A Origem do Ser Humano e a Mente Sensorial
Antes de mais nada, o indivíduo precisa começar pela base, ou seja, o próprio ser humano. De onde o homem vem? Para onde o sujeito vai? Qual é o objetivo da existência humana? Para que e por que o ser humano existe?
Inegavelmente, o estudante encontra aqui uma série de interrogações que ele deve adotar e resolver. De fato, a criança nasce e recebe um corpo físico de forma totalmente gratuita, visto que isso é óbvio. Além disso, a natureza entrega um corpo maravilhoso com aproximadamente 15.000.000 de neurônios ao serviço dessa criança. Consequentemente, isso não custou absolutamente nada.
Conforme o tempo passa e a criança cresce, a mente sensorial (sensual) abre-se pouco a pouco. Por conseguinte, esta mente informa o indivíduo mediante as percepções sensoriais externas, agindo estritamente por si mesma. Precisamente com os dados que as percepções captam, a Mente Sensual elabora sempre os seus conceitos de conteúdo. Por esse motivo, ela jamais poderá saber algo sobre o real. Afinal, os processos racionais dessa mente operam de maneira subjetiva e movem-se dentro de um círculo vicioso, o qual compreende apenas as percepções sensoriais externas, pois isso é óbvio.
A Diferença Entre a Razão Subjetiva e a Razão Objetiva
Agora, o buscador compreenderá um pouco melhor o que a Razão Subjetiva representa em si mesma. Contudo, o estudante tem o dever de fazer uma plena diferenciação entre a Razão Subjetiva e a Razão Objetiva. É óbvio que o sistema obriga a criança a passar por todos os processos educacionais, como o Jardim de Infância, o Ensino Primário, o Secundário e a Universidade. Desse modo, a Razão Subjetiva nutre-se com os dados que as distintas instituições escolásticas fornecem. Em verdade, entretanto, nenhum instituto decente consegue dar à criança, ao jovem ou ao adolescente dados exatos sobre aquilo que não pertence ao tempo, isto é, sobre o real.
Certamente, as especulações da Razão Subjetiva conduzem o sujeito ao nível intelectual e ao terreno absurdo do utopismo. No melhor dos casos, essas especulações levam a pessoa a simples opiniões subjetivas, mas nunca à experiência da verdade e daquilo que foge do tempo. Por outro lado, a Razão Objetiva permanece sempre abandonada, uma vez que, desgraçadamente, ela não recebe nenhuma instrução e a sociedade não oferece escolas para ela.
Indubitavelmente, os processos racionais da Razão Objetiva conduzem o ser humano a postulados exatos e perfeitos. Porém, o ambiente educa a criança de forma estritamente subjetiva em todos os lugares. Logo, não existe nenhuma forma de instrução superior para ela.
Entre em contato via WhatsApp
Esclareça todas as suas dúvidas, encontre a sede mais próxima e muito mais em um só lugar. Envie uma mensagem e receba diretamente no seu WhatsApp.
O Sistema Educacional e a Falsa Personalidade
Infelizmente, os dados que os sentidos fornecem à mente subjetiva do adolescente, incluindo as questões escolásticas e familiares, mostram-se meramente empíricos. No princípio, a criança ainda mantém a capacidade de surpreender-se, portanto, ela espanta-se diante de qualquer fenômeno. Por exemplo, um formoso brinquedo desperta nela essa surpresa. Todavia, conforme o jovem recebe dados da escola, a capacidade de assombro desaparece completamente.
Desse modo, com esses sistemas atuais de educação, as escolas conseguem apenas forjar uma personalidade artificial no aluno. Tendo em vista que os conhecimentos das Humanidades jamais servirão para formar o Homem Psicológico, o buscador precisa encarar a verdade. Claramente, as matérias que os alunos estudam atualmente não possuem relação alguma com as distintas partes do Ser. Por isso, elas servem exclusivamente para:
- 1º) Falsear os cinco centros da máquina orgânica;
- 2º) Tirar do indivíduo a capacidade de assombro;
- 3º) Desenvolver a mente sensorial;
- 4º) Forjar no sujeito uma personalidade falsa.
Assim sendo, o leitor deve entender claramente que a mente sensorial, de forma alguma, conseguiria produzir uma transformação radical no ser humano. Adicionalmente, convém compreender que a mente sensorial, por mais culta que pareça, nunca conseguiria tirar o indivíduo da automatização e da mecanicidade. Portanto, o homem meramente animal, também chamado de “Animal Intelectual”, difere imensamente do autêntico Homem Psicológico. Ressalta-se que a palavra homem inclui a mulher naturalmente.
A Criação do Homem Psicológico
Primordialmente, a natureza entrega o corpo físico maravilhoso, mas o indivíduo necessita fazer algo mais. Formar o corpo físico não exige esforço, pois a hereditariedade cuida disso. Em contrapartida, formar o Homem Psicológico exige um trabalho árduo sobre si mesmo. Trata-se, pois, de organizar a psique desordenada para criar o verdadeiro Homem no mais completo sentido da palavra.
O Mestre Gurdjieff dizia que a máquina orgânica não possui nenhuma psicologia. No entanto, o Mestre Samael discorda do mestre nessa questão. Afinal, existe sim uma psicologia em qualquer máquina orgânica que a sociedade chama equivocadamente de homem. O que acontece, na verdade, é que essa psicologia encontra-se desorganizada. Por isso, o sujeito precisa urgentemente organizar essa Psicologia dentro do “Animal Intelectual”, caso o indivíduo queira criar o Homem Psicológico autêntico.
A Luta Entre a Mente Sensorial e a Mente Superior
Por outro lado, existe uma grande luta dentro do ser humano. A mente sensorial atua como inimiga declarada da mente superior. Por exemplo, a mente sensorial identifica-se com qualquer circunstância. Se o indivíduo participa de um banquete, ele pode identificar-se tanto com a comida a ponto de converter-se em um glutão. Da mesma forma, se o sujeito encontra uma pessoa interessante do sexo oposto, ele identifica-se profundamente, logo, fornica ou adultera. Sob essas circunstâncias, o buscador não consegue criar o Homem Psicológico.
Se o estudante deseja iniciar o trabalho, ele deve fazê-lo não se identificando jamais com circunstância nenhuma. Além disso, o indivíduo precisa observar a si mesmo de instante em instante. Algumas religiões e seitas tentam organizar a psique através de “máximas de ouro”. Contudo, submeter o indivíduo estritamente a uma máxima apenas o converte em um escravo. Dessa maneira, a lógica de Ouspenski, por exemplo, nunca conseguiria criar uma nova natureza interna por si só. Consequentemente, o praticante necessita tornar-se mais individual, o que significa pensar de forma independente e não fugir dos próprios erros.
A Auto-observação e a Eliminação dos Defeitos Psicológicos
Dessa forma, a auto-observação psicológica torna-se básica. O indivíduo necessita auto-observar-se de instante em instante com o único objetivo de descobrir os defeitos psicológicos no terreno dos fatos, sem desculpas ou evasivas. Uma vez que o sujeito descobre o defeito, ele deve compreendê-lo com extrema severidade. Muitos justificam o erro, mas o praticante sério abandona as especulações da mente, pois estas conduzem forçosamente à utopia.
Posteriormente à compreensão do defeito, o praticante pode desintegrá-lo e reduzi-lo a pó cósmico. Contudo, a mente por si mesma não consegue alterar radicalmente nenhum defeito. Por isso, o estudante precisa de um poder superior à mente, o qual reside no fundo da psique. O Mestre nos ensina que devemos invocar a Stella Maris, a Virgem do Mar, também conhecida como Ísis, Tonantsin ou Diana. Conforme o praticante invoca essa força e elimina o agregado psíquico indesejável, a Essência ou Consciência anímica engarrafada libera-se completamente.
Cada vez que o praticante libera a Essência Búdhica, a porcentagem de Consciência desperta aumenta. Assim, ao eliminar cem por cento dos elementos inumanos, o indivíduo obtém cem por cento de Consciência Objetiva. Consequentemente, as faculdades luminosas ou Siddhis afloram, e o buscador alcança a verdadeira iluminação.
Entre em contato via WhatsApp
Esclareça todas as suas dúvidas, encontre a sede mais próxima e muito mais em um só lugar. Envie uma mensagem e receba diretamente no seu WhatsApp.
A Aniquilação Budista e os Três Fatores da Revolução da Consciência
Nesse ínterim, quando o indivíduo atinge a Aniquilação Budista, ele consegue a mais absoluta iluminação. Embora a expressão “Aniquilação Budista” incomode organizações pseudo-esoteristas, a iluminação possui uma razão de ser: o Dharmadhatu. Adicionalmente, o buscador precisa aplicar o terceiro fator da Revolução da Consciência, que consiste no sacrifício pela humanidade. Sem o sacrifício pelos semelhantes, o sujeito não atinge a Iluminação Absoluta.
Portanto, o praticante deve trabalhar com os três fatores: Morrer (desintegrar o Ego totalmente), Nascer (criar os Corpos Existenciais Superiores do Ser) e Sacrificar-se pela Humanidade. Antes de obter a iluminação, o Homem Psicológico deve nascer no interior do sujeito mediante a organização da psique. Por exemplo, se o estudante não malgasta as energias do Centro Emocional, ele cria o segundo corpo psicológico, denominado Eidolon. Igualmente, se o indivíduo economiza energias intelectuais, ele nutre o Mente Individual.
Ademais, o praticante deve equilibrar a Mente Sensorial e a Mente Superior. A Bíblia exemplifica isso através de Jesus. Durante o jejum no deserto, um demônio apresentou-se e tentou Jesus com a Mente Sensorial, dizendo: “Todos estes reinos do Mundo entregar-los-ei para ti, se tu te ajoelhas e me adoras”. Imediatamente, a Mente Superior respondeu: “Satan, Satan escrito está, ao Senhor teu Deus adorarás, e somente a Ele obedecerás”. Desse modo, o Mestre controlou a Mente Sensorial, provando que o sujeito precisa mantê-la sob rígido controle.
O Custo da Identificação com as Circunstâncias
O Mestre ilustra a identificação psicológica com um exemplo real. Ele viajava em um carro pelo lado esquerdo da rua, enquanto uma dama conduzia outro veículo pelo lado direito. De repente, a dama mudou de direção e tentou entrar em um supermercado localizado à esquerda, cruzando o caminho e chocando-se contra o carro do autor. Os danos mostraram-se mínimos, contudo, a dama insistia que possuía razão. Além disso, ela exigiu 300 pesos pelos reparos. Consequentemente, o motorista e os ocupantes do carro do mestre iraram-se profundamente e recusaram-se a pagar.
Por sua vez, o autor resolveu não se identificar com a circunstância e permaneceu sereno. Mais tarde, a dama pediu o dinheiro diretamente a ele, dizendo: “Senhor, se me deres os 300 pesos, deixo esta questão de lado”. Imediatamente, o autor entregou os 300 pesos e disse: “Vá em santa paz, e não faça caso dos insultadores”. Logo após, os ocupantes protestaram e o qualificaram de tolo, demonstrando total identificação com a cena. Enfim, o autor evitou horas de discussões e amarguras porque não se identificou com o evento. Inegavelmente, malgastar as energias com explosões de ira impede o indivíduo de organizar o corpo astral ou a mente individual.
O Desenvolvimento da Intuição e a Interpenetração Cósmica
Finalmente, muitos buscam desenvolver poderes inferiores ao invés de organizar a própria psique. O ensinamento alerta que o fundamental consiste na criação da Psique interior. O indivíduo que organiza a psique desenvolve um poder transcendental autêntico chamado Intuição. A definição correta da intuição aponta para a percepção direta da verdade, a qual atua como a faculdade de interpenetração legal em sua Dialética.
O Mestre ilustra a intuição com uma lenda da Filosofia Chinesa. Um sábio explicou a intuição a uma imperatriz colocando uma vela acesa no centro de um recinto rodeado por dez espelhos. Imediatamente, os espelhos refletiram a luz mutuamente, criando um jogo maravilhoso de interpenetração. Desse modo, a imperatriz compreendeu o conceito. De maneira idêntica, o ser humano existe como um microcosmos que interpenetra outros níveis cósmicos. O universo possui o Ayocosmos (infinito), o Macrocosmos (Via Láctea), o Deuterocosmos (Sistema Solar), o Mesocosmos (Terra), o Microcosmos (Homem) e o Tritocosmos (vida microscópica).
Quando o Homem Verdadeiro alcança a Aniquilação Budista, a história do planeta e da galáxia reflete-se na psique dele com absoluta exatidão. Por consequência, a Galáxia reflete-se na mente do praticante com a mesma naturalidade da vela refletida nos espelhos da Imperatriz. Se todas as coisas refletem-se na Psique de um Budha de Contemplação, o sujeito adquire a Iluminação Total. Contudo, o estudante nunca deve esquecer que a razão de ser da Iluminação sempre encontra as suas bases profundas no Dharmadhatu.
Extraído dos ensinamentos do V. M. Samael Aun Weor


Excelente artigo do V. M. Samael Aun Weor. Texto muito bem elaborado da complexa teoria da ” Organização da Psique”
Excelente artigo do V. M. Samael Aun Weor. Teoria muito bem elaborada sobre a “Organização da Psique”