Desde tempos imemoriais, antiquíssimas tradições iniciáticas, tanto do Oriente quanto do Ocidente, falam sobre o profundo processo de ascensão do Sol interior. De fato, esse conhecimento sagrado permeia a história da espiritualidade humana.
Por exemplo, os Mistérios Egípcios, que foram posteriormente revitalizados na Idade Média pelos Adeptos Rosacruzes, abordam detalhadamente a divisão entre os Mistérios Menores e os Mistérios Maiores. Nesse contexto, compreender essa distinção é fundamental para qualquer buscador da verdade.
Os Mistérios Menores e a Personalidade
Primeiramente, as Iniciações de Mistérios Menores, que somam um total de nove, têm uma relação direta com a personalidade humana. Ou seja, trata-se da iniciação da pessoa em si, um estágio onde o indivíduo vai se polindo e corrigindo seu comportamento. Consequentemente, o objetivo inicial é alcançar um estado de santidade e retidão.
No entanto, quando o iniciado chega à nona iniciação, ele necessariamente tem que passar pelo deserto esotérico. Esse estágio, chamado pelo místico São João da Cruz de “Noite Escura da Alma”, é o momento em que se deve enfrentar a própria obscuridade. Então, o iniciado vê-se assaltado por seus piores demônios, chegando à conclusão, muitas vezes dolorosa, de que todo o trabalho feito até então foi superficial.
Sobretudo, esse período é extremamente necessário. Pois, somente assim, o homem percebe que toda a construção que fez — chamada personalidade — é, na verdade, falsa e pertence ao tempo. Portanto, ela tem que se dissolver para que se encontre aquela parte de si mesmo que é eterna, imutável e perene: o Mestre Interno, a verdadeira individualidade. Este é chamado de Sol da Meia-noite, pois brilha justamente na hora mais obscura da vida do Iniciado.
O Simbolismo na Maçonaria Oculta e a Alquimia
No que tange à Maçonaria Oculta, as nove Iniciações de Mistérios Menores estão relacionadas aos graus do 1º ao 18º (visto que 1+8=9). Nesse momento, o iniciado deveria receber o Grande Arcano do esoterismo, também conhecido como as Bodas de Rosenkreuz. Trata-se, especificamente, da Chave Alquímica da Transmutação do Chumbo em Ouro. Dessa forma, tal chave é capaz de despertar seus Fogos Sagrados e, com eles, todas as possibilidades latentes no ser humano.
Ao trabalhar com essa Magna Chave, o adepto ingressa na 9ª Esfera, o Deserto do Eremita. Ali, ele deve trabalhar com o Fogo e a Água que, conforme ensina o Mestre Samael Aun Weor, são a origem de mundos, homens, Deuses e Bestas.
Do Arcano 15 ao Nascimento do Espírito
Posteriormente, entre os Graus 18º e 33º, temos um intervalo de 15 graus. Isso simboliza o trabalho com o Arcano 15, o Mistério do Baphometo. Em outras palavras, trata-se de aprender a roubar o Fogo do Diabo para converter a Paixão em Amor.
Analisando numerologicamente, o Arcano 15 do Tarot Egípcio (A Paixão) reduz-se a 6 (1+5=6). Sendo assim, chegamos ao Arcano 6, “O Enamorado”, que representa o Amor. Vale ressaltar que o Arcano 6 corresponde a Tiphereth na Cabala, ou a Alma Humana. Então, o homem pode conhecer-se profundamente para morrer em si mesmo, “matando a morte com a própria morte”. Finalmente, ele conquista sua Alma e ressuscita no Espírito Imortal.
Por isso, no mito Cristão, Jesus vive até os 33 anos (simbolizando o 33º grau), morre (a morte da personalidade) e ressuscita (o despertar do Real Deus Interno).
A Alta Iniciação e o Sol Invictus

Quando o homem aprende a contemplar e integrar-se com seu Real Ser, nasce então um novo Mestre, um Adepto. A partir desse ponto, ele conhece e começa a gravitar em um novo Estado de Consciência, que está muito além do corpo, dos afetos e da mente, sendo até então desconhecido para ele.
Nesse estágio, o iniciado vive em seu interior o acontecimento simbólico de Belém, o Natalis Solis Invictus do Mitraísmo, ou o Nascimento do Menino Sol. Isso ocorre quando o Fogo Sagrado chega à 33ª vértebra da coluna espinhal. Tal momento é tão transcendental que o Dr. Krumm Heller, insigne Mestre Gnóstico conhecido como Huiracocha, expressou poeticamente:
“O Sol se levantou; O Fantasma do Tempo se desvaneceu; A Palavra Perdida foi encontrada!”
Em suma, o novo Mestre, o Senhor interior profundo, deve viver como homem, sofrer, sorrir e chorar. O objetivo é extrair e absorver em si os princípios anímicos de todos os veículos (corpos físico, vital, astral, mental e causal). Só assim, mais tarde, ele poderá converter-se em um Mestre Autorrealizado. Isto é, definitivamente, o que no esoterismo se conhece como Alta Iniciação ou Mistérios Maiores — vivências transcendentes no íntimo do homem, que a Gnosis nos ensina a alcançar.
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