investigá-la profundamente. Obviamente, a pessoa, através da sua fantasia e da sua imaginação mecânica, não consegue enxergar a si mesma exatamente como realmente é.
Além disso, a imaginação mecânica faz com que o sujeito confunda gato com lebre. Logo, o indivíduo enxerga formas que não coincidem com a realidade objetiva. Certamente, cada ser humano possui sobre si mesmo um conceito equivocado, visto que a fantasia cega a percepção real.
Exploração Psicológica: Alegorias e Ilusões
Primeiramente, como o mundo avalia Cícero? Sem dúvida, a história o reconhece como um homem grande e eloquente. Todavia, será que apenas a benevolência habita nele? Por conseguinte, se o observador expusesse a gravidade das fantasias de Cícero, este sentiria profunda mágoa. Da mesma forma, se alguém o acusasse, ele protestaria violentamente.
Embora ele nunca tenha assassinado Popéia, visto que Nero executou esse trabalho e fez o coração da jovem sangrar, Cícero jamais aceitaria sua própria ilusão. Diante desse fato, o ser humano sente bondade em si mesmo. Consequentemente, isso prova a característica fantasista do indivíduo: enxergar-se equivocadamente através do prisma de uma benevolência extraordinária.
A Avaliação
Ademais, como avaliar aquele que aspira à luz do Espírito, mas falha em sua base? Semelhantemente, a lenda conta que Ícaro se elevou até os céus com asas de cera. Contudo, como o calor derreteu a cera, o destino o lançou ao abismo. No entanto, o próprio Ícaro não pensa assim de si mesmo. Pelo contrário, ele supõe manter a fidelidade nas fileiras e acredita seguir o caminho certo. Logo, após a queda no Averno, o que resta a ele? Analogamente, o mito relata que Ganímedes subiu até o Olimpo. Porém, o precipício também ameaça a vida de Ganímedes.
Em contrapartida, ao analisar o discípulo de Justiniano de forma simbólica, o indivíduo percebe justificativas constantes. Certamente, o aprendiz acredita andar no caminho correto. Talvez ele apresente melhoras recentes. No entanto, ele indubitavelmente já protestou diante da ara do sacrifício. Apesar disso, ele mantém a certeza inabalável de nunca ter protestado e de sempre favorecer a Grande Causa.
Em nome da verdade, embora pareça difícil de aceitar, o ser humano raramente enxerga sua própria essência. Por exemplo, Aristóteles, em sua filosofia, acredita piamente em sua sapiência formidável. Contudo, ele tornou essa sabedoria inútil e causou muito sofrimento. Mesmo assim, o filósofo vive convencido de sua magnanimidade e doçura. Portanto, todos projetam uma imagem fantástica sobre si mesmos.
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A Memória Mecânica versus a Memória do Trabalho Esotérico
Por conseguinte, o buscador precisa entender a diferença crucial entre a memória mecânica e a memória do trabalho esotérico. Invariavelmente, a memória mecânica leva o indivíduo a conclusões completamente errôneas. Assim, a pessoa dificilmente recorda sua vida atual com exatidão. De fato, a memória mecânica desfigura inúmeras coisas.
Por exemplo, se uma criança nasce na classe média e vive em uma casa asseada com pão e refúgio, ela observa algumas poucas moedas durante a infância. Porém, com o passar dos anos, a mente guarda lembranças totalmente deformadas. Consequentemente, algumas notas de dinheiro parecem milhões, e pequenos pinheiros parecem árvores colossais. Logo, o adulto afirma absurdos sobre a grandeza financeira do seu passado. Dessa forma, a memória mecânica demonstra sua total falsidade.
Memória do Trabalho
Por outro lado, a memória do trabalho esotérico representa a única memória real. Além disso, se o indivíduo aplica o exercício retrospectivo, ele percebe a realidade humilde daquela casa de classe média. Consequentemente, as fabulosas somas de dinheiro revelam-se apenas quantias básicas que o pai sincero usava para o aluguel e para os alimentos.
Ademais, se um grupo realiza uma excursão geológica e observa as mesmas pedras, cada participante fornece uma versão diferente no regresso. Sem dúvida, isso prova a infidelidade da memória mecânica. Igualmente, no clássico jogo do telefone sem fio, um relato perde sua forma original após transitar por várias pessoas. Alguém sempre acrescenta ou retira um detalhe. Portanto, a memória mecânica falha miseravelmente, visto que carrega a fantasia intrinsecamente associada.
Como Controlar e Eliminar a Fantasia
Consequentemente, surge a pergunta essencial: como o ser humano controla a fantasia? Inegavelmente, apenas a memória do trabalho esotérico controla esse defeito. Inicialmente, a memória mecânica distorce a vida do indivíduo. Contudo, através do trabalho psicológico, o sujeito despedaça sua própria vida ilusória e descobre a realidade exata. Com isso, o trabalho realizado permite o controle e a eliminação radical da fantasia.
Por conseguinte, a eliminação dessa imaginação mecânica torna-se indispensável para o progresso esotérico. Para ilustrar, basta observar a mulher que se enfeita diante do espelho. Primeiramente, ela pinta os grandes olhos, afina as sobrancelhas e coloca enormes pestanas postiças. Em seguida, ela aplica batom da última moda e apaixona-se pela própria imagem. Logicamente, ela acredita possuir uma beleza inigualável. Todavia, se alguém apontar sua verdadeira feiura, a vaidade ferida gera um ressentimento mortal. Dessa maneira, a fantasia terrível impede a percepção visual correta.
Por isso, cada indivíduo sustenta um conceito totalmente equivocado sobre si mesmo. Eventualmente, o sujeito considera-se genial e dono de uma brilhante intelectualidade. Entretanto, se ele compreendesse que sua personalidade abriga apenas elementos alheios e ideias emprestadas de livros, ele notaria suas terríveis chagas morais.
Infelizmente, poucos indivíduos possuem a coragem de despir a própria psique. Consequentemente, enquanto o sujeito não dissolve essas formas de fantasia, ele permanece muito distante do Ser. À medida que o buscador desintegra as ilusões, o Ser manifesta-se progressivamente.
Os Perigos da Imaginação Mecânica na Vida Prática
Além disso, ao aprofundar a visão sobre a vida, a pessoa descobre que enxerga o mundo exclusivamente através das lentes da fantasia. Certamente, a imaginação mecânica carrega uma gravidade imensa. Consequentemente, os sonhos de fantasia afetam drasticamente as atitudes do indivíduo.
Por vezes, a pessoa permanece calada nos sonhos; em outras, ela conversa; e, finalmente, ela tenta aplicar o sonho na prática. Obviamente, o terceiro caso apresenta um perigo imenso. Quando o sonhador converte seus sonhos na vida prática, ele comete loucuras espantosas, porque a fantasia não coincide com a mecânica da vida real.
Por outro lado, o sonhador silencioso apenas gasta energia vital sem gerar grande perigo. Todavia, aquele que espalha sonhos fantásticos contagia outras psiques. Pior ainda, se ele tenta transformar a ilusão em fatos reais, a loucura o domina completamente.
Por isso, a imaginação mecânica afasta o ser humano da realidade do Ser. Consequentemente, as pessoas caminham pelas ruas em estado de sono profundo. Assim, elas trabalham, casam-se, vivem e morrem sonhando. Visto que habitam um mundo irreal, elas enxergam apenas a forma criada pela fantasia. Portanto, a supressão dessa ilusão exige um esforço espantosamente forte.
O Desdobramento Psicológico e o Reino dos Céus
Naturalmente, o controle da fantasia exige a aplicação contínua da memória do trabalho. Primeiramente, o indivíduo precisa agir com sinceridade e trabalhar arduamente para eliminar os elementos indesejáveis. À medida que o sujeito avança nessa eliminação, ele descobre uma ordem de trabalho impecável. Quem estabelece essa ordem? O próprio Ser estabelece essa dinâmica.
Contudo, quebrar o eu-fantasia exige extrema disciplina. De fato, o ser humano vive momentos muito raros nos quais percebe o próprio ridículo. Nesses instantes, o indivíduo sente uma dor moral muito profunda. No entanto, o sono psicológico retorna rapidamente, consola o sujeito de cinquenta mil maneiras e o mundo segue seu curso habitual em completa paz.
Autocrítica.
Por isso, o autoconhecimento verdadeiro exige o uso do bisturi da autocrítica. Do contrário, o buscador não consegue romper com a pessoa-fantasia. Assim, aplicando a autocrítica, o sujeito quebra, destroça e reduz o eu-fantasia a poeira cósmica. Dessa forma, o objetivo final consiste em descobrir o Ser profundo. Infelizmente, o eu-fantasia eclipsa a realidade e esconde o Ser.
Ademais, o Reino dos Céus habita o interior humano e possui vários níveis distintos. De modo semelhante, o Reino da Terra também reside internamente. Contudo, o nível mais alto do Reino da Terra não alcança sequer o nível mais baixo do Reino dos Céus. Portanto, para realizar a passagem de um reino ao outro, o indivíduo precisa efetuar uma transformação radical. Especificamente, o sujeito necessita desdobrar-se em dois: a personalidade terrena normal e o homem psicológico interior superior.
Por conseguinte, esse desdobramento nunca ocorre se a pessoa continua convencida de que sua personalidade fantástica representa a verdade. Logo, a fantasia mantém a humanidade absorta na inconsciência profunda. Enquanto a fantasia prevalece, a consciência continua totalmente adormecida.
Finalmente, o ser humano tem o dever de destruir a fantasia e cultivar a imaginação dirigida. Em suma, o praticante do exercício retrospectivo revisa sua vida inteira, destrói a memória mecânica e estabelece a memória do trabalho consciente. Dessa maneira, a imaginação consciente e a memória do trabalho permitem que o indivíduo siga com sucesso absoluto o caminho do autodescobrimento.
Extraído dos ensinamentos do V. M. Samael Aun Weor

