Uma reflexão sobre Maya: a Ilusão

O Que É Maya, a Grande Ilusão?

Primeiramente, o mundo material atua como Maya – a Grande Ilusão. Portanto, o verdadeiro conhecimento da Realidade – Jnana – deve superar o persistente domínio de Maya sobre a consciência humana.

(A Dança de Shiva | Gnosis Brasil)

Nesse sentido, um dos postulados básicos da filosofia Hindu afirma que os nossos sentidos criam a ilusão daquilo que nós conhecemos como mundo material.

Consequentemente, aquilo que nós percebemos como mundo real, concreto e sólido, resulta diretamente de uma percepção de nossa consciência. Porém, os sentidos físicos mediam essa percepção, e, assim, essa visão não corresponde à essência da Realidade tal como ela realmente age. Dessa forma, o mundo material funciona como Maya – a Grande Ilusão.

Por outro lado, a palavra Maya deriva da contração de “ma”, que significa “medir, marcar, formar, construir”. Basicamente, isso denota o poder do deus ou demônio de criar a ilusão. Além disso, o termo “eya” significa “aquilo”.

Sendo assim, nós podemos definir que Maya engloba tudo aquilo que o ser humano pode medir. Como resultado, visto que o indivíduo pode medir o mundo todo, o mundo expressa a própria Maya.

Para ilustrar isso, o Bhagavad Gita nos ensina sobre este tema com uma clareza e profundidade inigualáveis. Por exemplo, a escritura afirma:

“Aquilo que à gente do mundo sensorial parece ser real e verdadeiro, para o sábio é ilusão: e aquilo que a maior parte dos homens julga ser irreal e não existente, o sábio conhece como o único que é Real e existente.” (Bhagavad Gita – II-69)

“Aquilo que é irreal, ilusório, não tem em si o Ser Real; não existe na realidade, e sim só na ilusão” (Bhagavad Gita II-16)

“O mundo dos homens (acha-se) sob o domínio da ilusão (…) Esta ilusão é muito forte, e tão denso é o seu véu que é difícil aos olhos humanos penetrá-lo. Só aqueles que a Mim se dirigem e se deixam iluminar pela chama que está detrás da fumaça, vencem a ilusão e chegam até Mim.” (Bhagavad Gita VII-13-14)

A Dança de Shiva e a Física Moderna

Ademais, a física moderna mostra que o movimento e os ritmos representam propriedades essenciais da matéria. Ou seja, a dança cósmica envolve toda a matéria, tanto na Terra como no espaço.

Igualmente, os mestres orientais possuem uma visão dinâmica do universo. Para eles, quando a dança modifica o seu ritmo, ela também modifica o som que produz. Certamente, cada átomo canta incessantemente a sua canção, e, a cada momento, ele cria formas densas e sutis.

Da mesma maneira, todas as coisas participam de um grande processo rítmico de criação e destruição, de morte e renascimento. Nesse contexto, a dança de Shiva simboliza esse eterno ritmo de vida e morte que desdobra a si mesmo em ciclos intermináveis. Posteriormente, na plenitude do tempo, Ele destrói todas as formas pelo fogo e concede a elas um novo repouso. Apesar de isso parecer poesia, contudo, isso também funciona como ciência.

Como consequência, o universo material resulta dessa incessante dança cósmica. Sobre isso, a escritura sagrada declara:

“A matéria, estando em contínuo movimento, produz variadíssimas e mutáveis formas …” (Bhagavad Gita XIII-21)

“Estou em constante ação e movimento, agindo sempre incessantemente (…) se eu deixasse de ser ativo, estes Universos cairiam em ruina” (Bhagavad Gita III-22-23)

A Realidade Atômica e o Véu da Ignorância

Sob o mesmo ponto de vista, os átomos e as moléculas compõem aquilo que nos aparece como objetos sólidos e tangíveis ao nosso redor. Além disso, as vibrações agem entre eles e ligam as moléculas e átomos que formam os nossos órgãos dos sentidos. Na realidade, os átomos e as moléculas contêm praticamente apenas espaços vazios.

Desse modo, a dança de Shiva tece a poeira nuclear numa teia ilusória. Assim, essa teia gera a impressão irreal da continuidade sólida da matéria. Portanto, se o movimento interno da matéria atômica cessasse por uma fração de segundo, o universo visível eclipsaria a si mesmo como num passe de mágica. Em suma, ele desapareceria como poeira que o sopro do Absoluto varre da face do espaço.

Infelizmente, a fumaça da ignorância obscurece a luz da sabedoria. Por causa disso, o homem ilude a si mesmo, pensa que a fumaça atua como a chama e, consequentemente, não consegue enxergar a chama atrás da fumaça.

“O mundo dos homens está sob o domínio da ilusão; essa ilusão e muito forte, e tão denso é o seu véu, que é difícil aos olhos humanos penetrá-la. Só aqueles que a Mim se dirigem e deixam iluminar pela chama que está detrás da fumaça, vencem a ilusão e chegam até Mim.” (Bhagavad Gita VII-14)

O Absoluto e a Ilusão do Tempo e Espaço

Segundo a filosofia Hindu, apenas o absoluto atua como a realidade verdadeira. Em contrapartida, todo o restante funciona de forma puramente ilusória.

Para ilustrar, tomemos um exemplo prático. Basicamente, um ano-luz representa a distância que a luz percorre no espaço de um ano a uma velocidade de 186.000 milhas (297.600 km) por segundo. Com isso, o indivíduo pode ter uma noção das imensas distâncias que separam as estrelas entre si e também de nós. No entanto, o que esses fatos que os telescópios e as câmeras nos fornecem realmente significam? Por acaso, esses fatos nos dão um quadro do universo físico exatamente como ele existe hoje? De maneira nenhuma.

Na verdade, se a luz que partiu da grande maioria das estrelas leva milhões de anos para nos atingir, então, a astronomia não nos apresenta o quadro do universo físico atual. Pelo contrário, ela nos mostra o universo como ele existiu há milhões de anos. Sendo assim, nós só chegaremos a saber o que o universo expressa agora quando passarem mais milhões de anos.

Como Vencer Maya Através da Gnosis e da Meditação

Portanto, nós precisamos refletir urgentemente sobre a Ilusão para entendermos que tudo possui natureza transitória. Ou seja, tudo tem um início e um fim. Certamente, a força de Maya consiste exatamente nisso. Por isso, nós necessitamos passar para muito além das manifestações dolorosas de Maya.

Em suma, todas as coisas visíveis representam Maya. Contudo, a sabedoria (Gnosis) faz Maya desaparecer por completo. Logo, nós deveríamos trabalhar incansavelmente para nos livrarmos de Maya. Consequentemente, quando o Espírito, o Íntimo, liberta a si mesmo de Maya, ele retorna ao Ain Soph da Cabala. Dessa forma, com a prática da Gnosis, nós podemos rasgar o véu de Maya e retornar diretamente ao Ain Soph.

Por fim, o Senhor Buda ensinou que os mestres conquistaram Maya e a mente somente através da meditação profunda. Por esse motivo, entre no silêncio. Além disso, medite. Sim, medite. Em conclusão, a solidão e a intensa meditação atuam como dois requisitos fundamentais e importantes para a auto-realização.

Acesse: Gnosis Brasil

6 comentários em “Uma reflexão sobre Maya: a Ilusão”

  1. A ilusão é uma cortina Negra, q nos deixa cegos, pois como se vêem luz estando nas trevas.
    Ilusão são as trevas dos mundo internos.
    O pior todo iludido, é apaixonado, é irracional, é iracundo e se crê muito bom, muito honesto, e se crê muito coitado e acha que sabe de tudo.
    *A luz veio a treva mas a treva não a compreenderam* v.m.s.a.w.

  2. Rosane Scoss Nicolai

    Há muita profundidade nas Coisas de Deus, Divinais. Mas, como estamos aqui, vivendo momentos terrenos, devemos ir, aos poucos,
    deixando nossas cascas e matérias(ilusões de Maya), para irmos nos divinizando, e subindo pela escada espiral de Jacob até voltarmos a ser Deus em Deus, como os Cristos já o são.

  3. Maravilhosos conhecimentos! Hoje à tarde, 6 de setembro de 2020, passeava com meu pet pelas ruas do meu bairro em Fortaleza, quando veio o insight: toda ilusão quer nos separar de Deus, da Verdade, da Luz. Tudo que existe aqui no plano denso é um obstáculo, porque acabamos nos interessando demais, ou nos apaixonando, ou amando demasiadamente as coisas e/ou pessoas. Isso provoca desequilíbrio, desarmonia, desregramentos, dores, doenças, sofrimentos. Se não permanecermos alertas, sucumbiremos no lodo da ilusão por muitas existências.

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