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Qual é a minha canção psicológica?

Qual é a minha canção psicológica?

Qual a minha canção psicológica?

Descubra uma canção que pode estar arrasando com sua vida e saiba como se proteger de seus efeitos hipnóticos… Conheça sua canção psicológica!

A metáfora do mau cantor

Você já ouviu falar  no ditado popular: “quem canta, os males espanta”? Talvez isto seja verdade quando nos referimos a uma canção bela, afinada e harmoniosa. Daquelas que encantam e inspiram a audiência.

Porém, poucas pessoas estão dispostas a suportar um mau cantor. Ora, não bastasse haver aqueles que cantam desafinadamente, ainda há os que praticam a infâmia de segurar os seus ouvintes para além do que seria razoável.  Às vezes, não podemos evitar de nos perguntar como pode o tal cantor não se dar conta do papel triste e aborrecedor está fazendo. Porém, o mais hilário é que às vezes todos ao redor estão francamente horrorizados, e só o cantor se encontra enamorado da própria voz.

Qual é a minha canção psicológica?

Alguém poderia se perguntar: “o que tem a ver isto do mau cantor comigo?”

Em matérias de psicologia gnóstica, existe um tema específico conhecido como “canção psicológica“.

Todos conhecemos alguma pessoa que vive do passado. Suas conversas, em geral, gravitam em torno de uma preocupação central: o seu caderninho de contas psicológicas. Neste bloquinho mental, a pessoa guarda nota de todos que lhe devem. Ali, consta o registro das dívidas  que o pai, a mãe, o irmão, o filho, o vizinho, o amigo, o patrão, o governo, a sociedade e até a própria vida têm para si.

Mas que tipo de dívidas são estas?

O livrinho de contas psicológicas

Talvez a pessoa leve em conta as coisas desagradáveis que lhe fizeram. Isto é, os sofrimentos que lhe causaram, a gratidão que não lhe prestaram, o reconhecimento que nunca recebeu, as injustiças que viveu, o que teve de padecer totalmente só, etc. Tantas coisas lhe tocou passar… Porém, jamais pôde esquecer, e isto lhe acompanhou pelo resto da vida.

Assim,  a conversa com tal pessoa apenas inicia, e basta que chegue sua vez de falar, que o assunto vai parar em suas preocupações de costume, entoando a sua canção psicológica.

“Pobre de mim…”, “ninguém me entende..”, “nunca me deram o que precisava”, “tudo eu precisei fazer por mim mesmo…”, “ainda vão se arrepender do que me fizeram”, “um dia me darão razão, mas aí será tarde demais”, etc., etc., etc.

As canções psicológicas, por vezes, são realmente complexas. Possuem introdução, verso, refrão, coro, etc. Além disso, pode acontecer de articularem-se em um único solo improvisado. Então, uma conversa, digamos, sobre o clima, pode voar pelas indignações políticas da pessoa e pousar no desgosto que a vizinha invejosa lhe causa.  Isto é possível, é claro, às custas de muito treino, muito ensaio. Pois, não se contentando em cantar tanto para os outros, o mau cantor vive a cantar para si mesmo, recluso no aposento solitário de sua mente.

A base da canção psicológica

A base da canção psicológica

E chegamos ao cerne da questão: todos temos em nossa intimidade um disco arranhado que sempre repete as mesmas canções. Ou seja, sempre as mesmas preocupações, queixas, lamentações, dívidas, etc. São estas considerações que de uma forma ou de outra produzem nossos pensamentos e guiam a linha de nossos raciocínios. E mais, não bastasse o dano que causam ao nosso bem estar e à nossa vida, a origem e a autenticidade destas opiniões íntimas são totalmente questionáveis.

A base da canção psicológica é a autoconsideração. Isto é, a tendência de considerar-se  antes dos demais em cada questão da vida, por maior ou mais insignificante que esta seja.

Muito naturalmente, o fato de não sermos capazes de nos colocar no lugar dos outros impede que tenhamos uma compreensão justa de como se portam, de como falam e de como agem. Logo, torna-se inevitável o excessivo aumento de dívidas em seu caderninho pessoal. Lamentável… Pois, além complicar ainda mais a sua triste ladainha, o aumento excessivo de dívidas só contribui para  aumentar sua miséria.

“Primeiro eu, segundo eu, terceiro ele…”

Quando aconselha alguém, e este não lhe da razão, julga então que esta pessoa não confia em si. Ou que lhe falta juízo.

Se algum familiar não lhe trata do jeito que cria merecer, é porque se trata de um injusto, um tirano ou um ingrato.

Caso algum amigo não concorda com alguma opinião sua, conclui ultrajado que havia se enganado a seu respeito. Que se revelou uma serpente! Que não pode mais contar consigo…

Talvez, não tenha sido admitido no exame seletivo de admissão no trabalho ou de ingresso na universidade desejada. Então, protesta que a competição foi injusta e que a vida não lhe deu todas as oportunidades que necessitava.

Se o seu candidato político não é eleito, culpa a corrupção do sistema eleitoral ou a falta de bom senso da oposição.

Caso os seus filhos se comportam de maneira inadequada, acusa as más companhias e “lava as mãos”…

Se vai acariciar o seu cachorro e este lhe vira as costas e vai embora, então suspira, apiedado de si mesmo, pensando que já ninguém se importa consigo.

Uma pessoa cheia de autoconsideração pode ser realmente complicada…

3 consequências negativas da canção psicológica

A canção psicológica petrifica a pessoa

Alguém que insiste em cantar os males do passado, revive-os agora e torna a vivê-los incessantemente.

Em outras palavras, vive em um ciclo vicioso. Assim sendo, poderíamos comparar a canção psicológica com aquelas músicas desagradáveis e hipnóticas, que grudam na cabeça e que não podemos esquecer, por mais que nos esforcemos. Com a pequena diferença de que esta nossa canção triste e sombria capta fortemente a nossa própria simpatia. Por consequência, a pessoa petrifica no passado, e sente que não há muito mais que ela possa fazer por si mesma, a não ser seguir com sua solitária canção.

Se nos interessamos pelo nosso crescimento pessoal, precisamos estar dispostos a renunciar a estas cômodas e convenientes versões pessoais de nossa própria história. E isto não seria possível se não nos dedicássemos ao autoconhecimento. Isto é, se não nos detivéssemos a investigar a fundo estas canções, e desvendar tudo o que contêm de falso, de parcial, de exagerado, de omitido, etc.

“Se alguém vive de instante em instante, de momento em momento, sofrendo pelo que lhe devem, pelo que lhe fizeram, pelas amarguras que lhe causaram, sempre com sua mesma canção, nada poderá crescer em seu interior.” – Samael Aun Weor

Entenda um pouco melhor as consequências negativas da canção psicológica, conferindo a lista abaixo:

1. Autohipnose

A canção psicológica hipnotiza a nossa consciência. Lembremos a raiz etimológica da palavra: hypnos, do grego, significa sono. Quando uma pessoa se identifica consigo mesma, esta se torna incapaz de apreciar com lucidez e vivacidade o instante em que vive. Não poderia ser diferente: as suas considerações pessoais lhe fascinam.

Todas estas preocupações que pertencem ao tempo, e que dão forma à nossa canção psicológica, nos fascinam e nos levam ao sono da consciência. Assim, ficamos impossibilitados de ver quem somos, como estamos. E se não nos enxergamos como estamos, não podemos superar nossos próprios limites.

2. Desperdício de energia

Desperdício de energia

Todo potencial de mudança interior está no sábio manejo de nossa energia criadora. Esta energia é a base de todas as atividades mentais, emocionais, motoras, instintivas e sexuais do organismo humano.

Toda vez que uma pessoa entoa sua canção psicológica, ela se impõe uma série de desequilíbrios a nível psíquico, mental, emocional e até biológico. Neste sentido, toda esta atividade desequilibrada do organismo queima uma quantidade preciosa e vital de energia. Logo, o resultado não seria outro que o cansaço mental, o desânimo, a indisposição. E, o pior de tudo, a perda de nosso potencial criativo para conduzir nossa vida por um caminho de triunfos físicos e espirituais.

3. Psicologia do fracasso

A palavra cria. Uma palavra sábia e bendita pode criar estados de ânimo sutis, luminosos e harmoniosos. Por outro lado, uma palavra rude e desarmônica pode criar estados de ânimo densos, obscuros e desarmoniosos. O segredo que confere poder a nossa palavra está em nossas energias criadoras.

A canção psicológica é malévola: emprega nossa energia para alimentar, entre tantas coisas, a sensação de desânimo, de impotência, de que nenhum esforço vale a pena, etc.

Para cúmulo dos cúmulos, há quem empregue toda sua arte em elaborar canções muito convincentes. Desta forma, apenas contribui para justificar sua incapacidade, sua inaptidão, dando-lhe um ar mais ao seu agrado.

Não espanta que uma pessoa, nestas condições, assuma uma figura triste… E uma atitude incapaz de assumir a responsabilidade pela própria vida e por mudá-la.  Em síntese, condena-se à condição de vítima das circunstâncias.

Não lhe parece mais sábio empregar de forma mais criativa este mesmo potencial?

Observa tua canção psicológica

observa tua canção psicológica

Você já se deteve a observar sua canção psicológica?

O que ela diz? O que lhe inspira a cantar? Em que momento canta? Qual o seu público-alvo? Que emoções sua canção lhe traz?

Em nosso interior reside um Universo complexo e misterioso a ser explorado neste exato instante.

Porém, uma pessoa poderia objetar que nisso não há nada de extraordinário, pois conhece tudo o que importa sobre si mesmo.

Conhece? Não é porque pensamos, sentimos e agimos que temos consciência do porquê pensamos, sentimos e agimos. Este é o estado de ignorância no qual a nossa consciência dorme. E que nos faz acreditar que “sabemos algo”: quem somos, quem são os outros, o que é o certo, o errado, o justo, a verdade , etc. Porém, o mais irônico é, como nos diria Sócrates, que não apenas não sabemos, como nem sequer sabemos que não sabemos.

Neste sentido, precisamos de uma chave prática que nos permite fazer consciência de nós mesmos.

A auto observação

A auto observação é um sentido psicológico que nos permite descobrir o que se passa em nosso mundo interior.

O primeiro passo para observar-se é trazer a atenção para dentro. Porém, devemos fazê-lo conscientemente, de forma ativa a intencional. Assim, a atenção naturalmente se divide em duas partes. De um lado, o observador; do outro, o observado. Mas, o que é observado? Pensamentos, emoções, ideias, temores, desejos, inquietudes, atitudes, gestos, palavras, poses, etc. Por este ângulo, tudo o que observamos recebe a luz de nossa consciência.

Neste momento, o que lhe passa? Estás a ler atentamente? Acaso algum som ou acontecimento lhe disputam a atenção?

E a sua mente, como se comporta? Está quieta e receptiva? Estaria combatendo alguma ideia? Ou divagando em um pensamento aleatório qualquer?

Talvez você sinta algum cansaço pelo esforço da leitura? Alguma urgência por acabar o texto? Ou alguma emoção de outra natureza?

Memórias? Fantasias? Desejos? Não seria, por acaso, aquela triste canção psicológica?

Como se proteger do feitiço que a canção psicológica exerce?

Quebrando o feitiço da canção psicológica

A Gnosis nos ensina uma prática chamada Recordação de Si. Esta é uma disciplina esotérica na qual o estudante deve ser muito exigente consigo mesmo, a fim de jamais esquecer de si próprio, de seu real propósito em um instante dado. Além do mais, é um estado de atenção plena, de autoconsciência.

Na vida, muitas coisas exercem fascínio sobre nós. Nossa autoimagem, afetos, opiniões, ideias, família, amigos, posses, lar, trabalho, escola, dívidas, etc. Ora, é apenas normal que nos as preocupações e questões que tudo isto nos levanta capture o foco de nossa atenção. Assim, somos fascinados e levados ao sono da consciência. Por este motivo, a lucidez natural de nossa consciência se apaga. Por consequência, damos às coisas mais importância do que de fato têm, e nos esquecemos daquilo que realmente importa.

Tratemos de recordar de nós mesmos ante tudo aquilo que nos fascina. Não permitamos que nada aprisione nossa consciência. Jamais esqueçamos deste estado de alerta, de autoconsciência.

“A íntima recordação de si mesmo é perceber cabalmente todos esses processos subconscientes do mim mesmo, do ego, do eu pluralizado”. – Samael Aun Weor

Neste estado de vigilância contínua, estamos aptos para que a nossa “tão estimada” canção psicológica não nos surpreenda capturando nossa própria simpatia. Assim, podemos descobrir todas as mentiras e equívocos que durante a vida toda contamos para nós mesmos. E que são responsáveis pelo estancamento da mesma vida no nível em que se encontra.

Assim, podemos quebrantar o feitiço que nossa canção psicológica exerce sobre nós mesmos. O que possui a vantagem libertar aquela consciência que estava condicionada naqueles estreitos limites do passado, conduzindo-nos por um caminho de novas possibilidades.

Curso de Gnosis

Para lograr isto, é preciso assumir um compromisso consigo próprio, e submeter-se à disciplina esotérica exigida para o despertar da consciência. Certamente isto requer um preparo muito especial. Entre tantas premissas, o estudante deve, por exemplo, tornar-se um praticante diligente na ciência da meditação. Além disso, deve estimar com sumo respeito aquilo que possui de mais valioso: sua energia criadora.

Inscreva-se no curso de gnosis, e receba chaves simples, porém revolucionárias, que lhe permitirão romper com todas as correntes psicológicas que lhe aprisionam ao seu passado.

 

Uma resposta para "Qual é a minha canção psicológica?"

  1. Flora Enviado em 06/26/2020 às 14:01

    Gian esse texto está tão claro e tão bem escrito, que consigo ver,momentos de seriedade,explicação, humor,e motivação.É uma leitura gostosa e inspiradora.Parabéns amigo ,adorei sua forma de escrever.

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