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As 3 Mentes

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… Antes de mais nada, é imprescindível saber se o intelecto, por si mesmo, pode levar alguém, alguma vez, à experiência do Real. Há intelectos brilhantes, não podemos negar, mas eles jamais experimentaram Isso que é a Verdade.

Também não será demais saber que em nós existem três mentes. Poderíamos denominar a primeira de Mente Sensual, a segunda podemos considerar como a Mente Intermediária e a terceira é a Mente Interior.

Mas pensemos um pouco no que é esta mente sensual, que todos usamos diariamente. Eu diria que ela elabora seus conceitos de conteúdo com os dados fornecidos pelos cinco sentidos, e com o conteúdo desses conceitos forma seus raciocínios.

Vendo as coisas deste ângulo, é óbvio que a razão subjetiva ou sensual tem por base as percepções sensoriais exteriores. Se como único recurso de seu funcionamento estão exclusivamente os dados recolhidos pelos cinco sentidos, não há dúvida de que tal mente não terá acesso a algo que escape do círculo vicioso das percepções sensoriais externas e, obviamente, nada poderá saber de real sobre os mistérios da vida e da morte, sobre a Verdade, sobre Deus etc.

Pois de onde poderá uma mente assim conseguir informações, se sua única fonte de nutrição são os dados recolhidos pelos sentidos? Obviamente, não tem como poder conhecer o Real.

Nestes instantes, chega-nos à memória algo muito interessante. Certa vez, houve um grande congresso na Babilônia, na época dos esplendores egípcios. Veio muita gente, da Assíria, do Egito, da Fenícia etc., É claro que o tema era interessante: procurar saber, à base de puras discussões analíticas, se o ser humano tinha ou não tinha alma.

É óbvio que então os cinco sentidos já estavam bem degenerados; só assim podemos explicar que aquelas pessoas escolhessem este tema como motivo de tal congresso.

Em outros tempos, um congresso assim teria sido ridículo. Os lemurianos nunca pensariam em celebrar um congresso assim, porque as pessoas do continente Mu só precisariam sair do corpo para saber se tinham ou não tinham alma, o que faziam com tremenda facilidade, pois não estavam propriamente atrasados no manejo do mecanismo físico.

Um tema desse tipo só poderia ocorrer a uma humanidade degenerada, em involução.

E aconteceu que tanto a favor como contra houve muitas opiniões. Por fim, subiu à tribuna da eloquência um grande sábio assírio. Aquele homem havia se aprimorado no Egito, havia estudado nos Mistérios e falou em voz alta:

A razão nada pode saber sobre a Verdade, sobre o real, sobre a alma, sobre o imortal. A razão serve tanto para sustentar uma teoria espiritualista como uma teoria materialista. Poderia elaborar uma tese espiritual com uma lógica formidável e poderia também estruturar, em oposição, uma tese materialista com uma lógica similar. A razão subjetiva, sensual, nutrida pelos dados recolhidos pelos cinco sentidos, serve para as duas coisas, pode fabricar teses espiritualistas ou materialistas, logo não é algo em que se possa confiar.

Existe um sentido diferente, trata-se do sentido de percepção instintiva das verdades cósmicas; esta é uma faculdade do Ser.

Quanto à razão subjetiva, esta por si mesma não pode nos dar verdadeiramente nenhum dado sobre a verdade, sobre o real.

A razão sensual nada pode saber dos mistérios da vida e da morte. E aquele sábio acrescentou:

Vocês me conhecem. Tenho prestígio diante de vocês. Sabem muito bem que venho do Egito. Não há dúvida de que minha vida foi diferente e minha mente sensual não conseguiria recolher dados sobre o Real.

E continuou a falar ainda aquele homem e explicou aos orgulhosos:

Vocês, com seus raciocínios, não podem saber nada sobre a Verdade, sobre a alma e sobre o espírito. A mente racional não pode saber nada disso.

Bem, aquele homem concluiu seu discurso com muita eloquência e retirou-se, afastou-se definitivamente de todo academicismo. Preferiu deixar de lado o raciocínio subjetivo e desenvolver em si aquela faculdade antes citada por ele e que se conhecia com o nome de percepção instintiva das verdades cósmicas, faculdade que outrora a humanidade em geral tivera, mas que se atrofiou conforme o Eu Psicológico, o Mim Mesmo, o Si Mesmo, foi se desenvolvendo.

Dizem que aquele sábio assírio, egresso do Egito, afastado de toda escola, foi cultivar a terra e confiar exclusivamente naquela prodigiosa faculdade do Ser, conhecida como Percepção Instintiva das Verdades Cósmicas.

Porém, iremos um pouco mais longe. Há uma mente diferente da mente sensual. Quero me referir, de forma enfática, à mente intermediária. Nesta mente intermediária encontramos todo tipo de crenças religiosas. Obviamente, os dados fornecidos pelas religiões são absorvidos pela mente intermediária.

Por último, existe ainda a mente interior, a qual, em si mesma e por si mesma, trabalha exclusivamente com os fatos recolhidos pela consciência do Ser. A mente interior jamais poderia funcionar sem os dados que a consciência interior do Ser lhe proporciona.

Eis aqui as três mentes.

A mente sensual, com todas suas teorias e excessos, é conhecida nos evangelhos como a levedura dos saduceus. Jesus Cristo adverte dizendo: Cuidai-vos da levedura dos saduceus, isto é, das doutrinas materialistas, ateístas, como a dialética marxista etc. Este tipo de doutrina corresponde exatamente à doutrina dos saduceus, da qual falava o Cristo.

Mas o Senhor de Perfeição também adverte quanto à doutrina dos fariseus, a qual corresponde à mente intermediária. E quem são os fariseus? São aqueles que frequentam seus templos, suas escolas, religiões, seitas etc., a fim de que todos os vejam.

Escutam a palavra, mas não a executam em si próprios. São como o homem que se olha num espelho e vai embora.

Frequentam unicamente para que os outros os vejam, mas jamais trabalham sobre si mesmos. Isso é gravíssimo! Contentam-se com meras crenças. Não interessa-lhes a transformação íntima total. Perdem seu tempo miseravelmente e fracassam.

Afastemo-nos, pois, da levedura dos saduceus e dos fariseus. Pensemos em abrir a mente interior.
Como a abriremos? Sabendo pensar de maneira psicológica; é assim que se abre a mente interior. Como ela trabalha com os dados da consciência superlativa do Ser, experimenta-se, graças a isso, a realidade dos diversos fenômenos da natureza.

Com a mente interior aberta, poderemos falar, por exemplo, sobre a lei do Karma, não pelo que se disse ou pelo que se deixou de dizer, mas por experiência direta. Com a mente interior aberta, ficamos também suficientemente preparados para falar sobre a reencarnação, sobre a lei do eterno retorno de todas as coisas, sobre a lei da transmigração das almas etc. E o faremos, de fato, não baseados no que lemos de alguns autores ou no que escutamos, mas no que nós mesmos experimentamos de forma real e direta.

Immanuel Kant, o filósofo, faz uma distinção entre a crítica da razão subjetiva e a crítica da razão pura.

Não há dúvida que a razão subjetiva, racional, jamais poderia nos trazer nada que não pertencesse ao mundo dos cinco sentidos. O intelecto, por si mesmo, é racional e subjetivo. Sempre que ouvir falar de temas como reencarnação, karma, etc, exigirá provas, demonstrações.

As verdades que só podem ser percebidas pela mente interior, jamais poderiam ser demonstradas à mente sensual. Exigir provas no mundo sensorial externo equivale a exigir de um bacteriólogo que estude os micróbios com um telescópio ou exigir a um astrônomo que estude os astros com um microscópio. Exigem provas que não podem ser dadas à razão subjetiva porque esta não tem nada que ver com aquilo que não pertence ao mundo dos cinco sentidos.

Temas como reencarnação, karma, vida após a morte, etc., são, de fato, exclusividade da mente interior, e nunca da mente sensual. À mente interior pode-se demonstrar, mas antes, exige-se do candidato que tenha aberto sua mente interior. Se não a abriu, como faríamos para efetuar uma demonstração desse tipo? Impossível, não é verdade?

Visto isto com clareza, convém que agora nos aprofundemos um pouco na questão das faculdades. O intelecto, por si mesmo, é uma das faculdades mais toscas dos níveis do Ser. Se quisermos tornar tudo intelecto, jamais chegaremos à compreensão das verdades cósmicas.

Indubitavelmente, além do intelecto há outra faculdade de cognição. Quero me referir de forma enfática à Imaginação. Muito se subestimou esta faculdade e alguns até a chama pejorativamente de a louca da casa, título injusto, porque se não fosse ela não haveria o automóvel, os aparelhos gravadores, o trem etc.

O sábio que quiser inventar alguma coisa, primeiro terá de a imaginar e em seguida passar a imagem para o papel. O arquiteto que quiser construir uma casa, primeiro terá de imaginá-la, depois sim poderá traçar a planta.

Portanto, a imaginação permitiu a criação de todos os inventos, logo não é algo desprezível.

Não podemos negar que há várias categorias de imaginação. A primeira, poderíamos chamar de imaginação mecânica, que seria a mesma fantasia, que obviamente é constituída pelos resíduos da memória, sendo até prejudicial.

Mas existe outro tipo de imaginação que é na realidade a imaginação intencional ou imaginação consciente.

A própria Natureza possui imaginação, isso é óbvio! Se não fosse pela imaginação, as criaturas da natureza seriam cegas. Mas graças a essa poderosa faculdade a percepção existe, as imagens formam-se no centro perceptivo do Ser ou centro perceptivo das sensações. A imaginação criadora da Natureza deu origem às múltiplas formas existentes em tudo o que é.

Na época dos hiperbóreos, ou dos lemurianos, não se usava o intelecto, usava-se a imaginação. O ser humano era inocente, e o Cosmos, em maravilhoso espetáculo, se refletia como num lago cristalino sobre sua imaginação. Era um outro tipo de humanidade…

Hoje, causa dor ver como as pessoas perderam até a própria imaginação, isto é, esta faculdade degenerou-se espantosamente. O desenvolvimento da imaginação é possível. Isto nos levaria além da mente sensual, isto nos levaria a pensar psicologicamente.

Somente com o pensar psicológico podem ser abertas as portas da mente interior. Se alguém desenvolve a imaginação, aprende a pensar psicologicamente.

Imaginação, inspiração e intuição são os três caminhos obrigatórios da Iniciação. Mas se ficamos engarrafados exclusivamente no funcionamento sensorial do aparato intelectual, não será possível. subir pelos degraus da imaginação, da inspiração e da intuição

Não quero dizer que o intelecto seja inútil. Longe estou de fazer tão grande afirmação. Estou é esclarecendo conceitos. Toda faculdade é útil dentro de sua órbita. Um planeta qualquer é útil em sua órbita, fora dela é inútil e catastrófico. A mesma coisa acontece com as faculdades do ser humano. Elas têm sua órbita. Querer tirar a razão de sua órbita, a razão sensual, é absurdo, porque caímos no ceticismo materialista.

Muita gente, chamemo-los estudantes de pseudoesoterismo e pseudo-ocultismo (tão em voga por estes tempos), estão sempre lutando contra as suas dúvidas.
Por que muitos andam borboleteando de escola em escola, chegando por fim à velhice sem ter realizado nada?

Através da própria experiência, pude observar que os que ficam engarrafados no intelecto, fracassam.

Aqueles que querem comprovar com o intelecto as verdades que não são do intelecto, fracassam. Cometem o erro de querer estudar astronomia, falando simbolicamente, com o microscópio ou o de estudar bacteriologia com o telescópio.

Deixemos cada faculdade em seu lugar, em sua órbita. Precisamos pensar psicologicamente.

É óbvio que devemos repelir com firmeza a doutrina chamada levedura dos saduceus e dos fariseus e aprender a pensar psicologicamente, o que não seria possível se continuássemos engarrafados no intelecto. Vale mais começar a subir pela escada da imaginação, depois passaremos ao segundo escalão, da inspiração, para por fim chegarmos à intuição.

Transcrição de trecho de Conferência de Samael Aun Weor

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