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o Eu e o Ser

terceiro-olho

Em matéria de psicologia devemos fazer uma diferenciação exata entre o Eu e o Ser.

O Eu não é o Ser nem o Ser é o Eu. Todo mundo diz: meu ser, pensa em seu ser, porém não sabe que coisa é o Ser e o confunde com o Eu.

Quando batemos em uma porta, alguém pergunta: “quem bate?” Nós respondemos sempre dizendo: “sou eu!” Nisto não cometemos erro e a resposta é exata. Porém, quando dizemos: “todo o meu ser está triste, enfermo, abatido, etc.”, então sim, erramos torpemente porque o pobre animal intelectual, falsamente chamado homem, ainda não possui o Ser.

Só o Ser pode fazer e o homem máquina, o pobre animal intelectual, não é capaz de fazer nada. Tudo lhe sucede, é um simples joguete mecânico movido por forças que desconhece.

O animal intelectual tem a ilusão de que faz; porém , em verdade, nada faz. Tudo sucede através dele.

Se nos agridem, reagimos agredindo. Apressam-nos pelo pagamento do aluguel da casa e reagimos buscando dinheiro com ansiedade. Alguém nos fere o amor próprio e reagimos cometendo loucuras, etc.

O pobre animal intelectual é sempre vítima das circunstâncias. Não é capaz de originar conscientemente as circunstâncias, porém crê equivocadamente que as origina.

Realmente só o Ser (o Íntimo), pode determinar conscientemente as circunstâncias; porém por desgraça, o animal intelectual falsamente chamado homem ainda não possui o Ser (o Íntimo).

Muitos estudantes de escolas pseudo esotéricas e pseudo ocultistas, cheios de refinadas ambições metafísicas, cometem o erro de dividir seu querido Eu em duas metades arbitrárias e absurdas.

Qualificam a primeira metade de Eu superior e olham depreciativamente à segunda metade, dizendo: “esse é o Eu inferior”.

O mais curioso de tudo isto, o mais cômico e trágico ao mesmo tempo, é ver esse desgraçado Eu inferior lutando desesperadamente para evoluir e aperfeiçoar-se para conseguir algum dia a ansiada união com o Eu superior.

É ridícula a pobre mente do animal intelectual fabricando o Eu superior, conferindo-lhe atributos divinos dando-lhe poderes extraordinários para controlar a mente e o coração.

O próprio Eu dividindo-se em dois, o próprio Eu querendo mesclar-se depois de haver se dividido em dois, o próprio Eu separando-se e querendo juntar-se novamente.

As ambições do Eu não têm limites. O Eu quer e deseja fazer-se mestre, deva, Deus, etc.

O Eu divide-se em dois para tornar a juntar-se e ser Um. Assim crê equivocadamente o Eu que pode ver coroadas de êxito suas ambições super divinas.
Todas estas tretas do Eu são finos enganos da mente, tontices sem valor algum.

A mente fabrica o cômico Eu superior a seu gosto, veste-o de Mahatma, lhe põe sonoro nome e logo se auto engrandece caindo na mitomania.

Conhecemos o caso de um mitômano que deixou crescer a barba e o cabelo, vestiu-se com uma túnica jesuscristiana e disse a todo mundo que ele era nada menos que a própria reencarnação de Jesus Cristo.

Naturalmente, foram muitos os imbecis que não somente o adoraram, como continuam o adorando.

A mente, ao ter o mau gosto de criar o Eu superior como um ente separado e super divino, costuma falsear a realidade supondo equivocadamente que dito ente é o Ser, o Íntimo, o Real.

A mente quer arbitrariamente que o Eu superior fabricado por ela seja o Ser, o Íntimo e lhe atribui estupidamente coisas fabricadas por ela, coisas que nada tem que ver com o Ser.

Estas tontices da mente são parecidíssimas com a falsificação do moedas. A mente forja um falso Ser, cuja nota falsa é o Eu superior.

Os mitômanos tem um amor próprio terrível e espantoso. Valorizam muito a si mesmos. Adoram sua nota falsa, seu tão cacarejado Eu superior.

Todo mitômano é um psicopata ridículo. Todo mitômano se superestima de maneira exagerada e se autoconsidera todo um Deus que as pessoas estão obrigadas a adorar.

Nem todos que fabricam para si mesmos um Eu superior caem na mitomania. São abundantes os fanáticos que não são mitômanos e só aspiram evoluir para chegar à união com o Eu superior.

Esses fanáticos não comem sequer um pedaço de carne, nem tomam um só copo de vinho e criticam espantosamente todo aquele que coma um pedacinho de carne e tenha um copo de vinho em sua mão pronto para fazer um brinde.

Esses fanáticos são insuportáveis. Comumente são vegetarianos cem por cento, acham-se santos; porém em casa são cruéis com a mulher, com os filhos, com a família, etc.

Essas pessoas gostam de fornicar, adulterar, cobiçar, ambicionar, porém se acham muito santas.

A mente só serve de estorvo ao Ser , ao Íntimo; nada sabe sobre o real. Se o pensamento conhecesse o real, o Íntimo, o Ser, todas as pessoas seriam compreensivas.

Só através da meditação profunda podemos experimentar o Ser, o Íntimo.

A experiência do Ser (o Íntimo), nos transforma radicalmente. Os mitômanos costumam falsificar esta experiência com auto projeções mentais inconscientes, que logo procuram relatar a todo mundo.

Os mitômanos costumam ser vítimas dos auto enganos e, crendo-se deuses, aspiram ser adorados por todo mundo.

É completamente impossível experimentar o Ser, o Íntimo, o Real, sem haver chegado a ser verdadeiros mestres técnicos e científicos dessa ciência misteriosa chamada meditação.

É completamente impossível experimentar o Ser, o Íntimo, o Real, sem haver chegado a uma verdadeira maestria nisso da quietude e silêncio da mente.

Contudo, não devemos auto enganar-nos e confundir gato com lebre. O Eu também ambiciona e cobiça esses silêncios e até os fabrica para si mesmo artificialmente.

Durante a meditação profunda necessitamos de quietude e silêncio total da mente, mas não necessitamos dessa quietude e desse silêncio falsos, fabricados pelo Eu. Não devemos esquecer que o Diabo rezando missa pode enganar às pessoas mais astutas.

É lógico dizer que se queremos silenciar a mente à força, na marra, se queremos aquietá-la torturando-a e amarrando-a, motivados pela cobiça de experimentar o Ser, o Íntimo, só conseguiremos silêncios artificiais e quietudes arbitrárias produzidas pelo Eu.

Quem quiser verdadeiramente um legítimo silêncio e não um falso silêncio, uma verdadeira quietude e não uma falsa quietude, o melhor que deve fazer é ser íntegro, não cometer o erro de dividir a si mesmo entre sujeito e objeto, pensador e pensamento, Eu e não Eu, controlador e controlado, Eu superior e Eu inferior, eu e meu pensamento, etc.

Saber meditar é estar de verdade no caminho da iluminação interior. Se quisermos aprender a meditar devemos compreender que não existe diferença alguma entre Eu e meu pensamento, isto é: entre pensador e pensamento.

A mente humana não é o cérebro. O cérebro está feito para elaborar o pensamento, porém não é o pensamento. A mente é energética e sutil, mas nós cometemos o erro de auto dividir-nos em milhares de pequenos fragmentos mentais que, em seu conjunto, compõem isso que é a legião do Eu pluralizado.

Quando tratamos de unir todos estes fragmentos mentais durante a meditação com o são propósito de sermos íntegros, então todos esses fragmentos formam outro grande fragmento com o qual temos que lutar, tornando-se então impossível a quietude e o silêncio da mente.

Não devemos nos dividir durante a meditação entre Eu superior e Eu inferior, eu e meus pensamentos, minha mente e eu, porque a mente e o Eu, meus pensamentos e Eu, são um só; o Ego, o Eu pluralizado, o si mesmo, etc.

Quando compreendemos de verdade que o tal Eu superior e o Eu inferior, assim como meus pensamentos e eu, etc., são todo o Ego, o mim mesmo, é claro que por compreensão total nos libertamos do pensamento dualista, a mente fica quieta de verdade e em profundo silêncio.

Só quando a mente está quieta realmente, só quando a mente está em verdadeiro silêncio, podemos experimentar isso que é a realidade, isso que é o Ser autêntico, o Íntimo.

Enquanto a mente estiver engarrafada no dualismo, é totalmente impossível sermos íntegros.

A essência da mente (o buddhata) é preciosíssima, porém desgraçadamente está engarrafada no batalhar das antíteses.

Quando a essência da mente durante a meditação se escapa da garrafa dos opostos, podemos experimentar o Real, o Ser, o Íntimo.

Há dualismo quando Eu trato de reunir todos os fragmentos de minha mente em um só.

Há dualismo quando minha mente é escrava do bem e do mal, do frio e do calor, do grande e do pequeno, do agradável e do desagradável, do sim e do não, etc.

Há dualismo quando nos dividimos entre Eu superior e Eu inferior e aspiramos que o Eu superior nos controle durante a meditação.

Quem alguma vez experimentou o Ser durante a meditação, fica curado para sempre do perigo de cair na mitomania.

O Ser, o Íntimo, o Real, é totalmente distinto disso que os pseudo esoteristas e pseudo ocultistas chamam de Eu superior ou Eu divino.

A experiência do Real é completamente diferente, distinta de tudo aquilo que a mente experimentou alguma vez.

A experiência do Real não pode ser comunicada a ninguém porque não se parece a nada do que a mente experimentou antes.

Quando uma pessoa experimentou o Real compreende então muito profundamente o estado desastroso em que se encontra e só aspira conhecer-se a si mesmo, sem desejar ser mais do que é.

Hoje em dia, o pobre animal intelectual falsamente chamado homem só tem um elemento útil. Este elemento é o Buddhata, a essência da mente com a qual podemos experimentar o Ser, o Íntimo, o Real.

Este precioso elemento está metido na garrafa do intelecto animal. Quando durante a meditação interior profunda a mente fica totalmente quieta e em absoluto silêncio, por dentro e por fora, não somente no nível superficial, mas também em todos os diferentes níveis, camadas, zonas e terrenos subconscientes, então a essência, o precioso elemento, se escapa da garrafa e se funde com o Ser, com o Íntimo, para experimentar o Real.

A Ciência da Música- Samael Aun Weor

6 respostas para "o Eu e o Ser"

  1. Rosimeri Enviado em 02/01/2016 às 15:00

    A forma com que trata o entendimento alheio só mostra o quanto a gnose precisa tolerancia

  2. Pedro Enviado em 04/25/2016 às 13:13

    Perdeu uma bela de uma oportunidade de registrar sábias palavras, se tivesse usado amor para escrever esse texto, claramente preferiu julgar,criticar e generalizar usando sua raiva e acabou falando muita besteira em meio a palavras inteligentes…

  3. José Enviado em 02/11/2019 às 12:11

    Para mim, Samael não está criticando a pessoa e sim o elemento que a pessoa criou, isto é, o ego e a este ego em nós mesmos é que devemos ser rudes e usar de violência para com nosso próprio ego. Samael demonstra muito amor pela humanidade dedicando sua vida aos estudos da psicologia, fazendo do ensinamento sua vida.
    Não devemos nos ofender com palavras direcionadas ao ego porque esse mesmo ego nao esitara em nos agredir ou nos enrolar com brinquedos de modo a nós distrair em relação ao trabalho interno.
    Pá inverencial!

  4. José Enviado em 02/21/2019 às 14:57

    Para mim, Samael não está criticando a pessoa e sim o elemento que a pessoa criou, isto é, o ego e a este ego em nós mesmos é que devemos ser rudes e usar de violência para com nosso próprio ego. Samael demonstra muito amor pela humanidade dedicando sua vida aos estudos da psicologia, fazendo do ensinamento sua vida.
    Não devemos nos ofender com palavras direcionadas ao ego porque esse mesmo ego nao esitara em nos agredir ou nos enrolar com brinquedos de modo a nos distrair em relação ao trabalho interno.
    Páz inverencial!

  5. Janaina Enviado em 06/26/2020 às 17:50

    Eu sou vegetariana não para ser santa e sim porque não concordo com a indústria de abate, a crueldade da exploração animal, pois na natureza não é assim que os animais predadores se alimentam. Procuro respeitar todos os seres, independente de serem animais racionais ou não… Será q isto é fanatismo?!

  6. Janaina Enviado em 07/03/2020 às 10:23

    Penso todas as essências estão aqui para experiências e se eu posso evitar de me alimentar do sofrimento imenso d animais mortos com muita, mas muita crueldade, num sistema q não é nada “naturalista” …. se posso, sim vou mudar minha alimentação. Cada pessoa tem seu discernimento do q é bom ou não para ela. “Tudo é lícito, mas nem tudo me convêm”.
    Com certeza não se ofender com críticas é corretíssimo… afinal não somos nós e sim o ego q erra… Qdo criticamos tbm é o ego… Muito trabalho interno, mas muito mesmo!!

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