O Amor Consciente

Destaca-se que, ao analisar o tema do afeto, o indivíduo precisa realizar uma avaliação judiciosa. Além disso, a investigação exige matemática e precisão na expressão. De fato, a palavra “Amor” torna-se bastante abstrata em si mesma. Por isso, o buscador necessita especificá-la para saber exatamente o que representa esse sentimento.

Normalmente, ao escutar a palavra, a pessoa sente algo chegar ao coração. Contudo, como o ser humano possui uma mentalidade subjetivista e não confere objetividade ao próprio pensamento, ele não capta a profunda significação de tal vocábulo. Consequentemente, o estudante acha impostergável entender o real significado da virtude.

A Interpretação das Leis Universais

A clássica citação “não faças ao outro o que não quer que façam a ti” traduz-se na ação prática: faça-se consciente dos outros, ou seja, do próximo e de si mesmo. Igualmente, a frase “amem uns aos outros assim como eu os amei” ganha o mesmo significado profundo de consciência mútua.

Ademais, a instrução sagrada de “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo” representa a necessidade de o indivíduo tornar-se consciente da Divindade interior, do próximo e da própria essência. Sendo assim, o ser humano necessita fazer-se consciente daquilo que se chama “Amor”, que traduz-se diretamente como “Consciência”.

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A Compreensão e o Ponto de Vista do Próximo

Logo, um questionamento surge: como alguém amaria seus semelhantes sem possuir consciência sobre eles? Portanto, o indivíduo deve criar essa consciência coletiva caso queira verdadeiramente compreender o outro. Afinal, o praticante só sente amor ao alcançar essa compreensão genuína.

No entanto, para adquirir consciência do próximo, a pessoa precisa, antes de tudo, desenvolver a consciência de si mesma. Por conseguinte, se o homem ignora sua própria essência, ele jamais alcançará a consciência alheia. Nesse sentido, a falta de empatia impede a compreensão, o que dita de forma negativa a conduta humana.

De maneira idêntica, o trabalho esotérico gnóstico exige afeto pela prática. Porém, o buscador só expressa esse afeto quando compreende o processo, visto que a compreensão exerce um papel fundamental.

As Três Classes de Amor Existentes

Posteriormente, a investigação avança e categoriza as relações humanas. O mestre aponta que existem três classes de amor. Por exemplo, quando um discípulo diz a Jesus, o Cristo, que o ama, Jesus sabe interrogá-lo para descobrir qual classe de sentimento o seguidor manifesta. Dessa forma, o estudante precisa entender a fundo essa divisão. Especificamente, a natureza apresenta o amor puramente sexual, o amor puramente emocional e, finalmente, o Amor Consciente. Neste contexto, a sabedoria gnóstica afirma: “Amor é Lei, porém Amor Consciente!”.

Frequentemente, muitas pessoas se entendem apenas pelo sexo, o que caracteriza a atração física. Por outro lado, outras pessoas centram sua gravidade na emoção, ou seja, cultivam a paixão meramente emocional. Inegavelmente, esse tipo de relação gira em torno do ódio ou vice-versa. Como resultado, essa emoção instável gera amarguras, ciúmes e desequilíbrios. Por essa razão, o analista não qualifica esse estado como um sentimento judicioso no sentido completo da palavra.

O Caminho Para o Despertar

Sem dúvida, apenas o Amor Consciente merece veneração. Todavia, para que esse sentimento superior exista, o praticante precisa trabalhar sobre si mesmo. Nesse processo, ele deve eliminar os elementos psíquicos indesejáveis que carrega no interior. Caso contrário, a virtude não florescerá.

Afinal, uma pessoa puramente emotiva, cheia de ciúmes e receios, não possui a capacidade de vivenciar essa realidade. Logo, o indivíduo precisa eliminar os elementos da paixão e os traços sensuais. Acima de tudo, o aprendiz necessita aprender a colocar-se sempre no ponto de vista alheio. Embora essa prática se mostre extremamente difícil, a pessoa que se eleva sabe executar essa ação perfeitamente.

A Eliminação do Ego e do Amor Próprio

Novamente, a regra de “não faças aos outros o que não queres que façam a ti” exige que a pessoa adote a perspectiva do coletivo. Por isso, se o sujeito não adota a visão do outro, ele fracassa totalmente. Contudo, para alcançar essa empatia, o buscador tem que deixar de lado o egoísmo.

Infelizmente, a sociedade estruturou o ser humano sob o modelo do amor próprio. Diante disso, o estudante deve eliminar, camada por camada, os distintos aspectos desse defeito. Surpreendentemente, grande parte da paixão entre os casais atua apenas como uma extensão da própria vaidade. Portanto, o praticante precisa desintegrar, anular e reduzir o “Eu” do amor próprio a cinzas.

Normalmente, ninguém sabe se situar na posição dos demais. Isso ocorre porque o ego domina cada indivíduo de tal forma que impede qualquer pensamento empático. Porém, se a pessoa elimina esse obstáculo interno, ela dá um grande passo. Simultaneamente, o adepto consegue eliminar os agregados psíquicos que personificam a arrogância, a superioridade e a intolerância. Com isso, ele realiza avanços extraordinários. Obviamente, a arrogância faz o sujeito sentir-se grandioso e agir de forma déspota, bloqueando o despertar.

O Combate à Superioridade e à Intolerância

Em relação à superioridade, questiona-se o motivo de o ser humano sentir-se tão importante ante o próximo. Na verdade, o homem atua apenas como um mísero verme no lodo da terra. Assim, o ato de crer-se superior cria um obstáculo intransponível.

Paralelamente, a intolerância conduz o sujeito à crítica destrutiva. Desse modo, a pessoa vê os defeitos do próximo, mas ignora os próprios. A sabedoria ensina: “vemos a palha no olho alheio, mas não vemos a viga no nosso”. Somente ao colocar-se no lugar do outro, o indivíduo aprende a ser tolerante. Como consequência, a crítica prejudicial desaparece.

Em conclusão, a consciência representa o elemento principal da jornada. Em suma, a consciência é o próprio amor, pois ambos formam partes da mesma essência. Por fim, se a pessoa propõe-se a tornar-se consciente de si mesma, ela fatalmente alcançará o próximo. Enquanto o indivíduo mantiver o sentido da autoimportância, ele marchará pelo caminho do erro.

O Artigo baseia-se em um excerto de conferência gravada e transcrita de Samael Aun Weor, intitulada “A Transvalorização do Trabalho Esotérico”).

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