A Ilusão das Aparências da Vida
Primeiramente, o indivíduo não deve permitir que as aparências o conduzam. Além disso, o estudante não deve se fascinar pelas distintas cenas do cotidiano. De fato, a vida funciona como um filme, o qual o tempo compõe por muitos quadros e inúmeras cenas. Por causa disso, não convém de nenhum modo que a pessoa se identifique com as cenas, com os quadros ou com as aparências ilusórias. Afinal, tudo passa. Inegavelmente, as pessoas passam, as coisas passam e as ideias também passam. Portanto, tudo no mundo possui um caráter ilusório. Por conseguinte, qualquer cena da vida, por muito forte que ela se apresente, passa rapidamente e fica para trás no tempo.
A Importância do Ser e o Perigo da Fascinação
Nesse sentido, o que realmente deve interessar ao buscador é exatamente isso que a sabedoria esotérica chama de Ser, ou seja, a própria Consciência. Com efeito, o Ser representa o elemento fundamental dessa jornada, pois o Ser nunca passa. Em outras palavras, o Ser é o Ser, e a razão de ser do Ser é o próprio Ser.
Contudo, quando a pessoa se identifica com as distintas comédias, dramas e tragédias da vida, ela cai inevitavelmente na fascinação e na inconsciência profunda do sono psicológico. Exatamente por esse motivo, o praticante não deve se identificar com nenhuma comédia, drama ou tragédia existencial. Afinal de contas, por muito grave que o evento pareça, ele sempre passa. Como resultado, um ditado popular expressa muito bem essa verdade quando reza assim: “não há mal que dure cem anos e nem corpo que o resista”. Sendo assim, a mente compreende definitivamente que tudo é ilusório e passageiro.
O Enfrentamento dos Desafios Gigantescos
Por outro lado, o ser humano se encontra às vezes diante de alguns problemas difíceis e, imediatamente, procura a saída, isto é, a tão desejada solução. Nesse momento, a dificuldade se torna enorme, monstruosa e gigantesca ante a sua mente. Consequentemente, o indivíduo sucumbe nas preocupações. Então, ele pergunta para si mesmo: como farei? Que vou fazer? Geralmente, a pessoa não encontra nenhuma escapatória visível.
Entretanto, à medida que o indivíduo analisa a situação, o problema vai se tornando cada vez mais monstruoso, enorme e assustador. Porém, chega o dia em que o estudante enfrenta o obstáculo tal como ele se apresenta. Nessa hora, se ele “agarra o touro pelos chifres”, como a sabedoria popular afirma, ele percebe rapidamente que o problema se torna absolutamente nada. Simultaneamente, o conflito destrói a si mesmo, visto que possui uma natureza puramente mental e ilusória.
Ainda assim, apenas pelo fato de qualquer problema tomar tais proporções, o seu realismo se torna tão cru ante a mente que o sujeito, em verdade, não encontra saída por nenhuma parte. Nesse ínterim, o indivíduo sente que sucumbe ante o obstáculo e que a situação não tem solução. No entanto, se a pessoa enfrenta corajosamente o problema, ela verá, com toda a certeza, que a dificuldade é ilusória. Ademais, ela constatará que o evento passa, como um dia tudo tem que passar e, ao fim, tudo fica reduzido a nada.
O Estado de Alerta e a Eliminação dos Defeitos
Desse modo, ao proceder dessa forma e sem se identificar jamais com nenhuma situação ou com nenhum evento, o aprendiz logrará permanecer sempre alerta e vigilante. Basicamente, ele atuará como um vigia atento em época de guerra. Justamente nesse estado de alerta, o observador descobre os seus próprios defeitos psicológicos em plena ação.
Sobre a necessidade de evitar a identificação para alcançar esse estado mental, o Mestre Samael Aun Weor adverte no livro Tratado de Psicologia Revolucionária:
“Qualquer um pode perfeitamente observar que as pessoas sempre estão identificadas com o que lhes agrada, com o que lhes fascina, com o que lhes atrai.”
A partir dessa observação, o estudante deve compreender o defeito descoberto e, posteriormente, ele precisa eliminar esse agregado psíquico. Todavia, a mente, por si mesma, não possui capacidade para eliminar nenhum defeito psicológico. Por causa disso, o buscador necessita de um poder superior à mente. Felizmente, esse poder existe dentro do próprio ser humano e atende pelo nome de bendita Mãe Devi Kundalini.
Portanto, mediante a ajuda inestimável da divina Mãe, o adepto consegue eliminar todos os defeitos psicológicos de forma definitiva. Visto que os agregados engarrafam a Consciência, o ato de eliminar os defeitos faz com que a Consciência desperte radicalmente. Só então, o iniciado poderá ver, ouvir, tocar e palpar as grandes realidades dos mundos superiores.
A respeito desse poder feminino transcendental, o Mestre Samael Aun Weor esclarece no livro O Mistério do Áureo Florescer:
“Somente a Divina Mãe Kundalini tem o poder de reduzir a cinzas qualquer agregado psíquico.”
A Raiz do Medo nos Conflitos Econômicos e Familiares
Sendo assim, torna-se indispensável que o praticante não se identifique com nenhuma circunstância da vida. Sempre que o estudante não se identifica com os problemas e continua em estado de alerta, ele descobre os seus próprios defeitos psicológicos ocultos dentro dessas mesmas dificuldades rotineiras.
Normalmente, a psicologia esotérica constata que os problemas obedecem intimamente ao medo. Em outras palavras, o “eu” do temor mantém os problemas vivos e fortes. Geralmente, o indivíduo teme a vida, teme a morte e teme o que os outros dirão. Igualmente, ele teme o falatório, a fome, a miséria e a possível prisão. Devido a isso, os problemas se tornam cada vez mais insolúveis e, além disso, muito mais agressivos.
Por exemplo, diante de um problema econômico, o que a pessoa realmente teme? Naturalmente, ela teme a ruína! Isso ocorre porque o sujeito precisa pagar uma determinada dívida e acredita piamente que as autoridades o meterão na cadeia se ele falhar, entre muitas outras justificativas.
Da mesma forma, perante um problema de família, o que o indivíduo teme? Evidentemente, ele teme as fofocas, o escândalo social e a perda iminente dos interesses criados.
A Dissolução Final das Preocupações
Porém, se o trabalhador psicológico elimina o “eu” do temor, o que resta do problema inicial? Nesse caso, tudo simplesmente se esfumaça e se torna um vazio. Muitas vezes, a pessoa teme que a justiça a lance na cadeia ou sofre porque precisa quitar as dívidas urgentes. Consequentemente, ela passa as noites em claro, pensando compulsivamente sem parar.
Ao fim, o dia amanhece e o indivíduo percebe que o problema encontrou uma solução prática, muitas vezes por um caminho que ele menos esperava. Então, em que ficou aquele problema tão monstruoso? Ainda mais, se a questão não encontrou solução e o proprietário jogou a pessoa na rua com todos os móveis, o que realmente passou? Com certeza, não faltará um lugar por aí onde a pessoa encontrará um novo abrigo. Por outro lado, se o indivíduo perdeu os móveis, eles simplesmente se perderam e ficaram no passado. Afinal, por qual motivo o ser humano iria se apegar emocionalmente a uns simples móveis de madeira?
Depois de tudo isso, o problema passa e a pessoa continuará a viver tranquilamente em algum outro lugar. Como resultado prático, o problema ficou para trás, congelado definitivamente no tempo.
Por fim, o buscador jamais deve esquecer a premissa de que tudo passa. De fato, passam as ideias, passam as pessoas e passam as coisas materiais. Em conclusão, tudo nesse mundo físico revela-se totalmente fugaz e, acima de tudo, incrivelmente ilusório.
Este artigo foi redigido com base nos ensinamentos do, V. M. Samael Aun Weor

