Desde o nascimento, o ser humano participa de uma peça teatral sem limites. Ao mesmo tempo, o indivíduo atua como espectador e como ator daquilo que a sociedade chama de realidade e de fantasia. Por um lado, a realidade representa aquilo que a pessoa vê e experimenta no chamado mundo exterior. Por outro lado, a fantasia engloba tudo aquilo que o sujeito associa frequentemente ao seu mundo interior. Mas, afinal, o que de fato representam esses cenários e qual deles possui verdadeira realidade? Além disso, existe algum ambiente que represente apenas um mero “faz-de-conta”?
O Mito da Caverna e a Busca pela Verdade

Para responder a essas questões iniciais, a filosofia frequentemente cita o famoso Mito da Caverna. Nessa alegoria clássica, Platão demonstra, de maneira bastante racional, lógica e sistemática, que a realidade não corresponde àquilo que o indivíduo percebe através dos cinco sentidos ordinários. Inegavelmente, esses sentidos mostram-se muito limitados para a obtenção da verdadeira sabedoria. Em contrapartida, através de percepções mais sensíveis, a Verdade desvenda a si mesma perante a realidade humana e, consequentemente, torna-se palpável e real para o buscador.
A Importância do Equilíbrio entre os Dois Mundos
Diante dessa explicação, o buscador talvez pense que apenas o aspecto interno interessa. Contudo, esse pensamento está absolutamente errado! Obviamente, cada cenário possui as suas próprias características e os seus respectivos objetivos. Exatamente por essa razão, a natureza criou os dois mundos, e não apenas um. Portanto, caminhar de maneira equilibrada nesses dois planos apresenta-se como algo fundamental.
Principalmente, o mundo exterior confere ao sujeito o conhecimento das coisas da matéria, sempre por meio dos cinco sentidos físicos. Dessa forma, esse ambiente externo ajuda o ser humano a saber e a compreender tudo aquilo que o rodeia, bem como o seu devido objetivo dentro de toda a criação.
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A Dinâmica do País Psicológico
Em contrapartida, o mundo interior representa o país psicológico de cada indivíduo. Nesse local íntimo, a pessoa vivencia as suas experiências com a dor, com a alegria, com a tristeza, e, de igual maneira, com as emoções e os pensamentos. Consequentemente, tudo aquilo que acontece no ambiente físico — ou seja, uma ação — funciona apenas como um reflexo direto do ambiente interno. Em outras palavras, antes de se tornar uma atitude concreta no mundo das formas, aquele evento existiu primeiro como um pensamento e uma emoção. Somente depois desse processo mental, o impulso criou o ato de fato.
Conforme dita a máxima da psicologia moderna:
“Somos o que pensamos, sentimos e fazemos”.
Logo, o mundo exterior e o mundo interior permanecem sempre e intimamente interligados.
A Auto-observação como Caminho para a Sabedoria
Portanto, ao observar as próprias ações físicas, o indivíduo consegue evocar exatamente aquilo que provocou tais atitudes dentro do seu íntimo. Ademais, quando o sujeito aprende a observar o ambiente externo e o espaço interno de maneira simultânea, ele vive plenamente nos dois mundos. Como resultado, ao encontrar as devidas relações entre ambos, a pessoa obtém uma matéria de estudo bastante ampla a respeito de si mesma.
Sem dúvida, esse autoconhecimento revela-se suficiente para que o buscador consiga desvendar quem ele realmente é e para que ele vive. Desse modo, o ser humano descobre o seu verdadeiro objetivo nesta vida. Por fim, através dessa prática constante, o indivíduo ganha acesso irrestrito à sabedoria, exatamente como fizeram os grandes iluminados da humanidade que, por esforço próprio, desvendaram os maiores mistérios da existência.

